terça-feira, 13 de maio de 2014

[HQ] Persépolis - Marjane Satrapi


"Naquele dia aprendi uma coisa fundamental: só podemos ter dó de nós mesmos quando ainda é possível suportar a infelicidade...
...Quando ultrapassamos esse limite, o único jeito de suportar o insuportável, é rir dele."


SATRAPI, Marjane. Persépolis. São paulo: Companhia das Letras, 2007. Título original: Persepolis

Persépolis é uma história em quadrinhos autobiográfica que relata a vida da autora desde os 10 anos em Teerã, capital do Irã. Nessa época, fim da década de 70, o Irã viveu a revolução islâmica que mudou completamente a vida dos iranianos.

Marjane veio de uma família influente, politizada e de esquerda. Seu bisavô foi um imperador iraniano e seu avô foi preso por ser comunista assim como seu tio. Quando criança ela sonhava em ser profeta, mas conforme se interessava por política e pelo ocidente, seus desejos mudaram. Gostava de bandas de Punk Rock e de se vestir com roupas ocidentais. Dava valor à liberdade do ocidente. Tinha uma relação muito forte com os pais, mas também com a avó e o tio que havia sido preso. Na guerra, Marjane viu amigos e parentes serem presos e torturados e também viu pessoas próximas morrerem.

Com a revolução islâmica, Marjane que sempre estudara em uma escola francesa e laica, foi obrigada a estudar numa escola só para meninas, com um rígido código de comportamento e obrigada a usar o véu. Marjane não aceitava a forma como as pessoas eram tratadas pelo regime fundamentalista islâmico, especialmente as mulheres que não tinham os mesmos direitos que os homens, eram obrigadas a se comportar de acordo com leis rigorosas e extremamente machistas. Mas seu espírito livre logo deixou claro para seus pais que ela não se adaptaria àquele regime.

Aos 13 anos foi mandada para estudar na Europa, mais precisamente na Áustria. Passou um tempo com a amiga de sua mãe, mas não se adaptou. Morou em pensões e com outros amigos, viveu a liberdade que passou a ter ao extremo, passou dificuldades, envolveu-se com pessoas interessantes e outras nem tanto, mas também ficou muito perdida porque não se sentia mais totalmente iraniana, mas não era aceita como ocidental. Voltou para o Irã onde tentou reconciliar-se com sua origem. Estudou Belas Artes e viveu mais um capítulo da sua história admirável.

Enquanto acompanhamos o seu desenvolvimento, amadurecimento e experiências, também conhecemos a história do Irã e da Pérsia com todos os seus conflitos e guerras. Persépolis é original, intenso, inteligente, divertido e emocionante. É um romance autobiográfico sobre transformações políticas e internas, revolta, liberdade, religião, crescimento e amor. É uma das melhores coisas que eu já li e certamente a melhor leitura de 2014 até agora. A autora escreveu essa HQ em francês para contar aos amigos a sua história de vida. As ilustrações em preto e branco, feitas pela própria autora, são simples, divertidas e transmitem a visão de Marjane em diversas fases da sua vida. Leiam hoje! Vale a pena! Ri e chorei  e não consegui parar de ler até chegar ao fim.

Não sei se foi defeito na minha edição, mas as páginas não vieram numeradas, então não sei quantas páginas tem o livro. A minha edição é a completa, mas a história foi escrita originalmente em 3 volumes.

Avaliação: ★★★ 


Em 2007 foi feita uma adaptação para o cinema, em animação, dirigida por Vincent Paronnaud e pela própria autora. Ainda não assisti, mas assim que o fizer, atualizo o post.



Até mais. 
Beijos e boas leituras. :**



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2 comentários:

  1. Persépolis é uma obra realmente maravilhosa! O filme também é muito bom! Recomendo! :)

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Adoro comentários e respondo aqui mesmo, conforme eu vou lendo.
Gentileza gera gentileza.
=)