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sexta-feira, 25 de julho de 2014

Queda de Gigantes - Ken Follett


"Malheur la guerre", diziam. "Pour nous, pour vous, pour toute le monde." 
"A guerra é uma tragédia - para nós, para vocês, para todo o mundo." p.726


FOLLET, Ken. Queda de Gigantes. Rio de Janeiro: Sextante, 2010. Título original: Fall of giants. 911p.

Queda de Gigantes é o primeiro volume da Trilogia O Século. Neste primeiro volume acompanhamos cinco famílias de diferentes países durante a I Guerra Mundial. O segundo volume, O Inverno do Mundo, acompanha essas famílias durante a II Guerra e o terceiro volume, A Eternidade por um fio, se passa na Guerra Fria.

Em Queda de Gigantes conhecemos famílias inglesas, galesas, alemãs, russas e americanas. Enquanto a Guerra se aproxima e depois enquanto se desenrola, acompanhamos a vida de muitos personagens e o envolvimentos deles na guerra e na política e também seus dramas pessoais. Não vou escrever sobre todos eles porque são muitos e a resenha ficaria muito grande, mas vou destacar alguns mais importantes.

Ethel Williams, uma galesa que trabalha como governanta na mansão Ty Gwyn se envolve com o patrão, o Conde Fitzherbert que é casado com uma princesa Russa, Bea. Quando o relacionamento termina, Ethel tem que deixar a mansão e vai para Londres. Ela se torna amiga da irmã do conde Maud Fitzherbert, uma mulher jovem a frente de seu tempo, que, apesar de ser uma aristocrata, luta pelos direitos dos trabalhadores e principalmente pelo direito das mulheres ao voto. Ethel acaba totalmente envolvida na política também. O irmão de Ethel, William Williams, o Billy Duplo é minerador e por ocasião da Guerra, se alista e vai lutar pela Grã Bretanha assim como outros mineradores. Maud tem um romance secreto com Walter von Ulrich, um alemão adido militar na embaixada alemã em Londres. O americano Gus Dewar que trabalha na Casa Branca como assessor do presidente conhece e protege o romance dos dois. Gus não tem muita sorte com as mulheres, mas tem uma carreira promissora.

Na Rússia, Grigori e Lev Peshkov são jovens irmãos órfãos que trabalham em uma metalúrgica. Lev é o mais novo e irresponsável dos irmãos. Grigori sonha em sair do país e ir morar nos EUA e para isso junta dinheiro para a passagem. Quando Lev comete um crime, ele pega o passaporte e o dinheiro do irmão e toma o navio no lugar dele atrás da família Vyalov que vive em Buffalo nos EUA. Grigori  assume a gravidez da namorada do irmão, com quem se casa e fica em Petrogrado onde a Revolução Socialista estava prestes a acontecer.

Todas essas famílias acabam ligadas de uma forma ou de outra e têm envolvimento na I Guerra e na Revolução Russa. A narração é em terceira pessoa alternando os pontos de vistas de alguns personagens. Os personagens são envolventes e muito bem construídos. O livro é uma verdadeira aula de História. Ken Follet, que é jornalista, explica ao final do livro que só descreveu fatos históricos que realmente aconteceram e quando envolveu personagens históricos e fictícios criou situações que poderiam ter acontecido, como a visita do Rei às casas dos mineradores. Conhecemos os motivos políticos e econômicos que desencadearam esses grandes eventos, as conspirações, o dia a dia do povo, os perigos nas minas de carvão, a luta pelo sufrágio feminino, as batalhas e estratégias militares durante as guerras. 

O livro é extenso. São 900 páginas recheadas de acontecimentos históricos importantes e dramas pessoais fictícios. Algumas passagens, especialmente nas trincheiras, me cansaram. Além disso eu me envolvi muito mais com alguns personagens que com outros, então eu sentia falta da história dos meus preferidos quando os capítulos enfocavam outras famílias. Acho que por isso não consegui ler o livro de uma vez. Revezei com mais outros cinco livros e demorei mais de dois meses para concluir a leitura. Ainda assim, foi uma leitura prazerosa, interessante e enriquecedora. Vale muito a pena. No início do livro há uma relação de todos os personagens o que é muito importante para o leitor não se perder e no final podemos ler um trecho do segundo volume da série que acompanha as mesmas famílias 20 anos depois. Fiquei com uma vontade enorme de emendar a leitura do segundo, mas decidi dar um tempo. Recomendo!

Avaliação: ★★★★ 

Até mais. Beijos e boas leitura. :**



segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A Invenção das Asas - Sue Monk Kidd



KIDD, Sue Monk. A Invenção das asas. São Paulo: Paralela, 2014. Título original: The Invention of Wings. 328p.

Eu estava prestes a cair o sono quando ela falou: "Eu devia ter costurado aquela seda verde dentro da colcha e ela nunca ia descobrir. Não me arrependo de ter roubado, só de terem me pegado".
"Por que você pegou?"
"Porque", ela respondeu, "porque eu podia".
Aquelas palavras grudaram em mim. Mamã não queria o tecido, só queria causar confusão. Ela não podia ser livre e não podia dar na sinhá com uma bengala, mas podia pegar a seda dela. Você se rebela do jeito que pode. p.40

A Invenção das Asas é um romance histórico que se passa no século XIX no sul dos Estados Unidos e conta a história de três meninas - uma escrava e duas irmãs brancas que cresceram juntas. O livro mistura fatos reais e ficção já que as duas irmãs existiram mesmo e quando cresceram tornaram-se as primeiras mulheres abolicionistas e feministas americanas.

O livro mostra os horrores da escravidão e como Sarah, nascida em uma família aristocrata e dona de escravos, cresceu indignada com a escravidão e como se sentia impotente por não poder fazer nada pelos escravos. Principalmente por ser mulher. Sarah influenciou a irmã mais nova, Nina que também lutou pela abolição e para que as mulheres tivessem voz. 

Mas a história é centrada em Sarah e na escrava Encrenca que ela ganhou no aniversário de 11 anos. Encrenca tinha 10. As duas cresceram juntas e mesmo vivendo na mesma casa, faziam parte de mundos totalmente diferentes. Sarah ressentia-se por não ter voz entre os homens e por não poder ter uma profissão. Seu sonho era ser advogada, mas seus planos foram frustrados muito cedo pelo pai e pelos irmãos que a ridicularizaram por sonhar tão alto. Encrenca cresceu ao lado de Sarah e por mais que a amiga tentasse protegê-la, ela não conseguiu escapar da violência e das humilhações por ser negra e escrava.

Sarah queria falar, queria que sua opinião fosse ouvida, mas para uma mulher no século XIX isso era impossível. As mulheres deveriam se casar e cuidar da casa e dos filhos e se não se casassem deveriam cuidar da mãe e das irmãs. Sarah teve que lutar e fazer escolhas difíceis para escrever seu próprio destino, assim como a irmã Nina. Encrenca, como escrava, não podia nem lutar.

A história é contada em primeira pessoa alternando os pontos de vista de Sarah e Encrenca. É um livro lindo, forte que fala de um assunto importante, doloroso e delicado de forma às vezes leve, noutras chocantes. A linguagem muda conforme os pontos de vista. Enquanto Encrenca fala da forma simples com que os escravos falavam, ainda que ela fosse uma escrava letrada, Sarah narra a sua história com uma linguagem mais formal. É interessante também perceber como elas enxergavam a vida e as situação com diferentes olhares. 

"Bens e escravos. As palavras do caderno de couro apareceram na minha cabeça. A gente era como o espelho de moldura dourada e a sela do cavalo. Não pessoas de verdade. Não acreditava nisso, nunca acreditei um dia de minha vida, mas se você escuta os brancos por muito tempo, uma parte triste e derrotada de você começa a acreditar. Todo o orgulho por causa de nosso valor me deixou. Pela primeira vez, senti dor e vergonha por ser quem eu sou." (Encrenca) p.101

A autora fez uma excelente pesquisa e soube descrever com detalhes os costumes e o  pensamento da época e retratar o tratamento dado aos escravos a forma com as mulheres viviam. Apesar de a escravidão ter acabado, a história é, infelizmente, ainda muito atual. O racismo não acabou, os negros continuam sendo na maioria pobres e com dificuldade de mudar a vida que têm. Alguns diálogos do livro, inclusive o trecho que eu transcrevi no início da resenha, falam muito sobre as diferenças sociais e me fizeram pensar em como o mundo, o Brasil inclusive, lida com essas diferenças. Esse trecho especificamente me tocou bastante porque diz muito sobre a atualidade. Livro super recomendado! Maravilhoso! Já é um dos meus favoritos! Leiam!

Avaliação: ★★★★ 

Até a próxima.
Beijos e boas leituras. :**

sábado, 19 de outubro de 2013

[Série de TV] The White Queen (2013)


Ano passado eu li o livro A Rainha Branca de Philippa Gregory e fiquei impressionada com sua escrita e criatividade. Confiram a resenha no link. Amei o livro! Este ano, foi filmada uma adaptação para a TV produzida pelos canais BBC  e Starz. A série é excelente! Os atores são exatamente como eu imaginei e atuam muito bem, os figurinos são maravilhosos e é tudo muito bem ambientado. Acho que a série de TV deixou a história um pouco mais romântica do que no livro. Achei a Elizabeth Woodville do livro mais fria, enquanto na série ela parece mais apaixonada. No entanto, isso não atrapalhou em nada a forma como a história é contada.

A The White Queen, conta a história de Elizabeth Woodwille (Rebecca Ferguson). Seu marido morreu em batalha defendendo o antigo rei. Após a morte do marido, Elizabeth corre para encontrar o novo rei para pedir que ele garanta a seus filhos a herança a que têm direito. O rei, Edward IV (Max Irons), um York, se apaixona por Elizabeth e eles se casam em segredo numa capela nas terras da família dela.
Esse casamento desagrada muitas pessoas, mas ela não desiste de lutar pelo seu marido e por sua família. Enquanto isso muitos conspiram para tirar Edward do trono. De uma lado, seu primo e conselheiro Lord Warwick (James Frain) que é contra o casamento de Edward com Elizabeth, conspira com o irmão do rei. De outro, Lady Margareth Beaufort (Amanda Hale) acredita que seu filho, Henry Tudor, foi escolhido por Deus para ser  rei da Inglaterra.
Romance, conspirações, guerras e magia fazem parte dessa história incrível que mistura fatos históricos e ficção e que foi lindamente adaptada para a TV. Assistam!

Atualização em 20/10/13: Se não quiser saber o que acontece em "A Rainha Vermelha" e em "The Kingmaker's Daugther" (ainda não publicado no Brasil), melhor ler os livros antes da série porque esta mostra também a participação de Margareth Beaufort e Anne Neville na Guerra das Duas Rosas (se bem que sendo histórico, eu não me importo de saber). A ideia inicial da parceria BBC e Starz era fazer minisséries sobre outros livros da série Guerra dos Primos, mas essa ideia foi cancelada.

Ah eu tenho uma nova ídola na História: Margareth Beaufort foi uma mulher muito 'fodona' - estrategista, inteligente, manipuladora! Essa sim soube jogar o jogo do trono. ;)




Até a próxima.
Beijos. :**

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

A Vida em Tons de Cinza - Ruta Sepetys



SEPETYS, Ruta. A vida em tons de cinza. São Paulo: Arqueiro, 2011. 240p. Título Original: Between shades of gray.

- Mas, papai, ouça o que Munch falou.
Ele abaixou o jornal.
Localizei a citação no livro.
- Ele disse: "Do meu corpo apodrecido brotarão flores e estarei nelas e é isso a eternidade." Não é lindo?
Ele sorriu para mim. (p. 217)

A Vida em Tons de Cinza conta a história de uma família lituana que foi deportada da Lituânia para um campo de concentração na Sibéria durante o governo soviético de Stalin pouco antes da Segunda Grande Guerra. A história é contada em primeira pessoa por Lina, uma menina de 15 anos que adora desenhar e usa sua arte para se expressar e para sublimar o sofrimento vivido por ela, sua família e amigos. A narrativa alterna capítulos sobre a vida antes e depois da deportação da família de Lina.

Lina, sua mãe e seu irmão mais novo, Jonas foram retirados de sua casa à força e obrigados a fazer um longa viagem até a Sibéria onde tiveram que viver em um campo de concentração. Seu pai, também deportado, foi separado da família logo no início. Lina, a mãe e o irmão nunca perdem a esperança de encontrar o pai. Mas no campo de concentração convivem com a dor, a fome, os maus tratos, torturas, assassinatos de outros compatriotas. No campo de concentração, Lina também faz amigos e tem experiências riquíssimas. Todos aprendem a cooperar uns com os outros, conviver com as diferenças para juntos darem-se força para sobreviver. Lina aprende a suportar a dor, aprende a roubar e mentir para sobreviver, aprende a amar e a lutar pelos que ama.

É uma história triste, pesada, sofrida. É um livro que dói! Mas é também uma história de esperança de um povo que sofreu, mas que não deixou de acreditar em um futuro melhor.  É um livro para chorar do início ao fim, mas também para se emocionar com a esperança e o amor dessas pessoas. É um romance histórico voltado para um público jovem que conta uma passagem pouco falada da história mundial e também sobre amor e esperança. A linguagem é simples, fluida e a história prende o leitor. É muito emocionante e lindo! A capa é um atrativo à parte. Lindíssima!

Ruta Sapetys, é descendente de lituanos e foi à Lituânia para colher relatos sobre os campos de concentração na Sibéria. A partir desses relatos, ela compôs os personagens do livro. Ao final do livro a autora pede que os leitores estudem mais sobre o que aconteceu com a Lituânia, a Letônia e a Estônia nessa época e sobre as deportações para os campos na Sibéria. Eu fiquei com muita vontade de estudar mais sobre essa parte da História. 

- A pipa sumiu no céu - disse Jonas.
- Exatamente. É isso que acontece quando as pessoas morrem. O espírito delas desaparece no céu azul - disse papai.
- Talvez vovó tenha encontrado a pipa - disse Jonas.
- Talvez - disse papai. (p. 223)

Avaliação: ★★★★ ♥ Amei!!!

Até mais.
Beijos. :**

domingo, 3 de fevereiro de 2013

A Catedral do Mar - Ildefonso Falcones


- Pai, aonde você vai? - gritou quando já o tinha perdido de vista.
- Em busca da liberdade. - respondeu uma mulher que também observava a multidão espalhar-se pelas ruas da cidade. 
- Já somos livres. - atreveu-se Arnau a afirmar.
- Não há liberdade com fome, filho. - sentenciou a mulher.

A Catedral do Mar conta a história de Arnau, desde antes do seu nascimento, no  casamento de seus pais Bernat e Francesca. Seus pais eram servos e Francesca, sua mãe, é estuprada pelo Senhor de Ballera que reinvidica o direito à primeira noite. Francesca engravida, mas rejeita o filho Arnau. O pai, Bernat é quem cuida dele. O Senhor de Ballera leva Francesca para ser ama de leite do seu filho e ela acaba sendo estuprada pelos soldados do castelo e depois torna-se prostituta.


Bernat foge com o filho Arnau para Barcelona em busca da liberdade já que lá quem trabalhar por um ano e um dia, torna-se livre. Bernat consegue a liberdade, mas a vida em Barcelona não é tão fácil. Arnau cresce livre acreditando que sua mãe está morta e  torna-se devoto de Santa Maria desde porque seu pai diz a ele que a Santa Maria é mãe das crianças órfãs. Ele e Joan, menino que conhece nas ruas de Barcelona, tornam-se melhores amigos e passam chamar um ao outro de  irmãos.

Após a morte do pai, Arnau torna-se um bastaix na construção da Catedral do Mar, templo de Santa Maria do Mar. Bastaixos eram carregadores, muito respeitados, que levavam pedras para a construção das igrejas. Arnau apaixona-se por Aledis, mas o pai dela não aprova o casamento e ele acaba se casando com Maria. Mas ainda sente-se atraído por Aledis e essa paixão é incontrolável para os dois. Com medo de ser acusado de infidelidade e ser expulso da associação dos bastaixos, Arnau foge para a guerra e torna-se um soldado. Muita coisa acontece na vida de Arnau a partir daí: reencontros, perdas, decepções, mudança de vida...

***

A Catedral do Mar é um romance histórico com uma trama complexa e emocionante. Os personagens são muito bem trabalhados e cada um deles é cheio de virtudes e defeitos. O livro é muito bem escrito, narrado em terceira pessoa e a História de Barcelona é muito bem contextualizada. É um livro excelente, mas não me conquistou totalmente. Não consegui me apaixonar pelos personagens, especialmente Arnau. Não por ser mal escrito pelo contrário, sua personalidade é muito bem construída, mas ganhou minha antipatia. Achei-o fraco, covarde e manipulável em muitos momentos.

O livro me emocionou especialmente por mostrar a vida dura das mulheres na idade média, mas em alguns momentos fiquei cansada de tanta descrição da História de Barcelona. São páginas e páginas descrevendo as guerras, os conflitos entre as cidades-estado etc. Além disso a linguagem também é cansativa, principalmente quando os personagens usam pronomes pessoais na segunda pessoa do plural. Mesmo achando que teve momentos cansativos, é um livro muito bom que fala sobre fé, força de vontade, amizade, paixão e uma constante luta por uma vida melhor. Leiam!

Avaliação: ★★★★ 

Até a próxima.
Beijo.


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O Filho do Dragão - M. K. Hume




O dever de manter a honra dos bretões é uma responsabilidade que pesa sobre todos os guerreiros. Mas a própria sobrevivência do oeste exige que nossas ações reflitam a glória da nossa causa. (Artorex) p.388

Quando Uther conheceu Ygerne, casada com Gorlois, ele a desejou imediatamente e mandou o marido para uma batalha suicida. Uther casou-se com a viúva e quando ela engravidou, e deu à luz um menino, ele entregou o bebê e ordenou que ele fosse morto. Uther temia que o filho fosse de Gorlois e que se vingasse da morte do pai. Contrariando a ordem do rei, o bispo Lucius entregou o menino, que era na verdade filho de Uther, e o enviou para ser criado por uma família de origem romana na distante Quinta Poppiniddii.

O Filho do Dragão conta a história desse menino, que foi chamado de Artorex e cresceu sem conhecer a sua origem real. Artorex foi criado por Ector, sua esposa Livínia e a criada Frith. Tinha um irmão de criação: Caius que se tornou um homem cruel. Quando Artorex tinha catorze anos, três nobres visitantes apareceram na Quinta Poppinidii: Myrddion Merlinus, Luka, e Llanwith pen Bryn. Ao verem verem o menino eles notaram a semelhança com Uther e incumbiram Ector de dar a Artorex treinamento de um guerreiro.

Artorex treinou durante muito tempo e desenvolveu habilidades para as batalhas. Cresceu, tornou-se um homem forte, honesto e honrado e assumiu a função de intendente da Quinta. Casou-se com a romana Gallia e teve uma filha. Mas os três visitantes voltaram à Quinta Poppinidii e levaram Artorex para Venta Belgarum para ser um guerreiro de Uther Pendragon afastando-o da vida simples que tanto gostava. Artorex tornou-se então um grande guerreiro e ainda sem saber da sua origem, ganhou muitas batalhas contra os saxões. Artorex conquistou o respeito do povo e já era um grande homem antes de se tornar rei, o que aconteceu graças à vontade e influência dos três viajantes.

***
Eu amo as lendas sobre o Rei Arthur! Vira e mexe e eu pego um livro ou filme sobre o assunto. Meu primeiro contato com as lendas arturianas foi com o filme da Disney A Espada Era a Lei. Vi vários filmes, li As Brumas de Avalon que eu adoro e há uns 4 ou 5 anos li As Crônicas de Artur do Bernard Cornwell que é minha paixão. É a melhor versão sobre as lendas na minha opinião.

Quando vi em blogs essa nova série Crônicas do Rei Arthur não pensei duas vezes e comprei o primeiro volume, mesmo achando que dificilmente iria superar a perfeição que é a trilogia de Cornwell. Eu gostei bastante do livro, mas é impossível não compará-lo aos de Cornwell porque as duas versões se propõem a falar sobre um Arthur histórico, distanciado da fantasia dos poemas épicos da idade média, dos livros do T. H. White e das Brumas. Então me desculpem se na resenha eu comparo as duas obras.

***
A história é narrada em terceira pessoa e é muito bem contada, dinâmica, com muita ação, batalhas bem detalhadas, ótimas descrições sobre os costumes da época. Muitos nomes são diferentes no livro como Myrddion Merlinus (Merlin), Ygerne (Igraine) e Artorex, mas este é chamado de Artor  depois (Artor-Rex / Artor Rei). A autora também optou por usar os nomes originais romanos das cidades como Aquae Sulis que é Bath e Venta Belgarum que é Winchester.

A autora, M. K. Hume é historiadora e especialista nas lendas arturianas, então o trabalho de pesquisa da época é excelente, mas senti falta dos excelentes personagens de Cornwell. O Merlin de Cornwell por exemplo é um dos meus personagens favoritos de todos os tempos (por causa dele, escolhi o nome do meu gato). Os personagens de O Filho do Dragão são bons, as personalidades de Artorex, Caius e mais alguns guerreiros são interessantes e bem trabalhadas, mas faltou o humor e a sensibilidade de Cornwell para criar personagens intensos, sarcásticos e apaixonantes. Demorei a gostar dos personagens do livro. Da metade do livro em diante é que começaram a me cativar, inclusive o próprio Artorex. Mas tudo isso é compensado pela história envolvente, ágil, excitante e bem construída!

Da metade em diante a história fica ainda melhor com a aproximação do momento em que Artorex torna-se rei. O fato de ele tornar-se realmente rei foi uma das coisas de que mais gostei no livro,  já que na versão de Cornwell, que eu amo, ele é mostrado como um grande guerreiro que nunca foi rei. O final é extremamente envolvente e emocionante! A versão de Cornwell continua no topo da minha lista, mas O Filho do Dragão é um excelente livro. Já estou louca para ler as continuações. Recomendo! Vale muito a pena!

Avaliação: ★★★★★ 

Até a próxima.
Beijos.



segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

[Cinema] Jodhaa Akbar (2008)



Jodhaa Akbar,


Índia, 2008

213 min

Drama Histórico, Romance

Diretor: Ashutosh Gowariker

Roteiro: Haidar Ali

Elenco: Hrithik Roshan, Aishwarya Rai Bachchan e Sonu Sood







A Índia é a maior produtora de filmes do mundo e eu amo o cinema indiano! Tem de tudo: comédias românticas (sempre musicais com aquelas dancinhas lindas rs), dramas, policiais, suspense etc. Já assisti a vários. Acho tudo tão lindo! Principalmente os cenários e figurinos. Aliás acho os atores todos lindos. E aquelas roupas lindas bordadas a ouro e pedras e montanhas de joias? Um arraso!


Jodhaa Akbar é um drama histórico baseado em fatos reais que se passa no século XVI e conta a história do Imperador Mongol Akbhar (Hrithik Roshane da Princesa Jodhaa (Aishwarya Rai Bachchan), filha do Rei Bhamal do Rajastão. Jodhaa, que é hindu, é obrigada a se casar com Akhbar, muçulmano, para selar uma aliança política entre as duas nações. A princesa fica arrasada por ser usada como peça de um acordo político e ainda mais por ter que se casar com alguém de outra religião. Ela propõe ao imperador duas condições: que ela possa manter sua religião e que seja construído um templo para seus deuses e ele aceita.

Aos poucos os dois vão se conhecendo e acabam se apaixonando, mas têm que enfrentar muitos obstáculos e conspirações  para serem felizes juntos. Além disso o casamento não agradou os muçulmanos e o Imperador teve que conquistar o respeito do seu povo. O filme mostra como são diferentes os costumes deles e como eles têm que se adaptar a essas diferenças. Tudo muito lindo e romântico (suspiros...).

O filme é visualmente maravilhoso - a fotografia, os cenários, figurinos, grandes batalhas, tudo impecável! Os protagonistas são ótimos, lindos e com muita química entre eles. Amei, amei amei! Se tiverem oportunidade de assistir, assistam. É uma superprodução e foi o maior lançamento de um filme indiano nos EUA na época, então não deve ser impossível de achar rs.

Eu baixei em torrent com som original e legenda em inglês. No começo tive que me adaptar porque eles falam muito rápido e, apesar de eu ser fluente em inglês, não leio tão rápido assim rsrs, mas me acostumei logo. O filme é lindo, tem músicas lindas, mas poucos números musicais com dancinhas hehe. Achei os cartazes do filme tão lindos que coloquei vários no post. =)


 



Até a próxima.
Beijos.    

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A Rainha Branca - Philippa Gregory


GREGORY, Philippa. A Rainha Branca. Rio de Janeiro: Editora Record, 2012. 434p. Título original: The White Queen.

"Ela é Melusina, a deusa da água, e é encontrada em fontes e quedas d'água escondidas em todas as florestas da cristandade, até mesmo naquelas tão distantes quanto a da Grécia. Ela também se banha nas fontes mouras. Nos países do norte, onde a superfície dos lagos é coberta por uma camada de gelo que se fende quando ela se ergue, é conhecida por outro nome. Um homem pode amá-la, se guardar seu segredo e deixá-la sozinha quando ela quiser se banhar, ela pode retribuir o seu amor até ele quebrar sua promessa, como homens sempre fazem. Ela puxa-o para o fundo, com seu rabo de peixe, e transforma seu sangue desleal em água." p. 9

Estou sem palavras! Philippa Gregory acaba de entrar para a lista dos meus escritores favoritos. Com uma escrita elegante, fluida, muita pesquisa e imaginação ela consegue transformar a história da Inglaterra em romances excelentes, sempre mostrando os bastidores das guerras e conspirações e a participação das mulheres da corte inglesa. Eu que já tinha me impressionado com a sua escrita em "A Princesa Leal"agora sou fã.

A Rainha Branca é o primeiro livro da série Guerra dos Primos que fala sobre a Guerra das Rosas em que membros da famíla Plantageneta (os York -  rosa branca, e os Lancaster - rosa vermelha), lutaram pelo trono da Inglaterra até que a família foi completamente destruída, colocando os Tudor no poder.

Em A Rainha Branca, a história é centrada na rainha Elizabeth Woodwille. Seu marido morreu em batalha defendendo o antigo rei. Após a morte do marido, Elizabeth corre para encontrar o novo rei para pedir que ele garanta a seus filhos a herança a que têm direito. O rei, Edward IV, um York, se apaixona por Elizabeth e eles se casam em segredo numa capela nas terras da família dela. Esse casamento desagrada muitas pessoas, mas ela não desiste de lutar pelo seu marido e por sua família. Enquanto isso, muitos conspiram para tirar Edward do trono. De uma lado, seu primo e conselheiro conde de Warwick que é contra o casamento de Edward com Elizabeth, conspira com o irmão do rei. De outro, Lady Margareth Beaufort acredita que seu filho, Henry Tudor, foi escolhido por Deus para ser  rei da Inglaterra.

A narrativa é em primeira pessoa, contada pela própria Elizabeth, mas a trama não fica restrita ao que  acontece com ela. Elizabeth conta tudo o que sabe e pensa sobre o que está acontecendo no país. Ela era uma mulher ambiciosa, orgulhosa, determinada a ser rainha. Após perder o marido, tornou-se determinada a lutar para que o trono inglês continuasse em sua família. Elizabeth parecia estar mais interessada no trono até mesmo do que na felicidade dos filhos.

Elizabeth Woodwille era descendente de duques da Borgonha que acreditavam ser descendentes da deusa Melusina, deusa da água, metade mulher, metade peixe. De acordo com o que contam as lendas,  suas filhas herdavam o poder de ter visões e praticar magia. Philippa Gregory usa essa crença na história e a torna muito interessante. Sem perder o foco nos acontecimentos reais, essa crença de Elizabeth, sua mãe e suas filhas dá tempero e um toque de magia ao livro, sem cair em clichês.

A trama é sobre uma época instável na Inglaterra, marcada por conspirações, batalhas, muitas mortes e incertezas, e Philippa Gregory conta de forma maravilhosa essa história cheia de ação e reviravoltas, em que tudo acontece muito depressa.

O livro também conta um grande mistério da história da Inglaterra: o desaparecimento dos príncipes da Torre. Até hoje não se sabe o que aconteceu com eles. Seus corpos nunca forma encontrados e nenhuma prova de quem os teria sequestrado apareceu. A autora, então escolheu entre as teorias aquela que achou mais provável para dar uma explicação interessante para o mistério.

Eu estava decidida a ler livros mais leves durante um tempo, mas certamente não conseguirei. Gosto muito de romances históricos. Este livro me prendeu e me envolveu a cada linha. Que venham muitos outros. Não tenho mais o que falar. O livro é excelente! Recomendo para todos que gostam de romances históricos como eu!

Avaliação: ★★★★★ 

Até a próxima.
Beijos. :**

terça-feira, 9 de outubro de 2012

O Livro Perdido das Bruxas de Salem - Katherine Howe


Este livro é um romance de mistério, histórico e sobrenatural. Confesso que gostei mais enquanto não havia elementos sobrenaturais. Nos dois primeiros terços do livro, a protagonista Connie investiga a história da Nova Inglaterra no século XVII para o seu projeto de doutorado, influenciada pela descoberta de um nome em um papel e uma chave que encontrou na casa da sua avó.

Quando Connie encontra o nome Deliverance Dane escrito em um papel dentro de uma chave que caiu de um livro na casa da sua falecida avó, ela decide investigar quem era essa mulher. Connie descobre que essa mulher era uma das bruxas condenadas em Salem em 1692 e acaba fazendo dessa curiosidade um elemento para seu projeto de doutorado. Nas suas investigações, encontra provas de que Deliverance Dane era mesmo bruxa.

Historiadores se dividem sobre as causas que teriam levado às acusações e condenações. Eles acreditam que aconteceram por motivos pessoais relacionados ao pastor que fez a acusação, ou que as meninas que apontaram as bruxas teriam tido alucinações depois de comer pão mofado ou que elas se sentiram poderosas ao perceber que estavam enganando todos na cidade ou ainda que foi um pretexto para destruir mulheres que viviam de maneira pouco convencional, desafiando as normas da sociedade. 

A autora, Katherine Howe, que é descendente de duas bruxas condenadas em Salem, teve a ideia de imaginar que teriam existido bruxas de verdade naquela época. Elas seriam conhecedoras da Sabedoria Popular, praticantes de magia, que vendiam serviços ocultos, adivinhação, cura com ervas etc. O livro intercala capítulos que se passam em 1991 com a investigação de Connie com outros que se passam no século XVII.

A história me prendeu desde o início, mas quando se tornou sobrenatural, perdeu um pouco a graça. Não que eu não goste de histórias sobrenaturais, pelo contrário, eu gosto, mas a trama voltada para a investigação histórica estava mais interessante. E no final caiu em alguns clichês bem parecidos com os livros do Dan Brown que são bem repetitivos, apesar de criativos. Aliás a escrita dela é idêntica à do Dan Brown. Se eu não soubesse quem era o autor juraria que estava lendo um livro dele. Isso me incomodou um pouco.

É uma leitura divertida. A autora foi criativa, fez uma pesquisa minuciosa, mas a forma de escrever não é muito original, apresenta alguns clichês e um romance morno e totalmente desnecessário vivido pela protagonista. Poderia ter sido melhor, mas pelo entretenimento, dou 4 estrelinhas.

Avaliação: ★★★★

O Dramaturgo americano Arthur Miller escreveu a peça "As Bruxas de Salem" que conta esse episódio da história americana. Uma antepassada da escritora Katherine Howe, Elizabeth Proctor, aparece na peça. Uma curiosidade: Arthur Miller, escreveu a peça na década de 1950, como resposta ao macartismo, período em que pessoas foram perseguidas acusadas de serem comunistas.

A peça foi adaptada para o cinema em 1996. O filme, "As Bruxas de Salem" (The Crucible), dirigido por Nicholas Hytner , conta com excelentes atuações de Daniel Day-Lewis e Winonna Rider. Eu gostei muito do filme. Fiquei muito indignada com as acusações injustas contra aquelas mulheres.

Até mais.
Beijo.


domingo, 7 de outubro de 2012

A Montanha e o Rio - Da Chen



 Li este livro no início do ano, quando ainda não tinha criado o blog. Foi o primeiro livro que li este ano e um dos melhores. Se bem que eu gostei muito de todos os livros que li este ano. :)

É um livro lindo que conta a história de dois irmãos que se apaixonam pela mesma mulher apesar de as circunstâncias terem distanciado os dois. Os dois são filhos do General Ding Long. Tan é filho legítimo e Shento fruto de um uma relação extraconjugal com uma camponesa.

Enquanto Tan teve tudo o que um filho poderia esperar de um pai, Shento não teve nada. Sua mãe morreu logo após seu nascimento e ele teve pais de criação muito velhos e pobres. Quando estes morrem, Shento vai parar num orfanato onde sofre muito, mas conhece Sumi, seu primeiro e único amor. Mas uma tragédia faz com que Shento seja preso e condenado e quando consegue escapar da morte jura vingança à família do pai biológico que nunca o ajudou.

Enquanto isso a família de Tan perde tudo o que tem e vai morar no interior onde ele acaba conhecendo Sumi. Acreditando que Shento está morto, Sumi se envolve com Tan. Quando Shento, cheio de ódio e sede de vingança encontra o irmão com a mulher que ama, tudo pode acontecer.


"Apaixonada por dois irmãos! Eu amaldiçoava o meu próprio destino, as três facas cravadas nele. Quem eu deveria escolher? Shento, com sua crueza da gente das montanhas e sua sede desesperada? Ou Tan, com o coração amoroso que tranquilizava minha mente, sem deixar espaço para a mágoa e a solidão, fazendo com que eu não precisasse de mais nada? Um morreria por mim. O outro não viveria sem mim."

O livro é narrado em primeira pessoa, mas em três primeiras pessoas: Shento, Tan e Sumi. A cada capítulo um dos três conta seu ponto de vista sobre os acontecimentos, o que torna o livro envolvente e dinâmico . É uma história de amor, vingança e também um romance histórico sobre a Revolução Cultural Chinesa. É um livro intenso, triste e muito bonito!

Agradeço ao meu irmão que me indicou esse livro excelente! Super indico e dou 5 estrelinhas para ele. :)

Avaliação: ★★★★★ ❤
Até mais.
Beijo.


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

A Princesa Leal - Philippa Gregory


GREGORY, Philippa. A Princesa Leal. Rio de Janeiro: Editora Record, 2011. 448p. Título original: The Constant Princess.

Sou uma criança de convicções absolutas. Sei que serei a rainha da Inglaterra porque é a vontade de Deus, e é o que minha mãe ordena. E acredito, assim como acreditam todos em meu mundo, que Deus e minha mãe são, em geral, a mesma mente; e a sua vontade é sempre cumprida. pág.12

A Princesa Leal conta a história da Infanta Catalina de Aragon desde a infância vivendo em acampamentos no deserto e em palácios mouros até ir para a Inglaterra para se casar com o príncipe Arthur e posteriormente se casar com Henry VIII. Desde criança que ela foi criada para ser a Rainha da Inglaterra e essa ideia não saiu de sua mente nunca.

No início do livro achei que seria muito triste, que teria muita pena de Catalina por tudo o que ela viveu, mas descobri uma mulher guerreira, sonhadora, ambiciosa e arrogante que queria a todo custo ser a rainha da Inglaterra, como lhe havia sido prometido desde os seus 3 anos de idade. E foi com uma grande mentira, muita paciência, força de vontade e sorte que ela conseguiu o que desejava. Não teve apoio dos pais que a abandonaram à própria sorte quando perderam as esperanças de que ela fosse se casar com Henry, nem dos pais do noivo que fizeram tudo para dificultar o casamento.

Catalina, que mudou o nome para Catherine, ajudou Henry VIII a combater os escoceses e participou de muitas decisões políticas junto com o marido, mas o casamento não foi um mar de rosas. Teve muitos abortos espontâneos e não conseguiu dar o herdeiro de sexo masculino que o rei tanto desejava. Acabou perdendo o que conquistara: a lealdade de Henry, o casamento e o título de rainha da Inglaterra. Mas teve a filha Mary que, posteriormente, embora por pouco tempo, viria a ser rainha.

Adorei este livro! Aprendi muito sobre a história de Catalina de Aragon e sobre a época em que viveu com todas as rivalidades e reviravoltas políticas entre a Inglaterra, a Espanha e a França; entre Escócia e Inglaterra; e as cruzadas dos espanhóis contra os mouros. Acho incrível como Philippa Gregory usou fatos e personagens reais e criou um romance cheio de emoção e beleza. É preciso muita pesquisa, mas também imaginação para preencher as lacunas da História e criar uma obra de ficção histórica tão bem escrita.

O livro intercala capítulos escritos em terceira pessoa e outros em primeira pela própria Catalina. Fiquei encantada com as descrições da sua vida em Granada, dos palácios e da cultura mouros e do choque cultural que ela vivenciou ao chegar à Inglaterra.
Achei que os últimos anos do seu reinado foram muito corridos no livro e senti falta de ler sobre a perda dos bebês e todo o processo de divórcio. Mas a autora já tinha escrito A Irmã de Ana Bolena que conta essa parte da História. Muito bom! Recomendo muitíssimo!

Avaliação: ★★★★★ 

Beijos. :**

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

[Cinema] Lady Jane (1986)


Lady Jane Reino Unido, 1986 

142 min

Biografia / Histórico / Drama

Direção: Trevor Nunn

Roteiro: Chris Bryant, David Edgar

Elenco: Helena Bonham Carter, Cary Elwes, John Wood e Patrick Stewart






Na minha lista dos filmes para assistir novamente estava "Lady Jane" que conta a história de Jane Grey também conhecida como a rainha dos 9 dias. Como estou lendo sobre a dinastia Tudor, fiquei com vontade de assistir logo a esse filme que assisti pela primeira vez há mais de 15 anos.

Quando Henrique VIII (Henry Tudor) morreu, deixou como herdeiro seu filho Edward VI, mas este morreu ainda adolescente de tuberculose (acho que todos morriam de tuberculose naquela época). Antes de morrer Edward VI deixou uma declaração em que nomeava a prima Jane, sobrinha neta de Henrique VIII, sua herdeira, destronando suas irmãs Maria (filha de Catalina de Aragon) e Elizabeth (filha de Ana Bolena) e dessa forma deixando a Inglaterra nas mãos de uma rainha protestante (anglicana).

No filme Edward e Jane (Helena Bonham Carter ainda garota) são muito amigos, se gostam, mas não podem se casar porque ele está morrendo e ele pede que ela se case com Guilford Dudley, filho de sir John Dudley, Duque de Northumberland, para poder subir ao trono.

Após se casarem, os dois se apaixonam. Jane era muito culta, lia em várias línguas como grego e hebraico e fazia vários questionamentos sobre a igreja católica e Guilford era um garoto fanfarrão que vivia em bordéis e por isso conhecia bem o povo e seus problemas. Eles se encantaram um com o outro porque eram idealistas e queriam mudar a forma de governar a Inglaterra melhorando a situação do povo.

Mas Maria (a Bloody Mary) não queria abdicar de sua pretensão ao trono e tramou para destituir Jane que ficou no trono apenas por 9 dias. Jane foi acusada de traição e decapitada junto com o marido.

Muito lindo e triste, principalmente quando os dois se recusam a se converter e abrir mão de seus ideais mesmo que isso custe a própria vida. Não sei se aconteceu de forma tão romântica como no roteiro, mas é um bom argumento para o filme que gostei bastante mesmo achando que perde pontos por ter cenas românticas demais. Desculpem-me se revelei muitas coisas do filme, mas como é histórico, não vejo problema em contar.

Fico muito incomodada com essa mania de traduzirem os nomes para a língua portuguesa. Acho ridículo traduzir nomes próprios, mas deixei alguns como Henrique VIII e Ana Bolena porque são conhecidos assim no Brasil e em Portugal. Mas eu preferiria escrever os nomes originais. Se bem que ingleses e americanos também traduzem. Enfim, acho uma pobreza rsrs.

Até mais.
Beijo.

sábado, 1 de setembro de 2012

Os Pilares da Terra - Ken Follett



Atualização em 27/10/2012: Mudei um pouco a resenha e tirei os spoilers mínimos que havia antes. Então podem ler sem medo agora.

Em julho, quando li este livro, eu ainda não tinha blog. Então escrevo a resenha atrasada e depois de já ter feito a de Mundo sem Fim.

Os Pilares da Terra se passa 200 anos antes de Mundo sem Fim e conta a história da construção da catedral fictícia de Kingsbridge. A catedral é a grande protagonista. Todos os personagens giram em torno da sua construção e alguns que se destacam no início perdem força e dão lugar a outros da metade do livro em diante.

O livro começa no ano de 1123 com o enforcamento de um homem. Uma jovem amaldiçoa todos os envolvidos na execução deste alegando sua inocência, mas essa parte da história permanece um mistério até o final do livro. Passam-se doze anos. Conhecemos Tom Construtor, pai de 2 filhos, Alfred e Martha, e casado com Agnes que está grávida do terceiro. Tom trabalha para William Hamleigh construindo a casa onde ele morará depois que se casar com a noiva, Aliena. Mas quando esta se recusa a se casar, Tom perde o trabalho e tem que pegar a estrada a procura de outro. Seu grande sonho é construir uma catedral, a maior da Inglaterra. Após a morte de sua mulher ao dar à luz, Tom se envolve e se torna amante da "feiticeira" Ellen que tem um filho chamado Jack. Depois de muitas dificuldades, Tom consegue trabalhar na construção da Catedral e começa a realizar seu sonho.

Aliena é uma jovem forte e decidida, que não aceita que controlem sua vida. Seu pai respeita suas decisões. Ela se nega a se casar com Hamleigh que, orgulhoso e sádico, faz tudo para prejudicá-la posteriormente. Aliena perde tudo quando seu pai é a acusado de traição e morto. Ela passa então a lutar para recuperar sua herança e tornar o irmão Richard um cavaleiro do rei. Da metade do livro em diante, Jack (filho de Ellen) e Aliena ganham mais importância na trama, então o livro passa a contar a história dos dois, sempre em torno da construção da catedral.

No mosteiro de Kingsbridge destacam-se o prior Philip que acredita que a construção da catedral é a vontade de Deus e o inescrupuloso e ambicioso bispo Bigod que quer a todo custo impedir que aquela seja construída.

Enquanto a trama se desenrola no priorado de Kingsbridge, uma guerra civil ocorre pela sucessão do trono da Inglaterra após a morte do rei Henrique I. Esse período é chamado de "A Anarquia". Follett descreve com detalhes as batalhas, as intrigas, o jogo de poder e mistura ficção e História com muita competência! Também descreve os costumes da época, as feiras e mercados. Mas o grande diferencial são as verdadeiras aulas de arquitetura que dá ao apresentar o trabalho de Tom Construtor e posteriormente de Jack, que herda o talento do padrasto. Follett descreve detalhadamente as etapas da construção da catedral, as técnicas e como eram executadas.

O mestre construtor aperfeiçoara as ideias de Saint-Denis, fazendo tudo mais alto e mais estreito - janelas, arcos e a própria abóbada. O grupo de fustes que compunham as colunas erguiam-se graciosamente através da galeria e transformavam-se nas nervuras de sustentação do teto, curvando-se para se encontrarem no meio dele, e pelas altas janelas ogivais a luz do sol inundava o interior. Ar cornijas eram finas e delicadas, e a decoração, uma orgia de folhagens cinzeladas na pedra. p.745

O livro é muito interessante e bem escrito! A narração é em terceira pessoa com uma linguagem clara e fluida. A trama é muito bem elaborada e envolvente com ação, aventura, mistério e romance. As personagens são todos muito bem trabalhadas e cativantes. Aliena é uma das minhas personagens preferidas de todos os tempos.  Gostei demais do livro e recomendo muitíssimo! Excelente! Está entre os meus favoritos.

Como já mencionei, foi filmada e exibida no canal Starz, uma minissérie sobre o livro com o mesmo nome. Vale a pena conferir, mas aviso logo que mudaram muito da história.

Avaliação: ★★★★★ 

Beijo.




terça-feira, 28 de agosto de 2012

Mundo sem Fim - Ken Follett



Que livro incrível! Gostei tanto ou mais do que de Os Pilares da Terra que se passa 200 anos antes na mesma cidade e fala sobre a construção da catedral fictícia de Kingsbridge. A grande diferença, ao meu ver, entre os dois livros, é que no primeiro, a grande protagonista é a própria catedral. Todos os personagens estão direta ou indiretamente envolvidos em sua construção. Existem personagens que se destacam no início, mas eles vão perdendo importância e dando lugar a outros. Em Mundo sem Fim a catedral ainda está lá, ainda existem obras para os reparos, mas a história não gira mais em torno disso.

Os personagens são muito bem construídos e interessantes. Três dos protagonistas são descendentes dos principais personagens de Os Pilares da Terra. Isso é mencionado algumas vezes na história, mas não tem tanta importância assim. Os livros podem ser lidos independentes um do outro, embora seja interessante conhecer a história da construção da catedral e tudo o que acontece no priorado.

A história gira em torno das quatro crianças que testemunharam o assassinato na floresta: Caris, Gwenda, Ralph e Merthin. Caris e Gwenda são amigas, Ralph e Merthin, irmãos.

Caris cresce determinada, independente, com talento para os negócios e ao longo da história faz de tudo para realizar seus sonhos, luta pelo crescimento da cidade e ajuda os moradores de Kingsbridge como pode, inclusive sacrificando seu amor por Merthin algumas vezes. Merthin é apaixonado por Caris e luta por esse amor, com todas as forças, a vida inteira. Gwenda torna-se uma mulher forte que se sacrifica pelo homem que ama, para sair da miséria e depois pelos seus filhos. Como Caris, ela quer controlar o seu destino com as próprias mãos. Ralph, irmão de Merthin, é cruel, sem caráter e orgulhoso. Não se importa em sujar as mãos de sangue, até gosta disso, para conseguir o que quer.

Beijavam-se sempre que tinham oportunidade: na catedral, no mercado, quando se encontravam na rua e - o melhor de tudo - quando ele ia à casa de Caris e ficavam a sós. Merthin vivia para esses momentos. Pensava em beijá-la antes de dormir e voltava a pensar assim que acordava. p.60

Outro personagem importante é o monge Thomas Langley que antes de entrar para o mosteiro era cavaleiro do rei. Foi ele quem assassinou alguém na floresta quando os quatro protagonistas eram crianças. Também é importante destacar o monge Godwyn, primo de Caris, um homem muito ambicioso que quer subir na hierarquia da igreja a qualquer preço e o monge Philemon, irmão de Gwenda, inescrupuloso e oportunista.

A narração é em terceira pessoa e a escrita de Follett é fluida e clara. A trama é muito bem amarrada e o desfecho é emocionante e muito convincente. Eu adoro romances históricos, adoro aprender História através da literatura. É possível perceber que este livro foi escrito depois de muita pesquisa. Follett faz uma reconstrução impressionante da época. O cenário político, as conspirações, a guerra dos 100 anos, a forma como a igreja controlava tudo, a hipocrisia dentro e fora da igreja, o sistema de feudos, a forma como os crimes eram punidos, a medicina precária (guiada por superstições e crenças religiosas, sem nenhum fundamento científico) e a peste negra, tudo é descrito minuciosamente. Follett descreve também as vestimentas, os costumes, as casas, a disposição dos cômodos, a falta de higiene, as feiras e mercados. Fiquei arrepiada com o esfolamento em vida, punição para quem roubava o tesouro de uma igreja, descrito em detalhes. E a forma como a peste negra arrasou a Europa por gerações é assustadora!

A rua estava deserta. Merthin nunca a vira assim, nem mesmo durante a noite. O efeito era sinistro. Ele se perguntou quantas pessoas teriam morrido: um terço da população? A metade? Seus fantasmas ainda estariam à espreita nas vielas e cantos escuros, observando invejosos os sobreviventes afortunados? p.559

O livro é maravilhoso! Tem romance, ação, aventura, mistério e história. Recomendo muitíssimo e vou sentir muita falta do priorado de Kingsbridge.

Já está sendo filmada uma minissérie baseada no livro que será exibida pelo canal Starz e terá um elenco estelar! Mal posso esperar para assistir! Foi feita e exibida no mesmo canal uma minissérie baseada em Os Pilares da Terra. É boa, mas achei que mudaram demais a história.

A Fê do Na Trilha dos Livros também escreveu uma excelente resenha sobre o livro.

Avaliação: ★★★★★ 

Beijo.

Atualização em 04/09/2012: Saiu o trailer da série baseada no livro. Saiu em julho, na verdade, mas só vi agora. Fiquei arrepiada! Não perco por nada!

Atualização em 27/10/2012: Já baixei a minissérie toda. Vou demorar para assisti-la, mas assim que terminar escrevo um post sobre ela.







Série de TV - Raised by Wolves

Terminei de assistir ontem à nova série original HBO Max. Já vou começar dizendo que recomendo para quem gostou de Battlestar Ga...