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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A Rainha Branca - Philippa Gregory


GREGORY, Philippa. A Rainha Branca. Rio de Janeiro: Editora Record, 2012. 434p. Título original: The White Queen.

"Ela é Melusina, a deusa da água, e é encontrada em fontes e quedas d'água escondidas em todas as florestas da cristandade, até mesmo naquelas tão distantes quanto a da Grécia. Ela também se banha nas fontes mouras. Nos países do norte, onde a superfície dos lagos é coberta por uma camada de gelo que se fende quando ela se ergue, é conhecida por outro nome. Um homem pode amá-la, se guardar seu segredo e deixá-la sozinha quando ela quiser se banhar, ela pode retribuir o seu amor até ele quebrar sua promessa, como homens sempre fazem. Ela puxa-o para o fundo, com seu rabo de peixe, e transforma seu sangue desleal em água." p. 9

Estou sem palavras! Philippa Gregory acaba de entrar para a lista dos meus escritores favoritos. Com uma escrita elegante, fluida, muita pesquisa e imaginação ela consegue transformar a história da Inglaterra em romances excelentes, sempre mostrando os bastidores das guerras e conspirações e a participação das mulheres da corte inglesa. Eu que já tinha me impressionado com a sua escrita em "A Princesa Leal"agora sou fã.

A Rainha Branca é o primeiro livro da série Guerra dos Primos que fala sobre a Guerra das Rosas em que membros da famíla Plantageneta (os York -  rosa branca, e os Lancaster - rosa vermelha), lutaram pelo trono da Inglaterra até que a família foi completamente destruída, colocando os Tudor no poder.

Em A Rainha Branca, a história é centrada na rainha Elizabeth Woodwille. Seu marido morreu em batalha defendendo o antigo rei. Após a morte do marido, Elizabeth corre para encontrar o novo rei para pedir que ele garanta a seus filhos a herança a que têm direito. O rei, Edward IV, um York, se apaixona por Elizabeth e eles se casam em segredo numa capela nas terras da família dela. Esse casamento desagrada muitas pessoas, mas ela não desiste de lutar pelo seu marido e por sua família. Enquanto isso, muitos conspiram para tirar Edward do trono. De uma lado, seu primo e conselheiro conde de Warwick que é contra o casamento de Edward com Elizabeth, conspira com o irmão do rei. De outro, Lady Margareth Beaufort acredita que seu filho, Henry Tudor, foi escolhido por Deus para ser  rei da Inglaterra.

A narrativa é em primeira pessoa, contada pela própria Elizabeth, mas a trama não fica restrita ao que  acontece com ela. Elizabeth conta tudo o que sabe e pensa sobre o que está acontecendo no país. Ela era uma mulher ambiciosa, orgulhosa, determinada a ser rainha. Após perder o marido, tornou-se determinada a lutar para que o trono inglês continuasse em sua família. Elizabeth parecia estar mais interessada no trono até mesmo do que na felicidade dos filhos.

Elizabeth Woodwille era descendente de duques da Borgonha que acreditavam ser descendentes da deusa Melusina, deusa da água, metade mulher, metade peixe. De acordo com o que contam as lendas,  suas filhas herdavam o poder de ter visões e praticar magia. Philippa Gregory usa essa crença na história e a torna muito interessante. Sem perder o foco nos acontecimentos reais, essa crença de Elizabeth, sua mãe e suas filhas dá tempero e um toque de magia ao livro, sem cair em clichês.

A trama é sobre uma época instável na Inglaterra, marcada por conspirações, batalhas, muitas mortes e incertezas, e Philippa Gregory conta de forma maravilhosa essa história cheia de ação e reviravoltas, em que tudo acontece muito depressa.

O livro também conta um grande mistério da história da Inglaterra: o desaparecimento dos príncipes da Torre. Até hoje não se sabe o que aconteceu com eles. Seus corpos nunca forma encontrados e nenhuma prova de quem os teria sequestrado apareceu. A autora, então escolheu entre as teorias aquela que achou mais provável para dar uma explicação interessante para o mistério.

Eu estava decidida a ler livros mais leves durante um tempo, mas certamente não conseguirei. Gosto muito de romances históricos. Este livro me prendeu e me envolveu a cada linha. Que venham muitos outros. Não tenho mais o que falar. O livro é excelente! Recomendo para todos que gostam de romances históricos como eu!

Avaliação: ★★★★★ 

Até a próxima.
Beijos. :**

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

A Princesa Leal - Philippa Gregory


GREGORY, Philippa. A Princesa Leal. Rio de Janeiro: Editora Record, 2011. 448p. Título original: The Constant Princess.

Sou uma criança de convicções absolutas. Sei que serei a rainha da Inglaterra porque é a vontade de Deus, e é o que minha mãe ordena. E acredito, assim como acreditam todos em meu mundo, que Deus e minha mãe são, em geral, a mesma mente; e a sua vontade é sempre cumprida. pág.12

A Princesa Leal conta a história da Infanta Catalina de Aragon desde a infância vivendo em acampamentos no deserto e em palácios mouros até ir para a Inglaterra para se casar com o príncipe Arthur e posteriormente se casar com Henry VIII. Desde criança que ela foi criada para ser a Rainha da Inglaterra e essa ideia não saiu de sua mente nunca.

No início do livro achei que seria muito triste, que teria muita pena de Catalina por tudo o que ela viveu, mas descobri uma mulher guerreira, sonhadora, ambiciosa e arrogante que queria a todo custo ser a rainha da Inglaterra, como lhe havia sido prometido desde os seus 3 anos de idade. E foi com uma grande mentira, muita paciência, força de vontade e sorte que ela conseguiu o que desejava. Não teve apoio dos pais que a abandonaram à própria sorte quando perderam as esperanças de que ela fosse se casar com Henry, nem dos pais do noivo que fizeram tudo para dificultar o casamento.

Catalina, que mudou o nome para Catherine, ajudou Henry VIII a combater os escoceses e participou de muitas decisões políticas junto com o marido, mas o casamento não foi um mar de rosas. Teve muitos abortos espontâneos e não conseguiu dar o herdeiro de sexo masculino que o rei tanto desejava. Acabou perdendo o que conquistara: a lealdade de Henry, o casamento e o título de rainha da Inglaterra. Mas teve a filha Mary que, posteriormente, embora por pouco tempo, viria a ser rainha.

Adorei este livro! Aprendi muito sobre a história de Catalina de Aragon e sobre a época em que viveu com todas as rivalidades e reviravoltas políticas entre a Inglaterra, a Espanha e a França; entre Escócia e Inglaterra; e as cruzadas dos espanhóis contra os mouros. Acho incrível como Philippa Gregory usou fatos e personagens reais e criou um romance cheio de emoção e beleza. É preciso muita pesquisa, mas também imaginação para preencher as lacunas da História e criar uma obra de ficção histórica tão bem escrita.

O livro intercala capítulos escritos em terceira pessoa e outros em primeira pela própria Catalina. Fiquei encantada com as descrições da sua vida em Granada, dos palácios e da cultura mouros e do choque cultural que ela vivenciou ao chegar à Inglaterra.
Achei que os últimos anos do seu reinado foram muito corridos no livro e senti falta de ler sobre a perda dos bebês e todo o processo de divórcio. Mas a autora já tinha escrito A Irmã de Ana Bolena que conta essa parte da História. Muito bom! Recomendo muitíssimo!

Avaliação: ★★★★★ 

Beijos. :**

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