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sábado, 23 de fevereiro de 2013

O Incêndio de Troia - Marion Zimmer Bradley



"Antes do nascimento de Páris , Hécuba,
 rainha de Troia, sonhou que dera à luz 
a um incendiário, que destruiria pelo fogo 
as muralhas de Troia."

A história contada em O Incêndio de Troia é muito familiar para mim, primeiro porque leio Mitologia Grega desde criança e segundo porque minha mãe, que é apaixonada por Mitologia, escreveu uma peça de teatro sobre Kassandra.

Marion Zimmer Bradley fez uma pesquisa minuciosa sobre a guerra de Troia e sobre os mitos por trás dessa guerra e transformou tudo isso em um romance dando personalidades muito interessantes a essas figuras mitológicas. A história é contada sob a perspectiva das mulheres. Kassandra, Hécuba, Pentesileia, Andrômaca, Polixena e Helena dão vida a essa história fascinante.

Sempre o meu destino; falar a verdade e apenas ser considerada louca. Mesmo agora, o Senhor   do Sol ainda não me perdoou... Kassandra pág. 13

O livro conta a história do nascimento de Kassandra e Páris que eram irmãos gêmeos. Antes do anscimento dos bebês, a mãe, a rainha Hécuba, esposa de Príamo, rei de Troia, teve um sonho premunitório em que Hermes pegava o menino em chamas e essas chamas se espalhavam e queimavam toda a cidade de Troia. Príamo deu ao menino o nome de Alexandros, mas depois mandou que ele fosse criado longe dali.

O menino foi criado por um pastor e foi chamado pelos pais adotivos de Páris. Kassandra cresceu no palácio, mas desde pequena sentiu que era diferente. Não gostava da vida que as mulheres levavam e tinha visões. Logo descobriu que era chamada para ser uma virgem de Apolo. Na adolescência viu em seus sonhos um menino muito parecido com ela, sem saber que era seu irmão gêmeo. Quando ela perguntou ao pai quem era ele, levou um violento tapa no rosto e logo depois foi mandada para viver com a tia, mãe da rainha Hécuba, Pentesileia, rainha das amazonas.

Kassandra viveu durante anos como uma amazona e foi amada pela tia como se fosse sua própria filha. Sua prima, filha de Pentesiléia, Andrômaca, casou-se com o irmão mais velho de Kassandra, Heitor e vivia no palácio em Troia. Com as amazonas, Kassandra aprendeu  a caçar, lutar, cavalgar e a amar a vida que elas levavam, livres e longe do domínio dos homens. Quando queriam, as amazonas iam para o acampamento dos centauros (homens que viviam em cima de seus cavalos e por isso tinham a fama de serem criaturas meio homem meio cavalo) e tinham relações sexuais com eles. Quando tinham filhos, elas ficavam com as meninas e após desamarem, entregavam os meninos aos centauros.

Kassandra já é uma das minhas protagonistas preferidas. Talvez seja a preferida. Uma personagem autenticamente feminista que faz muitos questionamentos sobre o patriarcado. Meu livro ficou cheio de etiquetinhas coloridas de tantos diálogos entre Kassandra e outros personagens que eu amei! Aliás o livro todo é cheio de frases e diálogos que questionam a situação das mulheres na época, mas muitas delas ainda servem para os dias de hoje porque, infelizmente, muitas coisas não mudaram tanto assim.

- Mas quem já ouviu falar de mulheres cavalgando sozinhas assim? - argumentou o homem. - Os Deuses protegem apenas as mulheres que são esposas decentes, o que não acontece com vocês. Não pertencem a ninguém.
- Que Deus lhe disse isso? - indagou Pentesileia.
- Não precisamos de nenhum Deus para nos dizer o que é evidente. As mulheres foram feitas para o trabalho de mulheres e para atender às necessidades dos homens. (...) pág 78

(...) Mas se a guerra era uma coisa tão abominável para as mulheres, por que então seria boa para os homens? E se era meritória e honrosa para os homens, por que seria errado as mulheres partilharem a honra e a glória? (Kassandra) pág. 92

Por que as mulheres deveriam viver com os homens quando podem cuidar sozinhas de seus rebanhos, se alimentar de suas hortas e viver livres? (Pentesileia) pág 278

E também reflexões sobre religião:

Os Deuses dos akaios exigiam realmente coisas tão ediondas ou apenas tinham sacerdotes que assim diziam só para servir aos seus propósitos corruptos? (Kassandra) pág. 403

Kassandra continua tendo suas visões e ao contrário de seus pais, Pentesileia acredita nelas e a respeita. Com as amazonas, Kassandra aprende a cultuar a Deusa Mãe, Grande Mãe Serpente. Nesse momento, a autora une os mitos gregos com os mitos mais primitivos da Deusa, mãe Terra que tudo criou. Pentesileia diz que só existe uma Deusa, mas que ela é chamada por vários nomes. Kassandra vê através dos olhos de Páris e sabe por  Pentesiléia que ele é seu irmão gêmeo. Kassandra vê que as Deusas Atena, Hera e Afrodite pedem que ele diga qual das três é a mais bela e a presenteie com um pomo de ouro que tinha sido deixado por Éris, a deusa da discórdia. Cada uma promete um prêmio se ele a escolher. Páris escolhe Afrodite que lhe promete o amor de Helena, a mulher mais bela que existia.

Essa lenda deu origem à expressão "o pomo da discórdia" que significa qualquer coisa que seja motivo para as pessoas brigarem (wikipedia.org/wiki/Pomo_da_Dicórdia). Além dessa expressão, as lendas sobre a guerra de Troia deram origem a mais outras: "presente de grego", "agradar gregos e troianos", "Profecia de Kassandra", "voto de Minerva", "calcanhar de Aquiles". Lista de Expressões pt.wikipedia

Quando volta a Troia, já adolescente, Kassandra decide ser uma virgem de Apolo e vai viver no templo do Senhor do Sol. Páris vai lutar nos jogos em Troia e o rei descobre que ele é seu filho e pede que ele volte a viver no palácio. Numa viagem, Páris vai a Esparta e volta com a rainha espartana, Helena, esposa de Menelau. Kassandra tem uma visão e diz que Páris e Helena trarão chamas e destruição à cidade, mas ninguém lhe dá ouvidos (Apolo como punição por ela não ter se entregado a ele, manteve o dom da professia, mas fez com que ninguém acreditasse em suas visões). E assim começou a guerra de Troia, com . Menelau exigindo sua esposa de volta (claro que isso era apenas um pretexto).

Enquanto Akiles, um terrível guerreiro akaio, era um dos comandantes dos inimigos de Troia, Heitor, irmão de Kassandra comandava as tropas troianas. A guerra tem continuidade e a cidade vai ficando cada vez mais fraca, os guerreiros morrem, os suprimentos acabam, um terremoto enfraquece mais ainda a cidade. Kassandra vê que os Deuses estavam zangados com Troia e seriam responsáveis por sua destruição pois somente um Deus poderia transpor as muralhas da cidade.

O livro narra a guerra de Troia do início ao fim e o destino de Kassandra. A narrativa alterna a terceira pessoa com pensamentos de Kassandra em primeira pessoa. O livro tem muita ação, aventura, romance, drama e Mitologia! Eu simplesmente estou apaixonada pelo livro, a história, os mitos os personagens incríveis! Já é um dos meus favoritos! Leiam! É maravilhoso!

Avaliação: ★★★★★ 


Até a próxima.
Beijos. =**

P.S. Quero ser uma amazona. :)


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O Filho do Dragão - M. K. Hume




O dever de manter a honra dos bretões é uma responsabilidade que pesa sobre todos os guerreiros. Mas a própria sobrevivência do oeste exige que nossas ações reflitam a glória da nossa causa. (Artorex) p.388

Quando Uther conheceu Ygerne, casada com Gorlois, ele a desejou imediatamente e mandou o marido para uma batalha suicida. Uther casou-se com a viúva e quando ela engravidou, e deu à luz um menino, ele entregou o bebê e ordenou que ele fosse morto. Uther temia que o filho fosse de Gorlois e que se vingasse da morte do pai. Contrariando a ordem do rei, o bispo Lucius entregou o menino, que era na verdade filho de Uther, e o enviou para ser criado por uma família de origem romana na distante Quinta Poppiniddii.

O Filho do Dragão conta a história desse menino, que foi chamado de Artorex e cresceu sem conhecer a sua origem real. Artorex foi criado por Ector, sua esposa Livínia e a criada Frith. Tinha um irmão de criação: Caius que se tornou um homem cruel. Quando Artorex tinha catorze anos, três nobres visitantes apareceram na Quinta Poppinidii: Myrddion Merlinus, Luka, e Llanwith pen Bryn. Ao verem verem o menino eles notaram a semelhança com Uther e incumbiram Ector de dar a Artorex treinamento de um guerreiro.

Artorex treinou durante muito tempo e desenvolveu habilidades para as batalhas. Cresceu, tornou-se um homem forte, honesto e honrado e assumiu a função de intendente da Quinta. Casou-se com a romana Gallia e teve uma filha. Mas os três visitantes voltaram à Quinta Poppinidii e levaram Artorex para Venta Belgarum para ser um guerreiro de Uther Pendragon afastando-o da vida simples que tanto gostava. Artorex tornou-se então um grande guerreiro e ainda sem saber da sua origem, ganhou muitas batalhas contra os saxões. Artorex conquistou o respeito do povo e já era um grande homem antes de se tornar rei, o que aconteceu graças à vontade e influência dos três viajantes.

***
Eu amo as lendas sobre o Rei Arthur! Vira e mexe e eu pego um livro ou filme sobre o assunto. Meu primeiro contato com as lendas arturianas foi com o filme da Disney A Espada Era a Lei. Vi vários filmes, li As Brumas de Avalon que eu adoro e há uns 4 ou 5 anos li As Crônicas de Artur do Bernard Cornwell que é minha paixão. É a melhor versão sobre as lendas na minha opinião.

Quando vi em blogs essa nova série Crônicas do Rei Arthur não pensei duas vezes e comprei o primeiro volume, mesmo achando que dificilmente iria superar a perfeição que é a trilogia de Cornwell. Eu gostei bastante do livro, mas é impossível não compará-lo aos de Cornwell porque as duas versões se propõem a falar sobre um Arthur histórico, distanciado da fantasia dos poemas épicos da idade média, dos livros do T. H. White e das Brumas. Então me desculpem se na resenha eu comparo as duas obras.

***
A história é narrada em terceira pessoa e é muito bem contada, dinâmica, com muita ação, batalhas bem detalhadas, ótimas descrições sobre os costumes da época. Muitos nomes são diferentes no livro como Myrddion Merlinus (Merlin), Ygerne (Igraine) e Artorex, mas este é chamado de Artor  depois (Artor-Rex / Artor Rei). A autora também optou por usar os nomes originais romanos das cidades como Aquae Sulis que é Bath e Venta Belgarum que é Winchester.

A autora, M. K. Hume é historiadora e especialista nas lendas arturianas, então o trabalho de pesquisa da época é excelente, mas senti falta dos excelentes personagens de Cornwell. O Merlin de Cornwell por exemplo é um dos meus personagens favoritos de todos os tempos (por causa dele, escolhi o nome do meu gato). Os personagens de O Filho do Dragão são bons, as personalidades de Artorex, Caius e mais alguns guerreiros são interessantes e bem trabalhadas, mas faltou o humor e a sensibilidade de Cornwell para criar personagens intensos, sarcásticos e apaixonantes. Demorei a gostar dos personagens do livro. Da metade do livro em diante é que começaram a me cativar, inclusive o próprio Artorex. Mas tudo isso é compensado pela história envolvente, ágil, excitante e bem construída!

Da metade em diante a história fica ainda melhor com a aproximação do momento em que Artorex torna-se rei. O fato de ele tornar-se realmente rei foi uma das coisas de que mais gostei no livro,  já que na versão de Cornwell, que eu amo, ele é mostrado como um grande guerreiro que nunca foi rei. O final é extremamente envolvente e emocionante! A versão de Cornwell continua no topo da minha lista, mas O Filho do Dragão é um excelente livro. Já estou louca para ler as continuações. Recomendo! Vale muito a pena!

Avaliação: ★★★★★ 

Até a próxima.
Beijos.



segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

[Cinema] Jodhaa Akbar (2008)



Jodhaa Akbar,


Índia, 2008

213 min

Drama Histórico, Romance

Diretor: Ashutosh Gowariker

Roteiro: Haidar Ali

Elenco: Hrithik Roshan, Aishwarya Rai Bachchan e Sonu Sood







A Índia é a maior produtora de filmes do mundo e eu amo o cinema indiano! Tem de tudo: comédias românticas (sempre musicais com aquelas dancinhas lindas rs), dramas, policiais, suspense etc. Já assisti a vários. Acho tudo tão lindo! Principalmente os cenários e figurinos. Aliás acho os atores todos lindos. E aquelas roupas lindas bordadas a ouro e pedras e montanhas de joias? Um arraso!


Jodhaa Akbar é um drama histórico baseado em fatos reais que se passa no século XVI e conta a história do Imperador Mongol Akbhar (Hrithik Roshane da Princesa Jodhaa (Aishwarya Rai Bachchan), filha do Rei Bhamal do Rajastão. Jodhaa, que é hindu, é obrigada a se casar com Akhbar, muçulmano, para selar uma aliança política entre as duas nações. A princesa fica arrasada por ser usada como peça de um acordo político e ainda mais por ter que se casar com alguém de outra religião. Ela propõe ao imperador duas condições: que ela possa manter sua religião e que seja construído um templo para seus deuses e ele aceita.

Aos poucos os dois vão se conhecendo e acabam se apaixonando, mas têm que enfrentar muitos obstáculos e conspirações  para serem felizes juntos. Além disso o casamento não agradou os muçulmanos e o Imperador teve que conquistar o respeito do seu povo. O filme mostra como são diferentes os costumes deles e como eles têm que se adaptar a essas diferenças. Tudo muito lindo e romântico (suspiros...).

O filme é visualmente maravilhoso - a fotografia, os cenários, figurinos, grandes batalhas, tudo impecável! Os protagonistas são ótimos, lindos e com muita química entre eles. Amei, amei amei! Se tiverem oportunidade de assistir, assistam. É uma superprodução e foi o maior lançamento de um filme indiano nos EUA na época, então não deve ser impossível de achar rs.

Eu baixei em torrent com som original e legenda em inglês. No começo tive que me adaptar porque eles falam muito rápido e, apesar de eu ser fluente em inglês, não leio tão rápido assim rsrs, mas me acostumei logo. O filme é lindo, tem músicas lindas, mas poucos números musicais com dancinhas hehe. Achei os cartazes do filme tão lindos que coloquei vários no post. =)


 



Até a próxima.
Beijos.    

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Crônicas do Matador do Rei - Patrick Rothfuss

Primeiro dia - O Nome do Vento

"Há três coisas que todo homem sábio deve temer: o mar em uma tempestade, uma noite sem lua, e a ira de um homem gentil."


Passados alguns anos depois de suas aventuras, Kvothe, que agora se chama Kote conta sua saga a um cronista.


Conhecemos toda a história de Kvothe desde que vivia em uma trupe de artistas etinerantes, seu aprendizado de magia com o arcano Ben, o assassinato de seus pais pelo Chandriano (um grupo de demônios misteriosos), as dificuldades para chegar e depois para ser aceito na Universidade de magia, a busca pelo Chandriano, seu amor pela misteriosa Denna, sua rivalidade com o invejoso Ambrose e a amizade poética com a frágil Auri. Adoro as conversas entre Kvothe e Auri, são lindas, cheias de lirismo. Auri é uma das minhas personagens preferidas no livro.

Através da trajetória de Kvothe acompanhamos a evolução da sua personalidade de forma muito bem construída.

Este foi um dos melhores livros que li este ano e certamente um dos melhores épicos de fantasia que já li na vida. Magia, mistério, amor e aventura se misturam numa história fascinante.

Patrick Rothfuss apresenta um mundo novo e complexo cheio de lendas, magia e lugares diferentes de tudo o que se vê em outros livros de fantasia. Maravilhoso!

A narrativa se alterna em terceira pessoa na hospedaria de Kote e em primeira pessoa, quando Kote conta sua história ao cronista. O livro é muito bem escrito, de forma fluida e ágil. Não quero tirar a surpresa do livro, mas acredito que quem ler não vai se arrepender. Recomendo para quem gosta de fantasia como eu.

Avaliação: ★★★★★

Segundo dia - O Temor do Sábio



"Se você dá uma resposta a um homem, tudo o que ele ganha é um fato qualquer. Mas, se você lhe der uma pergunta, ele procurará suas próprias respostas."


No segundo livro da trilogia, Kvothe está mais maduro, conseguiu se estabelecer na Universidade, mas por causa da rivalidade de Ambrose ele é aconselhado a dar um tempo longe de lá.

Eu me decepcionei um pouco com este livro. Gostei tanto do primeiro que esperava mais. Tem muita enrolação, muitas páginas em que nada importante acontece e quando ele finalmente descobre o nome do vento, o autor dá muito pouca importância a isso. Um julgamento que também prometia se interessantíssimo passa batido. Kvothe continua sem saber sobre o Chandriano ou sobre os segredos de Denna.

Gostei do seu encontro com um dragão e com uma fada e também dos diálogos com Auri que continuam lindos, mas senti falta de conhecer mais sobre esse mundo porque ele passa até chegar ao seu destino em Vintas.

Como no primeiro livro, a narrativa se revesa ora em primeira, ora em terceira pessoa. A escrita é fluida e poética. Apesar de não ter gostado tanto quanto do primeiro, ainda assim considero um bom livro. O mistério continua, há muitas pontas soltas que precisam ser amarradas, mal posso esperar para lançarem o último da saga. Espero que seja tão bom quanto o primeiro.



Curiosidade: As capas lindas foram criadas por Marc Simonetti. O mesmo que criou as capas da série "Canções de Gelo e Fogo" de George R.R. Martin.

Avaliação: ★★★

Até mais.
Beijo.


Série de TV - Raised by Wolves

Terminei de assistir ontem à nova série original HBO Max. Já vou começar dizendo que recomendo para quem gostou de Battlestar Ga...