sábado, 31 de janeiro de 2015

O Lado Bom da Vida - Matthew Quick



QUICK, Matthew. O lado bom da vida. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2012. Título Original: The silver linings playbook. 256p.

Pat People acabou de sair de uma instituição para doentes mentais onde ficou internado durante 5 anos. Mas para ele foram só alguns meses. Ele quer retomar sua vida e passa a viver com o único propósito de reconquistar sua mulher. Ele vai morar com os pais e passa os dias lendo os livros que sua mulher gosta, malhando e correndo para ficar magro e forte. Ele acredita que assim terá sua mulher de volta logo e terminará com o que ele chama de "tempo separados". Mas ele não sabe que já se passaram 5 anos e que sua mulher não quer mais vê-lo. E sua família está resistente em contar a verdade. O pai nem ao menos fala com ele desde a sua volta.

Pat frequenta as seções de terapia onde conta para seu terapeuta como está sua vida e como era na instituição onde esteve internado que ele chama de "o lugar ruim". Ele teme voltar para lá e está disposto a ser um novo homem. Pat também é um torcedor fanático dos EAGLES e assiste sempre aos jogos em casa ou no estádio com os irmãos e até com o seu terapeuta. 

Enquanto isso, Pat é apresentado a Tiffany, irmã da mulher de um dos seus irmãos. Ela também está passando por um momento de instabilidade emocional e tentando se curar depois da morte de seu marido. Tiffany começa a correr com Pat todos os dias e eles se tornam amigos. Até que Tiffany faz a Pat uma proposta irrecusável. Ela conta a Pat que sua mulher não quer nem pode mais vê-lo por conta de uma ordem judicial, mas se oferece para ser um elo de ligação entre eles enviando cartas um para o outro, com a condição de que Pat participe com ela de uma competição de dança. E assim Tiffany e Pat começam a ensaiar arduamente para a competição.

A história contada em O Lado Bom da Vida é fofa. É uma história de motivação e luta pelo restabelecimento emocional, de perda, amor e amizade. Mas a narrativa, em primeira pessoa, me incomodou bastante. O narrador personagem, Pat People, é extremamente infantil. O livro parece ser narrado por uma criança de 8 anos. Foi irritante ouvir um homem de 35 anos falar de sua vida de forma tão pueril. Ainda que essa imaturidade tenha sido explicada como uma forma de Pat não encarar seus problemas a a consequência de seus atos, achei excessiva e estereotipada. Embora alguns aspectos de Pat tenham me cativado, como seu otimismo e busca do lado bom de todas as coisas, e a forma como o seu transtorno mental foi descrito, o personagem não me conquistou por ser exageradamente imaturo. Por outro lado, eu gostei muito de Tiffany, mesmo ela sendo atrapalhada, de fazer más escolhas e meter os pés pelas mãos. Tiffany é uma personagem incrível - bem construída, cativante, intensa e cheia  de boas intenções e também de defeitos. Também gostei do terapeuta de Pat, da sua mãe e da forma como a relação entre seus pais e os segredos são trabalhados na história. É uma ótima história com bons personagens, mas que, a meu ver, pecou pela narrativa fraca e estereotipada. Pat People me irritou muito, principalmente nos momentos finais. Mas eu curti a leitura por conta de todos os outros elementos positivos e, claro, pela dança! É um bom livro para descansar a mente de leituras mais pesadas. Recomendo.

Avaliação: ★★★

Falei sobre a adaptação do livro para o cinema aquiAcho que gostei mais do filme do que do livro.

Até mais.
Beijos e boas leituras. :**




Este livro faz parte do Projeto Lendo o Mundo criado pela Mell do Blog Literature-se.
Para entender melhor o desafio, entrem no meu link sobre ele.

Comente com o Facebook:

2 comentários:

  1. Eu também gostei mais do filme do que do livro... rs Achei o filme mais bem amarrado, além das grandes atuações dos protagonistas.


    Não é que o livro seja ruim, acho que a ideia é incrível. Acho que a escrita do autor ficou bem chatinha em algumas partes. O texto poderia ter ficado bem mais enxuto e coeso sem algumas passagens. E no filme nós temos uma visão maior da vida da Tiffany, enquanto que o livro é só sobre Pat e a obsessão dele pela Nikki.

    ResponderExcluir
  2. Também não achei o livro ruim, mas me incomoda que doentes mentais sejam retratados na ficção de forma infantilizada. Até porque atendo algumas crianças com transtornos mentais muito mais maduras que esse personagem de 35 anos. E me incomodou ainda mais por ele narrar a história. Se a narrativa fosse em terceira pessoa, talvez eu gostasse mais. Mas gostei do livro.
    Também achei a história mais bem amarrada no filme e mais interessante por mostrar a perspectiva da Tiffany.
    Beijos. :*

    ResponderExcluir

Adoro comentários e respondo aqui mesmo, conforme eu vou lendo.
Gentileza gera gentileza.
=)