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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Como Água para Chocolate - Laura Esquivel



ESQUIVEL, Laura. Como Água para Chocolate. Rio de Janeiro: BestBolso, 2014. Título original: Como agua para chocolate.

"Algumas vezes chorava sem motivo algum, como quando Nacha cortava cebolas. Mas já que ambas sabiam a causa daquelas lágrimas, não davam muita atenção. Faziam disso uma fonte de diversão, de modo que, durante a infância, Tita não fazia distinção entre lágrimas de alegria ou de tristeza. Para ela, rir era uma forma de chorar." p.10

"Como água para chocolate" se passa no México, no início do século XX. Conta a história de Tita que desde muito jovem foi avisada por sua mãe que nunca se casaria porque sendo a filha mais nova, deveria cuidar da mãe até sua morte. Desde pequena Tita gostava da cozinha e logo aprendeu a cozinhar. A empregada Nacha era sua amiga e lhe ensinou tudo sobre os temperos e as melhores receitas da cozinha mexicana, além de ouvir e dar conselhos sobre sua vida amorosa. Quando adolescente, Tita se apaixonou por Pedro, e o amor era recíproco. Mas sua mãe a proibiu de se casar. Pedro, então, resolveu casar-se com a irmã de Tita, Rosaura, para que pudesse sempre estar perto da sua amada. Essa foi uma escolha terrível para todos os envolvidos, principalmente as duas irmãs que sofreram muito. Tita ficou arrasada com a decisão de Pedro, e Rosaura que gostou muito da ideia no início, teve uma péssima vida conjugal ao lado do marido porque era claro que ele não a amava. A relação entre as irmãs, que nunca foi das melhores, foi completamente destruída e Tita entrou em depressão. A partir deste momento a vida de Tita parece que vai dar uma virada porque ela conhece  médico americano John que cuida dela e se apaixona por ela. Mas a história de Pedro e Tita não acaba assim. 

É importante destacar também a relação entre Tita e a mãe. A mãe de Tita é uma mulher egoísta, cruel, que maltrata a filha e as empregadas. Elas brigam desde que Tita era pequena porque Tita nunca aguentou calada a forma como a mãe a tratava. Mas também nunca teve coragem de dar um basta. Até mesmo depois da sua morte, a mãe de Tita continuou tendo um poder maligno sobre ela. 

Gertrudes, a irmã do meio também é um personagem muito interessante. Cheia de paixão e desejo, ela exerce sua sexualidade de forma livre e sem amarras e é a única entre as irmãs que consegue viver longe das amarras da mãe. É também aquela mais influenciada pelos poderes afrodisíacos das comidas de Tita.

Eu gostei muito do livro. A escrita da autora é belíssima. Adoro a forma como ela mistura as receitas à história e todas as metáforas entre os sentimentos dos personagens e os sabores e sensações causados pelas comidas. É um livro lindo! Mas eu odiei o casal principal. Já tinha odiado isso no filme, e aqui não foi diferente. Eu adorei Tita e como sua personalidade foi trabalhada, mas Pedro é irritante, infantil e machista. A escolha que ele fez foi estúpida, covarde e cruel com as duas mulheres. Ele ficou em uma situação muito cômoda casando-se com Rosaura e tendo Tita como amante enquanto que as duas mulheres sofreram cada uma à sua maneira. E ainda prejudicou a relação entre as elas. Pedro podia até gostar de Tita, mas de uma maneira bem torta. Não gostei do final da história, mas achei lindíssima a forma como foi narrado. Odiei as escolhas que os personagens fizeram, mas a história é interessante e eu adoro realismo fantástico. Adoro as explicações e acontecimentos mágicos intercalados como uma história que poderia ter mesmo acontecido. Esse é sem dúvida um dos meus gêneros literários favoritos. O livro é cheio de sensualidade, muito bem escrito e uma delícia de ler apesar de todas as minhas ressalvas. Recomendo muito o livro e o filme e vou experimentar algumas receitas. ;)

Avaliação: ★★★★

Até mais.
Beijos e boas leituras. :**




quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

A Hora da Estrela - Clarice Lispector


LISPECTOR, Clarice. A Hora da Estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. 88p.

"Desculpai-me mas vou continuar a falar. de mim que sou meu desconhecido, e ao escrever me surpreendo um pouco pois descobri que tenho um destino. Quem já não se perguntou: sou um monstro ou isso é ser uma pessoa?" p.15

A Hora da Estrela conta a vida de Macabéa. O livro é narrado em primeira pessoa por um narrador que se apresenta como um escritor chamado Rodrigo. Ele narra os acontecimentos na vida de Macabéa como um observador.  

Macabéa é uma jovem nordestina que vive no Rio de Janeiro e divide um quarto de pensão com outras moças. Ela é datilógrafa e se orgulha disso. Macabéa não é bonita, é descrita como sendo magra demais, mal cuidada, pobre, simples e comum. Ninguém nota sua presença. Não entende de quase nada e se atrapalha no trabalho porque não entende bem as palavras. Ela se considera feliz, mas não tem ambição e se contenta com quase nada. Quando a maltratam, não reclama, não reage. Como se fosse normal tratarem-na assim. 

Penso que ela se considera feliz porque nunca conheceu a felicidade e não a ambiciona. Mas na verdade ela é triste, a vida dela é monótona, sem emoção e sem grandes acontecimentos. E ela não sonha com nada melhor.

"A Pessoa de quem vou falar é tão tola que às vezes sorri para as pessoas na rua. Ninguém lhe responde ao sorriso porque nem ao menos a olham." p.16

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui." p.21  (Lindo!)

Esse é o primeiro livro da Clarice Lispector que leio. Fiquei encantada com a escrita simples, mas poética, cheia de metáforas e de sentimento. A história é crua, visceral e me tocou bem fundo. Senti pena de Macabéa pela sua solidão e raiva por ela ser tão acomodada, mas entendi que ela nunca teve em quem se espelhar, nunca pensou sobre o futuro ou em tornar a vida melhor. Em alguns momentos me encontrei um pouco nela. O final é triste e doloroso. Não é o tipo de leitura que eu costumo buscar usualmente, mas eu amei! Recomendo muito!

"(...)Essa moça não sabia o que era, assim como um cachorro não sabe que é um cachorro. Daí não se sentir infeliz. A única coisa que queria era viver. Não sabia para quê, não se indagava. Quem sabe achava que havia uma gloriazinha em viver. Ela pensava que a pessoa era obrigada a ser feliz. Então era." p.28

Avaliação: ★★★★ 

Até mais. 
Beijos e boas leituras. :**




Este livro faz parte do Projeto Lendo o Mundo criado pela Mell do Blog Literature-se.
Para entender melhor o desafio, entrem no meu link sobre ele.


sábado, 31 de janeiro de 2015

O Lado Bom da Vida - Matthew Quick



QUICK, Matthew. O lado bom da vida. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2012. Título Original: The silver linings playbook. 256p.

Pat People acabou de sair de uma instituição para doentes mentais onde ficou internado durante 5 anos. Mas para ele foram só alguns meses. Ele quer retomar sua vida e passa a viver com o único propósito de reconquistar sua mulher. Ele vai morar com os pais e passa os dias lendo os livros que sua mulher gosta, malhando e correndo para ficar magro e forte. Ele acredita que assim terá sua mulher de volta logo e terminará com o que ele chama de "tempo separados". Mas ele não sabe que já se passaram 5 anos e que sua mulher não quer mais vê-lo. E sua família está resistente em contar a verdade. O pai nem ao menos fala com ele desde a sua volta.

Pat frequenta as seções de terapia onde conta para seu terapeuta como está sua vida e como era na instituição onde esteve internado que ele chama de "o lugar ruim". Ele teme voltar para lá e está disposto a ser um novo homem. Pat também é um torcedor fanático dos EAGLES e assiste sempre aos jogos em casa ou no estádio com os irmãos e até com o seu terapeuta. 

Enquanto isso, Pat é apresentado a Tiffany, irmã da mulher de um dos seus irmãos. Ela também está passando por um momento de instabilidade emocional e tentando se curar depois da morte de seu marido. Tiffany começa a correr com Pat todos os dias e eles se tornam amigos. Até que Tiffany faz a Pat uma proposta irrecusável. Ela conta a Pat que sua mulher não quer nem pode mais vê-lo por conta de uma ordem judicial, mas se oferece para ser um elo de ligação entre eles enviando cartas um para o outro, com a condição de que Pat participe com ela de uma competição de dança. E assim Tiffany e Pat começam a ensaiar arduamente para a competição.

A história contada em O Lado Bom da Vida é fofa. É uma história de motivação e luta pelo restabelecimento emocional, de perda, amor e amizade. Mas a narrativa, em primeira pessoa, me incomodou bastante. O narrador personagem, Pat People, é extremamente infantil. O livro parece ser narrado por uma criança de 8 anos. Foi irritante ouvir um homem de 35 anos falar de sua vida de forma tão pueril. Ainda que essa imaturidade tenha sido explicada como uma forma de Pat não encarar seus problemas a a consequência de seus atos, achei excessiva e estereotipada. Embora alguns aspectos de Pat tenham me cativado, como seu otimismo e busca do lado bom de todas as coisas, e a forma como o seu transtorno mental foi descrito, o personagem não me conquistou por ser exageradamente imaturo. Por outro lado, eu gostei muito de Tiffany, mesmo ela sendo atrapalhada, de fazer más escolhas e meter os pés pelas mãos. Tiffany é uma personagem incrível - bem construída, cativante, intensa e cheia  de boas intenções e também de defeitos. Também gostei do terapeuta de Pat, da sua mãe e da forma como a relação entre seus pais e os segredos são trabalhados na história. É uma ótima história com bons personagens, mas que, a meu ver, pecou pela narrativa fraca e estereotipada. Pat People me irritou muito, principalmente nos momentos finais. Mas eu curti a leitura por conta de todos os outros elementos positivos e, claro, pela dança! É um bom livro para descansar a mente de leituras mais pesadas. Recomendo.

Avaliação: ★★★

Falei sobre a adaptação do livro para o cinema aquiAcho que gostei mais do filme do que do livro.

Até mais.
Beijos e boas leituras. :**




Este livro faz parte do Projeto Lendo o Mundo criado pela Mell do Blog Literature-se.
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domingo, 25 de janeiro de 2015

O Diário de Anne Frank - Otto H. Frank e Mirjan Pressler



FRANK, Anne. O Diário de Anne Frank. Rio de Janeiro, Record, 2014. Tradução de The diary of a young girl. Título Original e holandês: HET ACHTERHUIS

O Diário de Anne Frank é um diário real escrito por uma menina de 13 anos, judia alemã enquanto estava escondida no sótão de uma casa em Amsterdã. Nesta edição encontramos o que ela escreveu inicialmente no diário com as modificações que ela mesma fez posteriormente pensando em publicá-lo no futuro. Anne Frank tinha 13 anos quando começou o seu diário. Inspirada por um programa de rádio que dizia que os diários escritos durante a guerra poderiam ser publicados, Anne editou e acrescentou alguns trechos e contou mais sobre sua vida no Anexo Secreto, como ela chamou o sótão.

No início do diário, encontramos uma Anne imatura e mimada, muito mais preocupada com meninos e coleguinhas da escola. Depois que deixa a casa e vai se refugiar no sótão na casa do patrão de seu pai, Anne começa aos poucos a relatar sobre a guerra e as dificuldades do dia a dia. Os moradores do Anexo Secreto enfrentaram fome, tédio, medo de serem descobertos, desespero por estarem confinados e dificuldade de convivência com outras pessoas em um espaço tão pequeno, sem privacidade etc.

"...Estou no topo do mundo quando penso em como temos sorte, ao me comparar com outras crianças judias, e nas profundezas do desespero quando, por exemplo, a Sra. Kleiman vem falar sobre clube de hóquei de Jopie, passeios de canoa, peças de teatro na escola e chás com amigos." p.164


Nos dois anos que duraram os seus relatos, acompanhamos o amadurecimento de Anne que lia muito e se interessava por Política, História, Religião, Literatura, Artes etc. Ela dava sua opinião sobre o que estava acontecendo no mundo baseada nas notícias que ouvia no rádio e nas conversas com sua família e com os outros moradores do Anexo Secreto.

"A guerra vai continuar, independentemente das brigas e do desejo de liberdade e ar puro, por isso deveríamos tornar a nossa estada o mais agradável possível." p180

Anne também viveu um breve romance no confinamento mostrando que mesmo nas piores condições ela conseguia viver sua vida, fazer planos e ter esperanças no futuro. Anne queria ser escritora (e conseguiu) e alguns trechos do diário em que fala sobre o que esperava do futuro são muito comoventes. 
"Se Deus me deixar viver, vou realizar mais do que mamãe jamais realizou, vou fazer com que minha voz seja ouvida, vou para o mundo e trabalharei pela humanidade!" p.273

Anne era muito inteligente e tinha opiniões fortes.  Sabia o que queria e o que pensava sobre o mundo e questionava a situação das mulheres.

"Mas é só isso. As mulheres devem ser respeitadas também! Falando em termos gerais, os homens são mais valorizados em todas as partes do mundo; então pir que as mulheres não devem ter a sua cota de respeito? Soldados e heróis de guerras são homenageados e condecorados, exploradores recebem fama imortal, mártires são reverenciados, mas quantas pessoas veem as mulheres também como soldados?" p.328

"Acredito que, no decorrer do próximo século, a ideia de que é dever da mulher ter filhos mudará, e abrirá caminho para o respeito e a admiração a todas as mulheres, que carregam seus fardos sem reclamar e sem um monte de palavras pomposas." p.329

São tantos trechos do diário que eu amei, que é melhor parar por aqui. Leiam e se apaixonem também. O livro é uma delícia! Forte, emocionante, intenso e uma pequena amostra sobre a II Guerra Mundial. Recomendo muitíssimo para leitores de todas as idades.

Avaliação: ★★★★ 

Como muitos devem saber, Anne Frank não sobreviveu à guerra. O Anexo Secreto foi descoberto e ela foi capturada. Morreu de tifo no campo de concentração Bergen-Belsen na Alemanha pouco tempo depois. Seu diário foi posteriormente editado e publicado por seu pai, Otto H. Frank que sobreviveu à guerra. Muito se questionou sobre a autenticidade do diário, mas ele foi analizado e considerado autêntico. Os originais estão expostos no Museu de Anne Frank na casa em que Anne e sua família ficaram escondidos em Amsterdã.

Até mais. 
Beijos e boas leituras. :**




Este livro faz parte do Projeto Lendo o Mundo criado pela Mell do Blog Literature-se.
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sexta-feira, 31 de outubro de 2014

A Noite dos Mortos Vivos - John Russo




Com um arrepio, Ben compreendeu que nada que fosse humano tinha algum significado para aquelas criaturas. Elas estavam interessadas nos seres humanos apenas para matá-los. Para rasgar a carne dos seus corpos e transformá-los em coisas mortas... assim como elas. p.67

RUSSO, John. A Noite dos Mortos Vivos. Rio de Janeiro: DarkSide Books, 2014. Título Orignal: Undead: Night of the living dead. 320p.

A Noite dos Mortos Vivos é o roteiro do filme homônimo de 1968, dirigido por George A. Romero com roteiro de John Russo e George A. Romero, que foi adaptado em forma de romance e publicado recentemente nessa edição lindíssima da DarkSide Books.




Ben e Bárbara se conhecem em meio a um apocalipse zumbi sem saber muito bem o que está acontecendo. Bárbara passa boa parte da história em choque e sem reagir por causa do que presencia à sua volta enquanto Ben faz tudo para proteger-se e protegê-la das criaturas que os perseguem. A inércia de Bárbara me irritou. Não aguentava mais sua falta de reação e atitude diante do perigo. 

Algumas pessoas se juntam aos dois depois de um tempo e buscam soluções para livrarem-se do perigo. Enquanto isso, boletins de urgência são transmitidos pelo rádio, mas as autoridades não sabem ainda do que se tratam as criaturas.



A história é exatamente igual ao filme, com muita ação sem parar e cenas assustadoras. O final é terrível e inesperado. Achei interessante ler o livro já que o filme foi um precursor de filmes e séries sobre zumbis. Mas a história não é muito elaborada. Não há muitas explicações e os personagens são pouco trabalhados. Não mudou a minha vida, mas é bem divertido e serve para entreter.




A minha edição é a especial limitada da DarkSide Books com capa dura e está perfeita, cheia de fotos do filme. A edição traz também a continuação de A Noite dos Mortos Vivos - A Volta dos Mortos Vivos, que não foi filmada. Recomendo para os que gostam de histórias de zumbis e ação.

Avaliação: ★★★






Até mais.
Beijos e boas leituras. :**

Happy Halloween!!!





quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Apocalipse Z - O Princípio do Fim - Manel Loureiro


De repente, mandaram-nos de volta para o século XIX. Só que cercados de cadáveres ambulantes e lutando para sobreviver. Que panorama mais fodido. p. 101


LOUREIRO, Manel. Apocalipse Z - O princípio do fim. São Paulo: Planeta Brasil, 2010. 365p.

O Princípio do Fim é o primeiro volume da trilogia Apocalipse Z e como o nome sugere trata de um apocalipse zumbi.

A história é narrada em primeira pessoa por um advogado que relata aos leitores do seu blog o que está acontecendo no mundo. Ele mora sozinho com seu gato Lúculo (que é um personagem ótimo) após a perda da sua mulher e começou a escrever um blog para sair da depressão.

O protagonista conta sobre uma epidemia que começou depois de um acidente em um laboratório e como rapidamente se espalhou. Relata o terror das pessoas, a calamidade que ocorre em decorrência disso, cidades sendo evadidas, pessoas se refugiando em bases militares e claro, os zumbis, chamados por ele de não mortos. A eletricidade acaba, a internet não funciona e a partir de então, o advogado começa a relatar o que acontece com ele em um diário.

O ritmo do livro é eletrizante. Tem ação e tensão do início ao fim. Os acontecimentos são narrados no presente, conforme as coisas vão acontecendo o que aproxima o leitor da ação. Apesar de algumas cenas serem muito longas, não me entediei em nenhum momento. A escrita do autor é fluida e o narrador utiliza uma linguagem informal e atual.

Gostei muito da história e estou muito curiosa para saber o que acontece nos próximos volumes. Recomendo muito para quem curte distopias, zumbis e muita ação.

Avaliação: ★★★★

Até mais.
Beijos e boas leituras. :**


domingo, 12 de outubro de 2014

O Dragão de Gelo - George R. R. Martin


MARTIN, George R. R. O Dragão de Gelo. São Paulo: Leya, 2014. Título original: The Ice Dragon. 130 p.

O dragão de gelo soprava a morte no mundo. Morte, quietude e frio. Mas Adara não tinha medo. Ela era uma criança do inverno, e o dragão de gelo era o seu segredo. p.38

Darei uma pausa do mês do Halloween  porque hoje é dia das crianças (e aniversário do meu gato Merlin)! 
Para comemorar escolhi escrever sobre um livro infanto-juvenil escrito pelo George R. R. Martin, um dos meus escritores favoritos!

O Dragão de Gelo conta a história de Adara, que nasceu fria como o inverno, e sua amizade secreta com um dragão de gelo. O universo em que se passa a história é o mesmo ou é muito semelhante ao universo das Crônicas de Gelo e Fogo que deu origem à série de TV Game of Thrones. 

Adara vive em reino repleto de dragões, mas faz amizade com um dragão que não é como os outros. Ele é gelado, branco e lindo. E ela não tem medo de tocá-lo nem de voar com ele, embora ele possa congelar outras pessoas. O dragão de gelo é muito temido no seu mundo. Mas quando uma guerra e dragões de fogo ameaçam seu mundo, Adara e seu dragão de gelo terão que lutar. A família de Adara não sabe dos encontros dela com o dragão de gelo e ela voa com ele secretamente pelos céus do seu mundo.

O Dragão de Gelo é uma linda história de amizade e coragem. É narrado em terceira pessoa e com uma linguagem simples apropriada para o público infanto-juvenil, fluida mas lindamente descritiva (como os outros livros do autor). É curtinho e dá para ler de uma vez só bem rapidinho. O livro é todo lindo e fofo. É ilustrado pelo incrível Luis Royo, artista premiado e conhecido pelas suas lindas ilustrações de fantasia. Recomendo para leitores de todas as idades que curtem fantasia. Uma ótima forma de apresentar o mundo das Crônicas de Gelo e Fogo aos pequenos. 

Avaliação: ★★★★★ 



Beijos e boas leituras. :**
Até logo.



sábado, 11 de outubro de 2014

A Ilha do Dr. Moreau - H. G. Wells



Então alguma coisa aconteceu. Até hoje não sei o que foi. Ouvi um grito agudo às minhas costas, um baque, e, virando-me, vi um rosto horrendo que se precipitava sobre mim, e que não era humano, não era animal, mas uma coisa castanha, demoníaca, coberta de cicatrizes rubras que se ramificavam cheias de gotas vermelhas, e olhos sem pálpebras que pareciam fulgurar. p.113

WELLS, H. G. A Ilha do Dr. Moreau. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012. Versão digital. Formato epub. Título Original: The Island of Doctor Moreau. 154p.

Dando continuidade ao mês de Halloween, hoje a resenha é sobre A Ilha do Dr. Moreau, um livro de ficção científica e terror publicado em 1896. 

Após sobreviver a um naufrágio, Charles Prendick é resgatado por um navio e obrigado a desembarcar em uma ilha. Lá ele conhece o Dr. Moreau, um cientista que  fora exilado da Inglaterra após fazer experiências polêmicas. Inicialmente Prendick não entende bem o que acontece na ilha e que trabalho o cientista faz lá, mas aos poucos observa que as pessoas que vivem na ilha, são na verdade estranhas criaturas.

Prendick deseja ir embora da ilha, porém, debilitado, é obrigado a passar um bom tempo lá e se aproxima das criaturas. Cada vez mais envolvido com o que acontece na ilha,  Prendick entende e se horroriza com as experiências do Dr. Moreau que envolvem animais selvagens e o uso de muita crueldade. Moreau mantém suas criaturas em rédea curta através de um sistema de regras quase religiosas criadas por ele. As criaturas dessa forma o respeitam e o temem também. A partir daí a trama se desenvolve rapidamente em um clima de mistério e terror.

O livro levanta diversas reflexões: O que é ser humano e o que nos distingue dos animais irracionais? Qual o limite entre a sanidade e a loucura? Quais os limites éticos da ciência? A ciência e a busca pelo conhecimento podem justificar o uso da crueldade aos animais? Além de denunciar como a nossa sociedade é marcada pelo egoismo, a exploração dos mais fracos e a busca pelo poder, etc.


A história é narrada em primeira pessoa através de uma carta em que Prendick relata a sua experiência na ilha, onze meses após sair de lá. A Ilha do Dr. Moreau traz um personagem comum em histórias de ficção científica e terror: o cientista louco. É um livro muito bem escrito cuja temática é ainda muito atual. A forma como as experiências foram feitas na história parecem inverossímeis (se tivesse sido escrito nos dias de hoje, as experiências seriam genéticas e não através de vivissecção, e a história seria mais crível). Nesse aspecto, o livro é ultrapassado. Porém isso não diminui a genialidade de Wells e a profundidade dos questionamentos suscitados pelo livro. Recomendo a leitura!

Avaliação: ★★★★

Até mais.
Beijos e boas leituras. :**



quarta-feira, 30 de julho de 2014

Gone: O Mundo Termina Aqui - Michael Grant



Assim.
Sumiu.
Sem nenhum "puf". Sem clarão de luz. Sem explosão. p.11

GRANT, Michael. Gone: o mundo termina aqui. Rio de Janeiro: Galera Record, 2010. Título original: Gone.

Gone: O Mundo Termina Aqui é o primeiro volume da série Gone de Michael Grant. Um dia, sem nenhuma explicação, todo os habitantes de Praia Perdida na Califórnia com mais de 14 anos desapareceram. Simplesmente sumiram de repente. Alguns estavam trabalhando, outros dormindo, estudando, dirigindo, brincando. Sumiram como num passe de mágica. Sobraram apenas as crianças. Além disso, um muro surgiu em torno da cidade centrada numa Usina Nuclear e coisas estranhas começaram a acontecer: algumas das crianças  se deram conta que tinham poderes e animais sofreram mutações. Ninguém sabe por que tudo isso está acontecendo nem para onde foram parar os desaparecidos. Enquanto tentam desvendar esses mistérios, as crianças também têm que lutar para sobreviver.

Sam chama essa nova realidade em que vivem de LGAR (lugar da galera radiotaiva). Sam descobriu que tem o poder de lançar uma luz que queima pelas mãos. Ele, sua amiga Astrid, Jack Computador e mais alguns amigos tentam investigar o mistério procurando pistas nas coisas dos seus pais. Eles também tentam organizar as crianças para sobreviver distribuindo tarefas e mantendo-os unidos. Porém os valentões da escola para crianças difíceis, Academia Coates, Cain e Drake, não gostam nada disso e querem tomar o poder.

Brigas, lutas, muita ação, desespero, fome, crueldade sede de poder são algumas passam a fazer parte da vida dessas crianças. Elas têm que crescer e mudar para sobreviver e isso não parece nada fácil. E ainda existe uma outra grande preocupação: desde o momento do desaparecimento, outras crianças que tinham 13 anos desapareceram no momento em que completaram 14 anos. Então todos temem pelo próprio aniversário. Ninguém sabe o que os espera do outro lado.

A história é contada na terceira pessoa por um narrador onisciente. Achei a premissa do livro fascinante. Assim que li a sinopse fiquei louca pra ler, apesar de ter demorado muito para fazê-lo. Comprei os três primeiros volumes e depois o quarto de tão empolgada que fiquei. Mas, infelizmente o livro não funcionou para mim. A ideia foi mal aproveitada. Achei a história confusa, muito enrolada e mal explicada. Algumas coisas não fizeram o menor sentido e pareceram forçadas. Também não gostei dessa mistura de ficção científica com fantasia. Pelo menos nessa história não combinou. Deu a impressão que o autor se perdeu. Demorei dois meses para concluir a leitura. Vou ler o segundo volume, afinal eu já tenho aqui e torcer para que a história melhore daqui para frente. Talvez eu tenha me decepcionado porque esperava demais do livro. Mas a premissa é incrível e algumas coisas são bem divertidas. Alguns personagens são muito cativantes e há muita ação do começo ao fim e mistérios para serem desvendados. Por isso eu quero saber a conclusão da história. A série tem seis livros e espero que o segundo seja muito bom mesmo, porque só assim darei continuidade. Se você gosta de ação, aventura e mistério pode gostar.

Avaliação: ★★★

Até mais. 
Beijos e boas leitura. :**




sexta-feira, 25 de julho de 2014

Queda de Gigantes - Ken Follett


"Malheur la guerre", diziam. "Pour nous, pour vous, pour toute le monde." 
"A guerra é uma tragédia - para nós, para vocês, para todo o mundo." p.726


FOLLET, Ken. Queda de Gigantes. Rio de Janeiro: Sextante, 2010. Título original: Fall of giants. 911p.

Queda de Gigantes é o primeiro volume da Trilogia O Século. Neste primeiro volume acompanhamos cinco famílias de diferentes países durante a I Guerra Mundial. O segundo volume, O Inverno do Mundo, acompanha essas famílias durante a II Guerra e o terceiro volume, A Eternidade por um fio, se passa na Guerra Fria.

Em Queda de Gigantes conhecemos famílias inglesas, galesas, alemãs, russas e americanas. Enquanto a Guerra se aproxima e depois enquanto se desenrola, acompanhamos a vida de muitos personagens e o envolvimentos deles na guerra e na política e também seus dramas pessoais. Não vou escrever sobre todos eles porque são muitos e a resenha ficaria muito grande, mas vou destacar alguns mais importantes.

Ethel Williams, uma galesa que trabalha como governanta na mansão Ty Gwyn se envolve com o patrão, o Conde Fitzherbert que é casado com uma princesa Russa, Bea. Quando o relacionamento termina, Ethel tem que deixar a mansão e vai para Londres. Ela se torna amiga da irmã do conde Maud Fitzherbert, uma mulher jovem a frente de seu tempo, que, apesar de ser uma aristocrata, luta pelos direitos dos trabalhadores e principalmente pelo direito das mulheres ao voto. Ethel acaba totalmente envolvida na política também. O irmão de Ethel, William Williams, o Billy Duplo é minerador e por ocasião da Guerra, se alista e vai lutar pela Grã Bretanha assim como outros mineradores. Maud tem um romance secreto com Walter von Ulrich, um alemão adido militar na embaixada alemã em Londres. O americano Gus Dewar que trabalha na Casa Branca como assessor do presidente conhece e protege o romance dos dois. Gus não tem muita sorte com as mulheres, mas tem uma carreira promissora.

Na Rússia, Grigori e Lev Peshkov são jovens irmãos órfãos que trabalham em uma metalúrgica. Lev é o mais novo e irresponsável dos irmãos. Grigori sonha em sair do país e ir morar nos EUA e para isso junta dinheiro para a passagem. Quando Lev comete um crime, ele pega o passaporte e o dinheiro do irmão e toma o navio no lugar dele atrás da família Vyalov que vive em Buffalo nos EUA. Grigori  assume a gravidez da namorada do irmão, com quem se casa e fica em Petrogrado onde a Revolução Socialista estava prestes a acontecer.

Todas essas famílias acabam ligadas de uma forma ou de outra e têm envolvimento na I Guerra e na Revolução Russa. A narração é em terceira pessoa alternando os pontos de vistas de alguns personagens. Os personagens são envolventes e muito bem construídos. O livro é uma verdadeira aula de História. Ken Follet, que é jornalista, explica ao final do livro que só descreveu fatos históricos que realmente aconteceram e quando envolveu personagens históricos e fictícios criou situações que poderiam ter acontecido, como a visita do Rei às casas dos mineradores. Conhecemos os motivos políticos e econômicos que desencadearam esses grandes eventos, as conspirações, o dia a dia do povo, os perigos nas minas de carvão, a luta pelo sufrágio feminino, as batalhas e estratégias militares durante as guerras. 

O livro é extenso. São 900 páginas recheadas de acontecimentos históricos importantes e dramas pessoais fictícios. Algumas passagens, especialmente nas trincheiras, me cansaram. Além disso eu me envolvi muito mais com alguns personagens que com outros, então eu sentia falta da história dos meus preferidos quando os capítulos enfocavam outras famílias. Acho que por isso não consegui ler o livro de uma vez. Revezei com mais outros cinco livros e demorei mais de dois meses para concluir a leitura. Ainda assim, foi uma leitura prazerosa, interessante e enriquecedora. Vale muito a pena. No início do livro há uma relação de todos os personagens o que é muito importante para o leitor não se perder e no final podemos ler um trecho do segundo volume da série que acompanha as mesmas famílias 20 anos depois. Fiquei com uma vontade enorme de emendar a leitura do segundo, mas decidi dar um tempo. Recomendo!

Avaliação: ★★★★ 

Até mais. Beijos e boas leitura. :**



segunda-feira, 14 de julho de 2014

The 100: Os Escolhidos - Kass Morgan + [Série de TV] The 100



Bellamy não sabia por que os antigos humanos se davam o trabalho de consumir drogas. Qual era o sentido de injetar alguma porcaria nas veias se um passeio na floresta tinha o mesmo efeito? Algo acontecia toda vez que ele cruzava a linha das árvores. Enquanto se afastava do acampamento à luz do sol da manhã, partindo em mais uma expedição de caça, ele começou a respirar fundo. Seu coração tinha batidas fortes, lentas e constantes, e suas pernas marchavam no ritmo de um pulso no chão. Era como se alguém tivesse invadido seu cérebro e aumentado a intensidade de seus sentidos até uma configuração que Bellamy não sabia que existia. p.134.

MORGAN, Kass. The 100. Rio de Janeiro: Galera Record, 2014. 288p.

The 100: Os Escolhidos é o primeiro volume da série de ficção científica distópica The 100. A história se passa em um futuro distante quando a terra foi destruída por guerras nucleares e a humanidade teve que deixa-la e passou a viver em naves no espaço. Existem 3 naves na colônia espacial: Walden, Arcadia e Phoenix. Em Phoenix vive a elite da sociedade enquanto nas outras duas naves vivem os trabalhadores. Em Phoenix não existe racionamento de água nem de energia, enquanto na outras naves tudo é racionado. Os crimes na Colônia são punidos com a morte porque é preciso controlar o crescimento populacional. A quantidade de filhos que cada casal pode ter é restringida a apenas 1 e a desobediência a essa regra também é punida com a morte. Os menores de idade que cometem infrações são confinados e julgados assim que completam 18 anos. E sempre são considerados culpados e executados.

Pensando em uma possível volta à terra, o Chanceler Jaha envia 100 menores de idade para a Terra com o intuito de saber se os níveis de radiação no planeta já estão toleráveis para a sobrevivência humana. Dentre esse 100 estão seu próprio filho Wells, Clarke e Octavia. Bellamy, apesar de ter 20 anos, deu um jeito de entrar no último minuto na nave e poder ir à Terra. Essa missão poderá ser uma segunda chance para esse jovens ou uma missão suicida.

A narração é em terceira pessoa através dos pontos de vista de Clarke, Wells, Bellamy e Glass. Cada capítulo tem o ponto de vista de um desses personagens e, além de narrar o que acontece com eles na Terra após a aterrissagem, também tem flasbacks que contam o que aconteceu com eles na Colônia para que eles fossem confinados. Através desses flasbacks conhecemos melhor os personagens, suas motivações e personalidades.

Clarke é filha de uma médica e um cientista que foram executados por cometer crimes depois que seu namorado Wells os delatou ao Chanceler Jaha, seu pai. Wells cometeu um crime para poder estar com Clarke na nave que a levaria à terra mas a namorada nunca o perdoou pelo que ele fez aos seus pais. Bellamy atirou no Chanceller e pulou na nave antes da partida para que pudesse proteger a irmã Octavia que também seria enviada à Terra. Glass fugiu do confinamento antes da partida da nave para poder encontrar seu namorado Luke e continuou na Colônia.

Na aterrissagem, alguns dos 100 morreram, outros ficaram gravemente feridos, como a melhor amiga de Clarke, Thalia. A história mostra a dificuldade de sobreviver sem tecnologia e o sentimento de encantamento pela natureza, a chuva, os animais e a água pura em abundância. Possibilita a discussão sobre a importância de se preservar a natureza ao mostrar a destruição causada pelo homem. Também mostra um mundo distópico, autoritário e com desigualdades sociais. Achei que podiam ter dado menos importância ao romance, principalmente no núcleo de Glass, que aliás eu achei bem dispensável. A linguagem é fluida, fácil de ler e os personagens são bem construídos. Gostei muito do livro e estou ansiosa pela sequência. Ah, uma observação: a revisão do livro está bem ruim. Encontrei muitos erros. É muito chato quando isso acontece porque desvia da leitura. Espero que a editora tenha mais cuidado no próximo livro.

Avaliação: ★★★


Sobre a série The 100:


Na série, exibida pelo canal CW, a essência da história se manteve, assim como o nome dos personagens, mas as histórias deles são diferentes. Muitos personagens foram misturados ou fundidos em um só e outros desapareceram, como por exemplo Glass (o que particularmente eu achei bom).


Na série os protagonistas são Clarke, Bellamy, Octavia e Finn (que terá um envolvimento amoroso com Clarke). Wells é um personagem menor e não é ex-namorado de Clarke. É seu melhor amigo. A história dos pais de Clarke também é diferente e somente o pai dela morreu. Sua mãe é médica e faz parte do conselho da Colônia ao lado do Chanceler Jaha, pai de Wells. Achei essa parte da história mais forte e melhor contada no livro. Não havia necessidade de mudar tanto. A série avança um pouco a história e o que aparece no final do primeiro livro já é melhor explicado na série. Talvez eles já tenham usado o segundo livro, ou simplesmente inventado. Não sei.



Estou gostando da série principalmente por causa da luta pela sobrevivência, as discussões sobre como construir uma sociedade, novas leis, ética e conceitos morais. Na série Clarke e Bellamy são líderes da pequena comunidade, embora tenham visões bem diferentes sobre como comandar. Acho que a série tem grande possibilidade de crescer. A série também explora mais a vida na Colônia, os personagens adultos e suas difíceis decisões. Vale a pena assistir.

Até mais.
Beijos e boas leituras. :**


quinta-feira, 3 de julho de 2014

O Segredo do Meu Marido - Liane Moriarty



MORIARTY, Liane. O Segredo do meu marido. Rio de Janeiro: Editora Intriseca, 2014. Edição Digital: 2014. Título original: The Husband's secret.  359p.

Nenhum de nós conhece todos os possíveis cursos que nossas vidas poderiam ter tomado. E provavelmente é melhor assim. Alguns segredos devem ficar guardados para sempre. Pergunte a Pandora. p. 356


O segredo do meu marido gira em torno de três personagens centrais. São três mulheres que se conhecem, não são amigas, mas, por causa de alguns acontecimentos, têm suas vidas interligadas. 

A primeira é Cecília, casada, muito feliz no casamento, mãe de três filhas lindas e saudáveis que um certo dia encontra uma carta escrita por seu marido com um aviso no envelope: abra somente na ocasião da minha morte. Cecília passa por um dilema moral para se decidir se abre ou não a carta. 

A segunda personagem é Rachel, uma mulher idosa cuja filha morrera assassinada 30 anos atrás e que até os dias atuais ainda vive em função do sofrimento e da agonia de não entender o que aconteceu à filha. 

A terceira personagem é Tess, uma mulher casada e mãe de um filho, cujo marido anuncia que está apaixonado pela prima e melhor amiga da esposa.

Além das personagens principais, outros dão vida à trama. O marido e as filhas de Cecília, as mães dos alunos da escola, as amigas de Cecília, o marido, a prima, o filho e a mãe de Tess, o filho, a nora e o neto de Rachel, o professor de educação física da escola. Através dos personagens coadjuvantes, constrói-se um elo entre as personagens principais.

O mais interessante no livro é a forma como as personalidades dos personagens são construídas e fundamentadas nos acontecimentos passados e presentes na vida deles. Há um mistério, mas este é solucionado na metade do livro. Depois disso existe um suspense sobre o que vai acontecer a seguir, a partir dos sentimentos dos personagens. É um drama e um thriller psicológico. A tensão está dentro da mente dos personagens e a trama é muito bem feita.

A narração é em terceira pessoa e alterna o ponto de vista de cada uma das três personagens principais de maneira muito intensa e envolvente. Não gostei tanto do núcleo da Tess porque achei que ele não foi tão importante para a trama principal, mas isso não atrapalhou a leitura. Não esperem por um livro de mistério porque este é muito óbvio. Eu mesma descobri antes de começar a leitura, só pela sinopse. O melhor do livro é a forma como os acontecimentos se desenrolam, como os personagens se encontram e como eles resolvem seus conflitos internos. Gostei e recomendo!

Avaliação: ★★★

Até mais. Beijos e boas leitura. :**



domingo, 22 de junho de 2014

Os Homens que Não Amavam as Mulheres - Stieg Larsson


"Na Suécia, 18% das mulheres foram ameaçadas por um homem pelo menos uma vez na vida." p.15


LARSSON, Stieg. Os homens que não amavam as mulheres. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. Título original: Män som hatar kvinnor. 528 p.

Os Homens que Não Amavam as Mulheres é um triller polocial e o primeiro volume da trilogia Millennium que tem como protagonistas o jornalista e editor chefe da revista Millennium, Mikael Blonkvist e a hacker Lisbeth Salander.

Mikael Blonkvist foi condenado a três meses de prisão por difamação depois que publicou uma reportagem em que acusava Wennerström de crimes financeiros, mas sem ter provas disso. A revista Millennium entrou em crise porque perdeu a credibilidade junto aos seus patrocinadores. Mikael, junto com sua sócia Erika com quem tem um caso, decide então se afastar da revista por um tempo. Justamente nesse momento, Mikael recebe uma proposta inusitada de um empresário sócio de um grande grupo empresarial, Henrik Vander. Ele oferece a Mikael uma grande quantia para que ele faça um trabalho para ele que deve permanecer em sigilo. Para todos os efeitos ele escreverá uma biografia da família Vanger, mas por trás disso ele deverá investigar o desaparecimento da sobrinha de Henrik, Harriet Vanger, há 40 anos. Harriet desapareceu sem deixar vestígios e em 40 anos, ninguém conseguiu chegar perto de solucionar o caso. Além do dinheiro, Henrik Vanger oferece a Mikael, provas que podem incriminar Werneström.

Lisbeth Salander é uma jovem hacker, inteligente, punk, cheia de atitude e muito talentosa que faz trabalhos como freelancer para a empresa de Dragan Armanskij. Entre outros trabalhos, Lisbeth investiga Mikael Blomkvist a pedido do advogado de Henrik Vanger, Dirch Frode.

Mikael aceita o trabalho e se muda para uma cabana ao lado da casa de Henrik Vanger. Depois de conhecer quase toda a família Vanger que vive na ilha onde onde Herriet desapareceu  e de analisar fotos do dia do desaparecimento, Mikael consegue encontrar evidências de que algo muito sinistro está relacionado ao desaparecimento de Harriet. 

É aí que Lisbeth se junta a Mikael na investigação e os dois se envolvem em uma trama perigosa e macabra. Os dois tornam-se amigos. Por razões muito pessoais Lisbeth se sente muito envolvida na investigação. Mikael se sente instigado e torna a missão um desafio pessoal. 

Os acontecimentos não deixam o leitor tirar os olhos do livro. Confesso que no início me entediei. As primeiras 150 páginas foram massantes. Porém, daí em diante, a história ganhou ritmo e ficou cada vez mais interessante. Demorei mais de uma semana para ler a primeira metade do livro (em parte porque estou lendo outros 5 livros rsrs), mas li a segunda metade em dois dias. Incrível, forte, intenso, chocante, brutal são os adjetivos que melhor descrevem essa história. Os personagens são muito bem construídos. Conhecemo-nos aos poucos através de acontecimentos no próprio presente que mostram como eles agem, sentem, vivem, reagem às mais diversas provações. Lisbeth Salander é incrível! Ela sofre muito, mas não abaixa a cabeça. É uma lutadora.

A Narração é em terceira pessoa com um narrador onisciente. A linguagem é fluida, embora as primeiras páginas contenham muitos termos técnicos. Mas depois isso muda e a leitura flui facilmente. Uma curiosidade, o título orginal em sueco significa "Os homens que odeiam as mulheres". Título muito melhor, diga-se de passagem. Recomendo muito! Leiam!

Avaliação: ★★★★ 

Assisti às duas adaptações do livro para o cinema e gostei muito das duas. Uma sueca e outra americana. Vale a pena assistir aos dois filmes.









Até mais. 
Beijos e boas leituras. :**


terça-feira, 13 de maio de 2014

[HQ] Persépolis - Marjane Satrapi


"Naquele dia aprendi uma coisa fundamental: só podemos ter dó de nós mesmos quando ainda é possível suportar a infelicidade...
...Quando ultrapassamos esse limite, o único jeito de suportar o insuportável, é rir dele."


SATRAPI, Marjane. Persépolis. São paulo: Companhia das Letras, 2007. Título original: Persepolis

Persépolis é uma história em quadrinhos autobiográfica que relata a vida da autora desde os 10 anos em Teerã, capital do Irã. Nessa época, fim da década de 70, o Irã viveu a revolução islâmica que mudou completamente a vida dos iranianos.

Marjane veio de uma família influente, politizada e de esquerda. Seu bisavô foi um imperador iraniano e seu avô foi preso por ser comunista assim como seu tio. Quando criança ela sonhava em ser profeta, mas conforme se interessava por política e pelo ocidente, seus desejos mudaram. Gostava de bandas de Punk Rock e de se vestir com roupas ocidentais. Dava valor à liberdade do ocidente. Tinha uma relação muito forte com os pais, mas também com a avó e o tio que havia sido preso. Na guerra, Marjane viu amigos e parentes serem presos e torturados e também viu pessoas próximas morrerem.

Com a revolução islâmica, Marjane que sempre estudara em uma escola francesa e laica, foi obrigada a estudar numa escola só para meninas, com um rígido código de comportamento e obrigada a usar o véu. Marjane não aceitava a forma como as pessoas eram tratadas pelo regime fundamentalista islâmico, especialmente as mulheres que não tinham os mesmos direitos que os homens, eram obrigadas a se comportar de acordo com leis rigorosas e extremamente machistas. Mas seu espírito livre logo deixou claro para seus pais que ela não se adaptaria àquele regime.

Aos 13 anos foi mandada para estudar na Europa, mais precisamente na Áustria. Passou um tempo com a amiga de sua mãe, mas não se adaptou. Morou em pensões e com outros amigos, viveu a liberdade que passou a ter ao extremo, passou dificuldades, envolveu-se com pessoas interessantes e outras nem tanto, mas também ficou muito perdida porque não se sentia mais totalmente iraniana, mas não era aceita como ocidental. Voltou para o Irã onde tentou reconciliar-se com sua origem. Estudou Belas Artes e viveu mais um capítulo da sua história admirável.

Enquanto acompanhamos o seu desenvolvimento, amadurecimento e experiências, também conhecemos a história do Irã e da Pérsia com todos os seus conflitos e guerras. Persépolis é original, intenso, inteligente, divertido e emocionante. É um romance autobiográfico sobre transformações políticas e internas, revolta, liberdade, religião, crescimento e amor. É uma das melhores coisas que eu já li e certamente a melhor leitura de 2014 até agora. A autora escreveu essa HQ em francês para contar aos amigos a sua história de vida. As ilustrações em preto e branco, feitas pela própria autora, são simples, divertidas e transmitem a visão de Marjane em diversas fases da sua vida. Leiam hoje! Vale a pena! Ri e chorei  e não consegui parar de ler até chegar ao fim.

Não sei se foi defeito na minha edição, mas as páginas não vieram numeradas, então não sei quantas páginas tem o livro. A minha edição é a completa, mas a história foi escrita originalmente em 3 volumes.

Avaliação: ★★★ 


Em 2007 foi feita uma adaptação para o cinema, em animação, dirigida por Vincent Paronnaud e pela própria autora. Ainda não assisti, mas assim que o fizer, atualizo o post.



Até mais. 
Beijos e boas leituras. :**



sábado, 10 de maio de 2014

A Esperança - Suzanne Collins



Mais uma força a ser enfrentada,. Mais um jogador poderoso que decidiu me usar como uma peça em seus jogos, embora as coisas jamais pareçam seguir de acordo com o plano. p.70

COLLINS, Suzanne. A Esperança. Rio de Janeiro: Rocco Jovens Leitores, 2011. Título original: The Mockingjay. 424p.

A Esperança é o terceiro volume da Trilogia Jogos Vorazes. Depois de descobrir que o Distrito 12 não existia mais e que o Distito 13 sobrevivera ocultamente para resistir à Capital, Katniss se vê ainda mais envolvida na rebelião. Ela se engaja na luta principalmente para proteger Peeta que ainda está nas mãos da Capital. Katniss continua sendo aquela menina forte e determinada e agora com mais garra porque tem muitos motivos fortes para isso.

Katniss tem que correr contra o tempo para salvar o amor da sua vida, proteger os que ama e para isso corre perigos ainda maiores que nos dois primeiros livros. Tem também que aceitar ser usada como simbolo da revolução para conseguir o apoio dos rebeldes e sofre muito, muito ao longo do livro.

Eu gostei bastante do desfecho da história, embora ainda tenha sentido falta de que Katniss tivesse se envolvido na luta por engajamento na revolução e não somente por motivos pessoais. Mais uma vez ela se tornou um joguete nas mãos de outras pessoas. Mas desta vez, em vez de estar nas mãos da Capital, ela tornou-se uma peça no jogo da rebelião. Essa parte da história foi muito bem trabalhada porque mostra bem como, na política, mesmo entre aqueles que têm as melhores intenções, ainda há corrupção e jogo de interesses. Também fiquei com raiva dela por causa de algumas decisões, mas admiro sua coragem e força. Apesar de ter esperado mais dela, Katniss ainda é uma das minhas personagens preferidas da literatura. Ela têm suas falhas como todo ser humano e foi psicologicamente muito bem construída.

A narrativa é em primeira pessoa, na voz de Katniss, o que, por um lado aproxima o leitor da trama e da personagem, mas por outro limita o ponto de vista da história. Nos dois primeiros livros eu senti falta do olhar de outros personagens sobre os acontecimentos e me incomodei com a a imaturidade do narrador-personagem. Mas em A Esperança não me incomodei. Katniss amadureceu muito ao longo da trama e a autora soube transmitir esse amadurecimento para a narrativa. Achei o final da série ótimo embora triste, imperfeito e dolorosamente emocionante. Preparem os lenços porque as lágrimas são inevitáveis. Recomendo muitíssimo a Trilogia Jogos Vorazes para todos pela história intensa, forte, com um enredo político bem construído e bem escrito e pelos personagens cativantes, um romance (sem melação) e ação na medida.

Avaliação: ★★★★★ 


Até mais. 
Beijos e boas leituras. :**

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Academia de Vampiros: O Beijo das Sombras - Richelle Mead


O ódio e a raiva ferviam dentro dela. E eu os sentia através do laço. Os sentimentos eram tempestuosos e me deixavam morta de medo. Havia ainda uma inconstância, uma instabilidade, indicando que Lissa não sabia o que fazer, mas que sentia uma ânsia desesperada de fazer algo. p.231

MEAD, Richelle. O Beijo das Sombras. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009. Título original: Vampire Academy. 320p.

O Beijo das Sombras é o primeiro volume da série Academia de Vampiros. Na série existem três espécies de vampiros. O Moroi são vampiros originais e vivos que nascem vampiros. Eles têm poderes mágicos e sentidos aguçados, mas não podem ficar muito tempo expostos ao sol, não são muito fortes e são mortais. Os Dhampiros também nascem vampiros, são híbridos de humanos e Moroi. Eles são muito fortes e ágeis, mas não possuem habilidades mágicas. Mas podem ficar no Sol sem problemas. Os Strigoi são aqueles vampiros assustadores que conhecemos, mortos-vivos, aterrorizantes, podem se transformar em animais e são imortais (a não ser que uma estaca de prata atravesse seu coração, que sejam decapitados ou queimados com fogo). Humanos, Dhampiros e Moroi podem se transformar em Strigoi se forem mordidos e tomarem o sangue de um Strigoi. Morois também podem se transformar em Strigoi se matarem a sua vítima enquanto se alimentam de seu sangue. Então eles perdem seus poderes mágicos e se tornam mortos vivos. Dhampiros trabalham como guardiões de Morois de famílias nobres protegendo-os dos perigos. 

Rose é uma Dhampira. Sua melhor amiga, Lissa Dragomir, é uma Moroi de família nobre. A última de sua família, já que todos os outros foram mortos. Rose é a guardiã dela. Elas estudavam na Academia de Vampiros, mas temendo pela sua segurança, elas fogem da escola e passam um ano foragidas. Nesse tempo, Rose alimentou Lissa com seu sangue o que é proibido pelas leis de Morois e Dhampiros. Além disso elas desenvolveram um laço que faz com que Rose sinta tudo o que Lissa sente. Quando encontradas, as duas são obrigadas a voltar à escola.

Além das aulas comuns a todos, os Dhampiros têm aula de defesa pessoal, luta, artes marciais etc, enquanto os Moroi têm aulas de magia. O treinador de Rose, Dimitri, é um vampiro forte, alto e sedutor e ela se encanta imediatamente por ele. A química entre eles é forte, mas eles reprimem seus sentimentos por causa da diferença de idade e por causa de seus deveres como guardiões.

Lissa é uma menina insegura e sofre por não ser bem recebida pelos colegas, ainda mais depois que boatos sobre sua relação com Rose começam a circular. Ela então usa seus poderes mágicos para compelir seus colegas a gostarem dela. Mas ela precisa ter cuidado porque a magia vicia. Lissa começa a sofrer ameaças e Rose percebe que sua amiga corre grande perigo e fará qualquer coisa para protegê-la. O final deixa o leitor desejando uma continuação. 

A história é divertida, cheia de ação, mistério e romance. Os personagens são ótimos, especialmente Rose que é sarcástica e solta tiradas muito engraçadas. O romance entre ela e Dimitri é muito convincente. Eles tem uma química irresistível. A escrita é fluida e fácil, bem apropriada para o público jovem e a narração é em primeira pessoa pela voz de Rose. Gostei bastante do livro e recomendo a leitura para quem curte romances sobrenaturais! Ótimo entretenimento!

Assisti à adptação para o cinema primeiro e gostei. Achei que faltou clima em vários momentos, mas gostei dos atores escolhidos e a produção está impecável. Uma pena que não tenha feito sucesso. Provavelmente não haverá uma continuação.

Avaliação: ★★★


Até mais.

Beijos e boas leituras. :**


Série de TV - Raised by Wolves

Terminei de assistir ontem à nova série original HBO Max. Já vou começar dizendo que recomendo para quem gostou de Battlestar Ga...