quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

A Hora da Estrela - Clarice Lispector


LISPECTOR, Clarice. A Hora da Estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. 88p.

"Desculpai-me mas vou continuar a falar. de mim que sou meu desconhecido, e ao escrever me surpreendo um pouco pois descobri que tenho um destino. Quem já não se perguntou: sou um monstro ou isso é ser uma pessoa?" p.15

A Hora da Estrela conta a vida de Macabéa. O livro é narrado em primeira pessoa por um narrador que se apresenta como um escritor chamado Rodrigo. Ele narra os acontecimentos na vida de Macabéa como um observador.  

Macabéa é uma jovem nordestina que vive no Rio de Janeiro e divide um quarto de pensão com outras moças. Ela é datilógrafa e se orgulha disso. Macabéa não é bonita, é descrita como sendo magra demais, mal cuidada, pobre, simples e comum. Ninguém nota sua presença. Não entende de quase nada e se atrapalha no trabalho porque não entende bem as palavras. Ela se considera feliz, mas não tem ambição e se contenta com quase nada. Quando a maltratam, não reclama, não reage. Como se fosse normal tratarem-na assim. 

Penso que ela se considera feliz porque nunca conheceu a felicidade e não a ambiciona. Mas na verdade ela é triste, a vida dela é monótona, sem emoção e sem grandes acontecimentos. E ela não sonha com nada melhor.

"A Pessoa de quem vou falar é tão tola que às vezes sorri para as pessoas na rua. Ninguém lhe responde ao sorriso porque nem ao menos a olham." p.16

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui." p.21  (Lindo!)

Esse é o primeiro livro da Clarice Lispector que leio. Fiquei encantada com a escrita simples, mas poética, cheia de metáforas e de sentimento. A história é crua, visceral e me tocou bem fundo. Senti pena de Macabéa pela sua solidão e raiva por ela ser tão acomodada, mas entendi que ela nunca teve em quem se espelhar, nunca pensou sobre o futuro ou em tornar a vida melhor. Em alguns momentos me encontrei um pouco nela. O final é triste e doloroso. Não é o tipo de leitura que eu costumo buscar usualmente, mas eu amei! Recomendo muito!

"(...)Essa moça não sabia o que era, assim como um cachorro não sabe que é um cachorro. Daí não se sentir infeliz. A única coisa que queria era viver. Não sabia para quê, não se indagava. Quem sabe achava que havia uma gloriazinha em viver. Ela pensava que a pessoa era obrigada a ser feliz. Então era." p.28

Avaliação: ★★★★ 

Até mais. 
Beijos e boas leituras. :**




Este livro faz parte do Projeto Lendo o Mundo criado pela Mell do Blog Literature-se.
Para entender melhor o desafio, entrem no meu link sobre ele.


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2 comentários:

  1. Li esse livro faz algum tempo para a escola em que estudava. Foi através dele que descobri o significado de "epifania" e ainda me é vívida a memória do pneu do carro, hehe. Também foi minha primeira experiência com a autora e confesso que esperava algo um pouco diferente, mas gostei do que li. Beijos.

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  2. Acho que vou me lembrar do livro por muito muito tempo. :)
    Beijos.

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Adoro comentários e respondo aqui mesmo, conforme eu vou lendo.
Gentileza gera gentileza.
=)