segunda-feira, 1 de abril de 2013

As Aventuras de Pi - Yann Martel

Ufa, finalmente saiu a resenha! Nem me lembro mais quando comecei a ler. Bem, acho que vou parar de fazer a tag Li até a página 100... Não está me dando sorte hahaha. A resenha de A Dança dos Dragões também não vai sair tão cedo porque percebi que perdi e esqueci muitas coisas dos livros anteriores. Tenho que reler tudo. Não sei se vou dar um tempo ou só intercalar com outros livros.



Por que tolerar a escuridão? Está tudo bem aqui e é bem claro, contanto que se olhe atentamente. (prof Kumar) pág.42

As Aventuras de Pi é narrado em primeira pessoa ora por Pi, apelido de Piscine, ora pelo escritor com quem Pi se encontra. Pi, já adulto, diz ao escritor que tem uma história que o fará acreditar em Deus. Ele conta que vivia no zoológico de seus pais na Índia. Quando era adolescente, seus pais decidiram vender o zoológico para um comprador canadense e se mudar para o Canadá. Ele narra a vida no zoológico, o convívio com os animais e tudo o que aprendeu com eles e sobre eles.

Na viagem para o Canadá com todos os animais a bordo, o navio naufragou e ele foi a única pessoa sobrevivente. Passou vários dias a bordo de um barco na companhia do tigre Richard Parker, uma hiena, uma zebra e uma oragotango fêmea. O livro conta essa aventura com detalhes e como Pi sobreviveu ao naufrágio. A fome, o sol escaldante, a dificuldade de conviver com os animais, o sofrimento de perder sua família e também acontecimentos extraordinários que tornam a história fascinante.

Todos nascemos como os católicos, não é mesmo? Num limbo, sem religião até que uma figura qualquer venha nos apresentar Deus. Depois desse encontro, a questão está encerrada na maioria de nós. Se houver alguma mudança, em geral é mais uma redução que um aumento; muita gente parece perder Deus ao longo da vida. Não foi o meu caso. (Pi) pág.65

Pi desde criança admirava todas as religiões. Considerava-se católico, hindu, muçulmano. Pi fala do seu encontro com as religiões e pessoas importantes da sua vida que  ajudaram a ter uma visão ampla sobre o mundo e criar suas próprias crenças: o pai cético, a mãe e a tia hindu, o professor ateu, o padre e outros religiosos. O livro promove uma discussão interessante sobre religião, mas eu esperava mais aprofundamento nessa discussão.

Apesar de eu ter uma visão de mundo diferente da do autor e de ter achado a reflexão proposta superficial, eu gostei bastante do livro. É divertido, muito emocionante, intenso, bem escrito, com uma linguagem fluida e simples. Gostei de saber mais sobre a religião hindu e achei o personagem principal muito interessante e bem construído. Também gostei da forma como a história é contada, a evolução e o final muito tocante e brutal. Valeu a pena.

Avaliação: ★★★★

A adaptação para o cinema é linda, um show visual, mas a reflexão proposta pelo livro se dissolve na trama e fica em segundo plano. Somente no final é que ela tem importância. Clique aqui para ver o meu post sobre a adaptação do livro para o cinema.

Beijos. =**


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14 comentários:

  1. To torcendo para que o livro seja melhor que o filme, porque eu fui ver e não entendi muito o propósito, apesar de ser emocionante. :)

    Um beijo,
    Luara - Estante Vertical

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    1. O livro é melhor sim. Mas o espetáculo visual do filme é muito bonito. São obras muito diferentes, eu acho.

      Beijos.

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  2. Personagens como Pi me fascinam, me fascinam pessoas que conseguem dialogar com as varias religiões do mundo... Porque sou maravilhada com elas, amo o hinduísmo aprecio alguns versos do alcorão, não perco a oportunidade de ler um itã (narrativa mitológica do candomblé) tenho um fraco pela mitologia espirita e curiosidade em relação aos ateus. Bem sou cristã sabe Deus como e porque, brinco que Cristo me escolheu e não eu a Ele.

    Estava ansiosa por ler sua resenha e ver sua impressão, tenho mesmo que ler esse livro.

    Cheros Nadia e sim, tenho recebido suas postagens no meu e-mail e lido, as vezes não comento, mas as vezes preciso vim aqui.

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    1. Também sou maravilhada por todas as religiões e gosto de estudar sobre o assunto. Só não não sigo nenhuma. ;)
      Acho que você iria gostar do livro sim.
      Beijos.

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  3. Peguei um abusinho com o escritor, mas confesso ter curiosidade de ler o livro. Tudo porque gostei do filme. Acredito que se lesse ia acabar achando a mesma coisa que você. Eu tenho uma visão muito diferente do autor. Deu pra ver pelo filme.

    Beijos,
    Carissa
    www.carissavieira.com

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    1. Eu também tinha uma cisma com o autor, mas queria ler por causa do filme. Gostei dos dois. :)


      Beijos.

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  4. eu ja vi e me indicaram esse livro, doida pra ler o/
    acervo-de-livros.blogspot.com

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  5. Olha que livro mais lindo, ainda não vi na livraria que visitei final de semana :)

    .CHÁ DE CALMILA.

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    1. Bem vinda ao blog, Camila. :)
      Tem nas livrarias sim. Não é difícil de achar.

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  6. Eu vi o filme. Realmente a questão da religião não parece tão importante no livro, mas é muito interessante. Assim como Pi nunca pedi a fé em Deus (cheguei a questionar sua existência é verdade, mas foi tão dolorido que resolvi acreditar nele de qq forma rss) só perdi a fé nas religiões. Pi podia se dizer muçulmano e hindu ao mesmo tempo, mas acho que no fim, ele não era nada, afinal não dá pra ser tudo, dá pra ser sincretico com certeza, mas no fim ele reinventou a própria religiosidade.

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    1. Eu achei o diálogo entre visões de mundo diferentes interessante.

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  7. Nadia, eu não consigo ver esse livro mais com os mesmos olhos. Depois da coisa toda do plágio não quero mais ler. Eu assisti o filme ontem e não gostei, mas que bom que sua resenha ressalta que o livro tem uma mensagem melhor que o filme. Achei monótono, mas os efeitos foram perfeitos, principalmente o Richard rs !
    Beijos
    descobrindolivros.blogspot.com.br

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    1. Eu não diria uma mensagem, mas uma discussão, uma reflexão porque no final das contas eu não penso como o personagem nem como o autor. Só achei legal o diálogo entre visões de mundo diferentes. O livro é muito bom! O que ele plagiou foi um cena do outro livro. Neste, a cena com o tigre ocupa quase todo o livro. Bem, cada um sabe o que é melhor para si, mas eu achei que valeu a pena a leitura.

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Adoro comentários e respondo aqui mesmo, conforme eu vou lendo.
Gentileza gera gentileza.
=)