RICE, Anne. Entrevista com o vampiro. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1992. 334 p. Título original: Enterview with the Vampire.
- Pois assim era. Alimentava-me de estranhos. Aproximava-me somente o suficiente para perceber a beleza pulsante, expressão única, a nova e apaixonada voz, e depois matava antes que aqueles sentimentos de repulsa pudessem se elevar, aquele medo, aquela pena. p.103
Esses dias retomei a leitura de Entrevista com o Vampiro que comecei ano passado, mas parei porque não estava na vibe dele rs. Mas desta vez não consegui parar de ler. O livro é ótimo!
O livro é narrado em primeira pessoa por Louis, um vampiro, enquanto conta sua história para um escritor. Alterna momentos no presente (século XX) e no passado (200 anos antes) nos Estados Unidos e na Europa. Louis é um personagem complexo, muito bem construído. É um vampiro sentimental e cheio de emoções conflitantes em relação à sua condição de vampiro. Ele sente um enorme prazer em morder suas presas, mas também sente remorso ao fazê-lo. É amargurado e sedendo de sangue ao mesmo tempo. Louis é verdadeiramente apaixonado e ainda mantém todos os seus sentimentos humanos. Isso torna sua existência muito dolorosa. Ele faz muitos questionamentos filosóficos e existenciais porque quer entender sua origem e o sentido da sua existência. Ele busca por isso.
Além de Louis, conhecemos o vampiro Lestat. Segundo a forma com que é narrado por Louis, Lestat é mais frio, calculista e controlador. Parece ter perdido boa parte da sua humanidade. Conhecemos também a vampira criança Claudia que vive frustrada por ter amadurecido mas não perder o corpo infantil. Claudia é menos sentimental que Louis. Ela não sente nenhum remorso ao caçar suas vítimas, sente muito prazer ao fazê-lo. Ela e Louis vivem uma história de amor intensa e quase impossível.
Anne Rice resgatou para as histórias de vampiros a sensualidade que não encontramos em Dracula por exemplo, mas que aparece muito fortemente em Carmila, a Vampira de Karnstein, escrito antes de Dracula. O ato de sugar sangue, no livro, é um ato erótico. Existe uma relação sensual e sexual entre quem morde e quem é mordido. Os vampiros e suas presas sentem prazer sexual nesse momento. E a autora descreve essas cenas com maestria. São momentos intensos e muito bem escritos. A escrita de Anne Rice também é cheia de descrições ricas sobre os lugares por onde seus personagens passam e conseguiu me transportar para esses lugares. É um clássico da literatura com vampiros!
Deu pra perceber que eu amei o livro? Amei mesmo! E estou louca para ler a série As Crônicas Vampirescas toda! Já tenho os 5 primeiros livros que consegui através de trocas no Skoob. Se vocês gostam de vampiros, leiam! Vale muuuito a pena!
Uma curiosidade: a tradução deste primeiro volume da série, escrito em 1976, foi feita por ninguém menos que Clarice Lispector. Pena que ela morreu um ano depois, e não pode traduzir outros da série.
Atualização 11/07/2013 - Outra curiosidade: Anne Rice construiu a personagem Claudia inspirada na morte da própria filha que morreu de leucemia. Mórbido, não é?
Ah, o filme homônimo de 1994 é bem fiel à história livro, mas claro, o livro é muito melhor. Mas só pelo maravilhoso do Brad Pitt (eu me apaixonei por ele por causa desse filme rs), vale assistir. Além disso tem Tom Cruise, Antonio Banderas, Christian Slater e a fofíssima Kisrten Dunst ainda criança.
Avaliação: ★★★★★ ❤
Até a próxima. :)
Beijos e boas leituras!