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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Apocalipse Z - O Princípio do Fim - Manel Loureiro


De repente, mandaram-nos de volta para o século XIX. Só que cercados de cadáveres ambulantes e lutando para sobreviver. Que panorama mais fodido. p. 101


LOUREIRO, Manel. Apocalipse Z - O princípio do fim. São Paulo: Planeta Brasil, 2010. 365p.

O Princípio do Fim é o primeiro volume da trilogia Apocalipse Z e como o nome sugere trata de um apocalipse zumbi.

A história é narrada em primeira pessoa por um advogado que relata aos leitores do seu blog o que está acontecendo no mundo. Ele mora sozinho com seu gato Lúculo (que é um personagem ótimo) após a perda da sua mulher e começou a escrever um blog para sair da depressão.

O protagonista conta sobre uma epidemia que começou depois de um acidente em um laboratório e como rapidamente se espalhou. Relata o terror das pessoas, a calamidade que ocorre em decorrência disso, cidades sendo evadidas, pessoas se refugiando em bases militares e claro, os zumbis, chamados por ele de não mortos. A eletricidade acaba, a internet não funciona e a partir de então, o advogado começa a relatar o que acontece com ele em um diário.

O ritmo do livro é eletrizante. Tem ação e tensão do início ao fim. Os acontecimentos são narrados no presente, conforme as coisas vão acontecendo o que aproxima o leitor da ação. Apesar de algumas cenas serem muito longas, não me entediei em nenhum momento. A escrita do autor é fluida e o narrador utiliza uma linguagem informal e atual.

Gostei muito da história e estou muito curiosa para saber o que acontece nos próximos volumes. Recomendo muito para quem curte distopias, zumbis e muita ação.

Avaliação: ★★★★

Até mais.
Beijos e boas leituras. :**


segunda-feira, 14 de julho de 2014

The 100: Os Escolhidos - Kass Morgan + [Série de TV] The 100



Bellamy não sabia por que os antigos humanos se davam o trabalho de consumir drogas. Qual era o sentido de injetar alguma porcaria nas veias se um passeio na floresta tinha o mesmo efeito? Algo acontecia toda vez que ele cruzava a linha das árvores. Enquanto se afastava do acampamento à luz do sol da manhã, partindo em mais uma expedição de caça, ele começou a respirar fundo. Seu coração tinha batidas fortes, lentas e constantes, e suas pernas marchavam no ritmo de um pulso no chão. Era como se alguém tivesse invadido seu cérebro e aumentado a intensidade de seus sentidos até uma configuração que Bellamy não sabia que existia. p.134.

MORGAN, Kass. The 100. Rio de Janeiro: Galera Record, 2014. 288p.

The 100: Os Escolhidos é o primeiro volume da série de ficção científica distópica The 100. A história se passa em um futuro distante quando a terra foi destruída por guerras nucleares e a humanidade teve que deixa-la e passou a viver em naves no espaço. Existem 3 naves na colônia espacial: Walden, Arcadia e Phoenix. Em Phoenix vive a elite da sociedade enquanto nas outras duas naves vivem os trabalhadores. Em Phoenix não existe racionamento de água nem de energia, enquanto na outras naves tudo é racionado. Os crimes na Colônia são punidos com a morte porque é preciso controlar o crescimento populacional. A quantidade de filhos que cada casal pode ter é restringida a apenas 1 e a desobediência a essa regra também é punida com a morte. Os menores de idade que cometem infrações são confinados e julgados assim que completam 18 anos. E sempre são considerados culpados e executados.

Pensando em uma possível volta à terra, o Chanceler Jaha envia 100 menores de idade para a Terra com o intuito de saber se os níveis de radiação no planeta já estão toleráveis para a sobrevivência humana. Dentre esse 100 estão seu próprio filho Wells, Clarke e Octavia. Bellamy, apesar de ter 20 anos, deu um jeito de entrar no último minuto na nave e poder ir à Terra. Essa missão poderá ser uma segunda chance para esse jovens ou uma missão suicida.

A narração é em terceira pessoa através dos pontos de vista de Clarke, Wells, Bellamy e Glass. Cada capítulo tem o ponto de vista de um desses personagens e, além de narrar o que acontece com eles na Terra após a aterrissagem, também tem flasbacks que contam o que aconteceu com eles na Colônia para que eles fossem confinados. Através desses flasbacks conhecemos melhor os personagens, suas motivações e personalidades.

Clarke é filha de uma médica e um cientista que foram executados por cometer crimes depois que seu namorado Wells os delatou ao Chanceler Jaha, seu pai. Wells cometeu um crime para poder estar com Clarke na nave que a levaria à terra mas a namorada nunca o perdoou pelo que ele fez aos seus pais. Bellamy atirou no Chanceller e pulou na nave antes da partida para que pudesse proteger a irmã Octavia que também seria enviada à Terra. Glass fugiu do confinamento antes da partida da nave para poder encontrar seu namorado Luke e continuou na Colônia.

Na aterrissagem, alguns dos 100 morreram, outros ficaram gravemente feridos, como a melhor amiga de Clarke, Thalia. A história mostra a dificuldade de sobreviver sem tecnologia e o sentimento de encantamento pela natureza, a chuva, os animais e a água pura em abundância. Possibilita a discussão sobre a importância de se preservar a natureza ao mostrar a destruição causada pelo homem. Também mostra um mundo distópico, autoritário e com desigualdades sociais. Achei que podiam ter dado menos importância ao romance, principalmente no núcleo de Glass, que aliás eu achei bem dispensável. A linguagem é fluida, fácil de ler e os personagens são bem construídos. Gostei muito do livro e estou ansiosa pela sequência. Ah, uma observação: a revisão do livro está bem ruim. Encontrei muitos erros. É muito chato quando isso acontece porque desvia da leitura. Espero que a editora tenha mais cuidado no próximo livro.

Avaliação: ★★★


Sobre a série The 100:


Na série, exibida pelo canal CW, a essência da história se manteve, assim como o nome dos personagens, mas as histórias deles são diferentes. Muitos personagens foram misturados ou fundidos em um só e outros desapareceram, como por exemplo Glass (o que particularmente eu achei bom).


Na série os protagonistas são Clarke, Bellamy, Octavia e Finn (que terá um envolvimento amoroso com Clarke). Wells é um personagem menor e não é ex-namorado de Clarke. É seu melhor amigo. A história dos pais de Clarke também é diferente e somente o pai dela morreu. Sua mãe é médica e faz parte do conselho da Colônia ao lado do Chanceler Jaha, pai de Wells. Achei essa parte da história mais forte e melhor contada no livro. Não havia necessidade de mudar tanto. A série avança um pouco a história e o que aparece no final do primeiro livro já é melhor explicado na série. Talvez eles já tenham usado o segundo livro, ou simplesmente inventado. Não sei.



Estou gostando da série principalmente por causa da luta pela sobrevivência, as discussões sobre como construir uma sociedade, novas leis, ética e conceitos morais. Na série Clarke e Bellamy são líderes da pequena comunidade, embora tenham visões bem diferentes sobre como comandar. Acho que a série tem grande possibilidade de crescer. A série também explora mais a vida na Colônia, os personagens adultos e suas difíceis decisões. Vale a pena assistir.

Até mais.
Beijos e boas leituras. :**


sábado, 10 de maio de 2014

A Esperança - Suzanne Collins



Mais uma força a ser enfrentada,. Mais um jogador poderoso que decidiu me usar como uma peça em seus jogos, embora as coisas jamais pareçam seguir de acordo com o plano. p.70

COLLINS, Suzanne. A Esperança. Rio de Janeiro: Rocco Jovens Leitores, 2011. Título original: The Mockingjay. 424p.

A Esperança é o terceiro volume da Trilogia Jogos Vorazes. Depois de descobrir que o Distrito 12 não existia mais e que o Distito 13 sobrevivera ocultamente para resistir à Capital, Katniss se vê ainda mais envolvida na rebelião. Ela se engaja na luta principalmente para proteger Peeta que ainda está nas mãos da Capital. Katniss continua sendo aquela menina forte e determinada e agora com mais garra porque tem muitos motivos fortes para isso.

Katniss tem que correr contra o tempo para salvar o amor da sua vida, proteger os que ama e para isso corre perigos ainda maiores que nos dois primeiros livros. Tem também que aceitar ser usada como simbolo da revolução para conseguir o apoio dos rebeldes e sofre muito, muito ao longo do livro.

Eu gostei bastante do desfecho da história, embora ainda tenha sentido falta de que Katniss tivesse se envolvido na luta por engajamento na revolução e não somente por motivos pessoais. Mais uma vez ela se tornou um joguete nas mãos de outras pessoas. Mas desta vez, em vez de estar nas mãos da Capital, ela tornou-se uma peça no jogo da rebelião. Essa parte da história foi muito bem trabalhada porque mostra bem como, na política, mesmo entre aqueles que têm as melhores intenções, ainda há corrupção e jogo de interesses. Também fiquei com raiva dela por causa de algumas decisões, mas admiro sua coragem e força. Apesar de ter esperado mais dela, Katniss ainda é uma das minhas personagens preferidas da literatura. Ela têm suas falhas como todo ser humano e foi psicologicamente muito bem construída.

A narrativa é em primeira pessoa, na voz de Katniss, o que, por um lado aproxima o leitor da trama e da personagem, mas por outro limita o ponto de vista da história. Nos dois primeiros livros eu senti falta do olhar de outros personagens sobre os acontecimentos e me incomodei com a a imaturidade do narrador-personagem. Mas em A Esperança não me incomodei. Katniss amadureceu muito ao longo da trama e a autora soube transmitir esse amadurecimento para a narrativa. Achei o final da série ótimo embora triste, imperfeito e dolorosamente emocionante. Preparem os lenços porque as lágrimas são inevitáveis. Recomendo muitíssimo a Trilogia Jogos Vorazes para todos pela história intensa, forte, com um enredo político bem construído e bem escrito e pelos personagens cativantes, um romance (sem melação) e ação na medida.

Avaliação: ★★★★★ 


Até mais. 
Beijos e boas leituras. :**

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Liberta-me - Tahereh Mafi



MAFI, Tahereh. Liberta-me. Ribeirão Preto, SP: Novo Conceito Editora, 2013. Título original: Unravel me. 444 p.

"Seus lábios são mais macios do que qualquer coisa que já conheci, macios como a primeira neve, como morder algodão doce, como derreter e flutuar e não ter peso na água. É doce, é doce sem fazer esforço." p. 382

Liberta-me é o segundo livro da trilogia Estilhaça-me que começou com Estilhaça-me.  Eu gostei do primeiro, mas esperava mais. Achei pouco original, apesar de ter achado a escrita da autora lindíssima e cheia de estilo. Mas Tahereh Mafi evoluiu muitíssimo. O segundo livro da série (e da autora) superou e muito as minhas expectativas. Eu simplesmente amei o livro!

A partir daqui contém spoilers do primeiro livro da série. Você foi avisado.

Depois de fugir da prisão onde viveu nos últimos meses e encontrar o Ponto Ômega, quartel da resistência, Juliette aprende mais sobre seus poderes e treina para conseguir controlá-los. Juliette está menos confusa, porém seus pensamentos continuam intensos e acelerados, o que a autora consegue mostrar muito bem através de sua escrita peculiar. Ela não pode tocar em ninguém pois seu toque é poder letal. Somente seu namorado Adam e Warner também  pode tocá-la. Porém Juliette descobre algo que a faz se afastar de Adam. Adam tem um poder que anula os poderes de todos os outros quando está perto. Porém ele o faz com um grande sacrifício e gasto de energia. Inclusive isso pode matá-lo. Juliette sofre muito com a separação mas está decidida a se afastar de Adam de vez, ao mesmo tempo que está cada vez mais envolvida com a resistência.

Numa das missões do Ponto Ômega, Juliette encontra Warner e percebe que por trás daquela crueldade e frieza toda, existe uma pessoa capaz de gestos de bondade. Ao longo da história, Warner se mostra mais humano e sua história de vida marcada por maus tratos e falta de amor de seu pai abusivo vem à tona. Anderson, pai de Warner e líder do Restabelecimento, é o grande vilão da história. E uma revelação a seu respeito tem grande importância na trama.

Enquanto se afasta de Adam, Juliette acaba se aproximando de Warner e a narrativa pega fogo. Como no primeiro livro, os sentimentos de Juliette são intensamente explorados e descritos. O livro é todo psicológico. Toda a ação é mostrada através dos sentimentos de Juliette, narradora personagem. Os personagens são muito mais elaborados neste segundo livro, especialmente Warner. Ainda que sempre descritos através dos olhar e sentimentos de Juliette. Ele é o melhor personagem, depois de Juliette. Também gosto muito de Kenji, amigo que Juliette faz no Ponto Ômega.

A história é intensa, quente, forte, romântica e com uma escrita belíssima! Ainda acho que o Restabelecimento, regime de governo totalitário instalado por Anderson, deveria ser melhor explorado. Ainda assim achei o livro muito bom e com mais ação que o primeiro! Preciso do volume final da trilogia! A capa deixou a desejar em relação à primeira, toda brilhosinha. Ela é bem feinha. Mas a diagramação e interessante, as folhas são amareladas e a fonte tem um ótimo tamanho, o que facilita a leitura.

Avaliação: ★★★ 

Até mais.
Beijos e boas leituras. :**


quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Em Chamas - Suzanne Collins



COLLINS, Suzane. Em Chamas. Rio de Janeiro: Rocco Jovens Leitores, 2011. 416 p. Título original: Catching fire.

Atenção: contém spoilers sobre o primeiro livro da trilogia, Jogos Vorazes.

Em Chamas é o segundo volume da trilogia Jogos Vorazes. Li o primeiro ano passado, antes de criar o blog, então não resenhei. Eu amei o primeiro volume e achei muito amarradinho, então não me apressei em ler o segundo. Mas como a adaptação para o cinema estreou, resolvi ler agora.

Depois de sobreviverem aos Jogos Vorazes, Katniss e Peeta estão separados. Katniss volta a caçar com Gale e se sente confusa pelo que sentem um pelo outro. Gale a ama, mas ela não está certa se isso é bom ou ruim. Ele é seu melhor amigo. A família de Katniss teve uma significativa melhora de vida por conta da vitória dela nos jogos. Moram em uma casa melhor e não lhes falta comida. Mas apesar de viver melhor, Katniss sabe que não viverá em paz. Terá que se comportar, se vestir e viver como os organizadores dos jogos querem. E seu relacionamento com Peeta será ainda mais explorado por eles ou as pessoas que ama correrão perigo. Ela e Peeta terão que se casar e mostrar a todos que o relaçionamento é real e não uma estratégia para vencer, muito menos uma forma de desafiar a Capital

A ideia de ficar entregue aos caprichos estilísticos da minha equipe de preparação só faz aumentar ainda mais as misérias que competem pela minha atenção - meu corpo vítima de abuso, minha falta de sono, meu casamento obrigatório e o terror de ser incapaz de satisfazer as demandas do presidente Snow. p.58

Durante o tour dos campeões pelos Distritos, fica claro que há uma rebelião em um dos Distritos. Como punição por desafiar a Capital e como resposta à rebelião, o Presidente Snow resolve que 2 campeões de cada Distrito deverão voltar à arena em comemoração aos 75 anos dos Jogos. E claro que os escolhidos do Distrito 12 são Katniss e Peeta. Antes de começar o massacre, Katniss fica sabendo que há mesmo rebeliões e que ela é o símbolo dessa luta. O jogo em si é uma parte importante do livro, mas a preparação para ele e o que acontece depois são cruciais para o andamento da história. 

Na arena novas alianças se formam e conhecemos os campeões dos jogos anteriores. O amor de Katniss por Peeta fica mais claro para ela e a história tem momentos muito emocionantes. As alianças caminham para o que neste momento parece inevitável, uma revolta popular dos Distritos contra a Capital.

Meu sentimento por esse livro e por Katniss é conflitante. Por um lado adoro o fato de o povo se levantar contra o governo opressor e fazer de Katniss, que desafiou a Capital, um símbolo. Por outro lado, senti raiva de Katniss pela sua indiferença em relação à rebelião e por ser tão confusa e indecisa. Ela é forte, sabe se defender como ninguém, mas acho que faltou engajamento. Ainda assim, terminei o livro com muita vontade de saber o que acontece depois.

Como no primeiro, Em Chamas é narrado em primeira pessoa por Katniss. Gosto da primeira pessoa porque me sinto mais envolvida com o personagem e sua história, mas às vezes sinto falta do ponto de vista de outros personagens. Mas a escrita é fluida e a história é intensa, inteligente e muito envolvente. O final é de tirar o fôlego.

Avaliação: ★★★★ 

Ainda não assistir ao filme, mas quando o fizer conto o que achei.
Até mais.
Beijos e boas leituras. :**

sábado, 17 de agosto de 2013

[Série de TV] Continuum (2012 - ) Parte 2



Fiz um post sobre a série Continuum meses atrás (link aqui), mas falei de forma superficial sobre o enredo da série. Desta vez pretendo escrever sobre o que tenho pensado dos rumos que ela vem tomando. Como disse antes:

Continuum começa no ano de 2077. Um grupo de terroristas é condenado à morte pelo assassinato de milhares de pessoas, mas planeja uma fuga perfeita: eles viajam no tempo e fogem para o passado (2012). Durante a fuga, por acidente, a agente Kiera Cameron (Rachel Nichols) viaja com eles contra a sua vontade. Agora Kiera quer impedir os terroristas de dominarem o mundo no passado (nosso tempo) e descobrir uma maneira de voltar ao futuro sem que ele se modifique pois ela tem marido e filho para quem quer voltar. 

(...)Quando Cameron chega ao nosso tempo, ela descobre que o inventor de todo esse sistema é um adolescente, Alex (Erik Knudsen). Juntos eles formam uma parceria. Cameron também se infiltra na polícia local e, junto com seu parceiro Carlos (Victor Webster), investiga a ação dos terroristas. Estes criaram o grupo Liber8, comandado por Edouard Kagame (Tony Amendola), que recruta jovens e outros criminosos alegando que eles serão libertos do sistema.

 (...)  A maior parte da série se passa nos nossos dias, mas as cenas são intercaladas com algumas do futuro, antes da viagem no tempo, que explicam as motivações dos personagens e o funcionamento do sistema criado por Alex.
 
Bem, acho que o mais importante que a segunda temporada mostrou é que as intenções do grupo Liber8 não são bem o que pareciam antes. Notamos a cada episódio que eles talvez não sejam exatamente terroristas, mas ativistas denunciando as violações de um estado abusivo que restringe a privacidade e liberdade dos indivíduos. Conhecemos um futuro em que criminosos perdem o direito ao que tempos de mais precioso - a capacidade de pensar. Eles são obrigados a viver em estado quase vegetativo e a trabalhar de forma mecânica na empresa que criou toda essa tecnologia. E os próprios agentes policiais têm todas as suas experiências de vida gravadas e acessadas facilmente pelo governo. É esse futuro assustador e distópico que os integrantes do Liber8 querem mudar. Mas será que vale a pena mudar o passado para melhorar o futuro? Ou melhor, seria correto ou ético provocar essa mudança? Que consequências terríveis isso poderia acarretar?

Cameron, por um lado é a "mocinha" da história que só quer voltar para casa, mas trabalha para esse governo e quer destruir o Liber8. Mas ela pensa que eles são realmente terroristas. Na visão dela, de agente do governo, ela está fazendo a coisa certa. Além disso ela tem uma motivação pessoal para isso: manter o mundo como está para que no futuro ela ainda encontre sua família. Ninguém é só "mocinho" nem só vilão nessa história. Mesmo quem tem boas intenções usa de meios questionáveis para chegar aos seus objetivos. Inclusive Cameron que tortura e mata para conseguir o que quer.

A segunda temporada terminou deixando muitas questões em aberto, muitas dúvidas e muito pano pra manga. Grandes revelações foram feitas, todos os personagens passaram por uma transformação e tiveram que repensar suas opiniões sobre em que lado estão (e acho que os espectadores também!). Mal posso esperar pela terceira temporada, já confirmada para o ano que vem.

Sério, assistam! É muito boa! Para quem já curte ficção científica é obrigatória. Para quem não liga tanto para o gênero, o que tenho a dizer é que assistam mesmo assim porque a trama é inteligente, misteriosa e de tirar o fêlogo!

Até mais.
Beijos. :**


domingo, 21 de abril de 2013

1Q84 | Livro 1 - Haruki Murakami


- Quando se faz algo incomum, as cenas cotidianas se tornam um pouco diferentes do normal. Mas não se deixe enganar pela aparências. A realidade é sempre única. (pág 157)


Aomame, 29 anos, tem uma profissão incomum. É uma assassina profissional, mas mata apenas estupradores e homens que agridem mulheres e crianças. Um dia Aomame mudou um pouco a sua rotina e percebeu que o mundo se tornou outro. Acontecimentos que desconhecia, uma seita religiosa misteriosa, duas luas no céu...Aomame foi parar em uma espécie de realidade paralela que ela chamou de 1Q84.

Enquanto isso, Tengo, um professor de matemática, 29 anos, aspirante a escritor recebe uma proposta inusitada: reescrever uma história contada por uma menina de 17 anos, disléxica. A história é muito boa, mas muito mal escrita. O livro seria escrito por ele, mas inscrito em um concurso literário com o nome da menina, Fukaeri. Tengo aceita a proposta e o escreve. O livro vence o concurso e a súbita fama que a menina alcança trás à tona informações sobre o seu passado.

A história  escrita por Fukaeri esconde um grande mistério sobre sua vida e os acontecimentos à sua volta e esse mistério se cruza de alguma forma com as vidas de Aomame e Tengo. Fukaeri é disléxica e não aparenta emoções. Faz perguntas sem a entonação da interrogação. Sua vida foi marcada por um grande mistério.

Quando uma nova versão da história é reescrita, a antiga é totalmente destruída e, ao mesmo tempo, são criadas novas palavras e o significado das palavras existentes é igualmente alterado. (pág 359)

1Q84 é inspirado em 1984 de George Orwell e se passa nesse ano. É brilhantemente bem escrito e combina elementos de ficção científica, distopia, fantasia, mistério e romance de uma forma muito inteligente. Os personagens são ricamente bem construídos. Conhecemos a fundo a infância e a forma como a vida desses três personagens seguiu. A narrativa é em terceira pessoa alternando pontos de vista de Aomame e Tengo.

Gostei muito do livro, embora tenha achado algumas passagens um pouco lentas e arrastadas, especialmente as longas passagens sobre outros livros. Adorei ler sobre personagens de mais ou menos a minha idade (nada contra, mas estou cansada de livros sobre adolescentes) e achei a história muito criativa! O final é aberto e fiquei com gostinho de quero mais! Mas já deu para prever um pouco sobre o rumo da história. Que venha o Livro 2! Vale muito a pena! Para quem não gosta de séries, não recomendo porque é impossível ler somente o primeiro. As questões terminam todas no ar sem um desfecho.


Avaliação: ★★★★


Até a próxima!
Beijos.



segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Perfeitos - Scott Westerfeld



Enrolei um pouquinho para escrever esta resenha porque estava pensando numa maneira de não dar spoilers, mas é quase impossível. Para começar a falar dele é preciso dar spoiler do primeiro livro da série, Feios.

Então a resenha CONTÉM SPOILERS DO LIVRO FEIOS, PRIMEIRO DA SÉRIE!



Todas as pessoas eram programadas de acordo com o lugar em que nasciam, confinadas por suas crenças. Mas era preciso ao menos tentar desenvolver uma mentalidade própria. Do contrário, você podia acabar vivendo numa reserva, adorando um bando de deuses falsos. p.319

Depois de um final muito intrigante do primeiro livro, Tally está ás voltas com a sua nova vida como perfeita. Achei o início do livro um pouco chato porque são muitas páginas descrevendo a vida vazia e fútil de festas e pura diversão na cidade e mostrando como a mente dos perfeitos foi modificada tornando-os abobalhados. Mas passado esse momento, a história começa a ganhar ritmo outra vez.

Tally descobre que quando suas emoções estão à flor da pele, quando ela fica borbulhante como eles dizem, ela começa a pensar com mais clareza.  Tally se junta ao Crims, grupo de jovens que quer sempre se sentir borbulhante. Depois de algumas aventuras com Zane, líder dos Crims, Tally descobre a carta que ela escreveu para ela mesma falando de sua nova condição e dois comprimidos que oferecem a cura. Com medo de tomar os comprimidos sozinha, Tally divide-os com Zane. A partir daí as coisas começam a mudar, eles voltam a pensar com mais clareza e planejam a fuga de Nova Perfeição para procurar os novos Esfumaçados.

Neste livro Tally tem que lidar com os sentimentos de culpa pela traição aos esfumaçados e com os sentimentos divididos entre dois rapazes importantes em sua vida. E também com o abalo na sua amizade com Shay que não é mais a mesma.

Além de criticar a busca pela perfeição estética e a destruição da natureza através do progresso tecnológico e do consumo desenfreado, o livro aborda a importância de se questionar o mundo à nossa volta para podermos pensar por nós mesmos e não apenas repetirmos o que os outros (adultos, mídia, religião) dizem. Muito interessante!

- Talvez as lesões não sejam tão importantes quanto pensamos. Seu pai sempre suspeitou que o que chamamos de mente perfeita era apenas o estado natural da maioria das pessoas. Elas querem ser sem graça, preguiçosas e superficiais. p.365

Assim como no primeiro, a narração é em terceira pessoa e o ritmo é intenso, muita ação, suspense e uma linguagem fluida e muito gostosa de ler. Mesmo tendo achado alguns momentos chatos, gostei muito do livro. Não sei se irei ler o terceiro da série imediatamente ou se vou dar uma pequena pausa lendo outro livro, mas não pretendo demorar muito para terminar a série. Muito boa! Leiam! :)

Avaliação: ★★★★★


Até a próxima!
Beijos.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Feios - Scott Westerfeld




- Então qual o problema de as pessoas serem mais parecidas agora? É o único jeito de tornar as pessoas iguais.
- Poderiam pensar numa forma de deixá-las mais espertas. p.47


Feios é um romance de ficção científica que fala sobre um futuro distópico em que todas as pessoas, ao completarem 16 anos, são obrigadas e condicionadas a fazerem uma operação cirúrgica para tornarem-se esteticamente "perfeitas" e a partir daí vão viver na cidade de Nova Perfeição.


Tally está prestes a completar 16 anos e não pensa em outra coisa. Não quer mais ser uma Feia. Alguns meses antes da cirurgia, Tally conhece Shay, uma adolescente rebelde que revela que não deseja ser "Perfeita". Ela diz que não quer viver num mundo em que todos são iguais e com valores fúteis.

Tally não compreende as ideias da amiga. Esta diz que conhece pessoas que vivem em um lugar chamado Fumaça em que as pessoas são livres para serem o que querem, e não o que são obrigadas a ser.

- Ou talvez, depois que eles quebram e esticam os ossos para alcançar o formato ideal, depois que arrancam seu rosto e raspam a pele, depois que enfiam maçãs do rosto plásticas na sua cara para que você fique igual a todo mundo... talvez, depois de tudo isso, você não seja mais tão interessante. (Shay p.53)


Shay finalmente foge para Fumaça, mas quando Tally vai fazer a operação, é obrigada pelos Especiais, uma classe de pessoas responsáveis pela transformação de Feios em Perfeitos, a trair a confiança da amiga, procurá-la em Fumaça para poder dar aos especias a localização exata do lugar.

Chegando lá, Tally conhece esse mundo de liberdade, outros valores, um novo amor e um segredo por trás da cirurgia que torna as pessoas perfeitas e começa a mudar seus conceitos.

Feios é um livro interessantíssimo! Através de uma história futurista e distópica, faz uma crítica muito dura aos dias de hoje em que a busca pela "perfeição" estética tomou tanta importância. Perfeição entre aspas porque o que se busca é um padrão ditado pela mídia que criou um modelo único de beleza que desvaloriza todas as pessoas que não se encaixam nesse modelo. Essa ditadura da beleza é cruel, irreal, impossível de se alcançar e fútil porque desvaloriza todas as outras características das pessoas.

Eu desejo muito que essa série faça muito sucesso e que todos os adolescentes, não só adolescentes, mas principalmente eles, leiam porque o livro propõe um exercício de reflexão muito sério e gostoso. Eu vejo muitas pessoas, mulheres principalmente, sentindo-se obrigadas a se submeter a cirurgias plásticas porque acham que ser bonita é ter os seios de fulana, as pernas de cicrana, o nariz deltrana etc. Isso é muito triste e me incomoda muito. Eu já pensei em fazer cirurgias plásticas quando era mais nova, mas quando perdi a vontade e aprendi a amar cada pedacinho do meu corpo e buscar formas saudáveis de me cuidar, senti um grande alívio e uma sensação de liberdade. Desejo que todos sintam isso também.

O livro também critica a sociedade de consumo desenfreada que destrói os recursos naturais e mostra soluções extremas de se reverter isso, mas também alternativas mais equilibradas.

Apesar de ser um livro sobre personagens adolescentes, trata de temáticas muito sérias e de forma muito madura.  A narrativa é em terceira pessoa, a linguagem é fluida e dinâmica, tem muita ação e prende o leitor o tempo todo! Amei, amei, amei! Bom começar 2013 com um livro tão bom! Corram para ler! Já estou lendo o segundo volume da série. :)

Avaliação: ★★★★★

Até a próxima. :)
Beijos.


quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Estilhaça-me - Tahereh Mafi




MAFI, Tahereh. Estilhaça-me. Ribeirão Preto, SP: Novo Conceito Editora, 2012. Título original: 304p.

Estou aprisionada há 264 dias
Não tenho nada senão um caderno e uma caneta e os números na cabeça para me fazer companhia. Uma janela. Quatro paredes. Espaço de 1,48m². Vinte e seis letras de um alfabeto do qual não faço uso há 264 dias de isolamento. p.5

Juliette Ferrars está presa há 264 dias sem ver ninguém, sem tocar em outro ser humano. Ela tem 17 anos e desde os 14, quando os pais a abandonaram a entregaram, ela viveu em intituições, hospícios até que foi confinada. Sua única companhia é um caderno e uma caneta. Juliette tem um dom terrível incrível. Ele é letal poderoso.


O mundo foi dominado pelo Restabelecimento. O Restabelecimento acredita que as convicções, prioridades, preferências, religiões, ambição, excessos de gula etc foram responsáveis pela destruição da sociedade e acredita que o autocontrole, o minimalismo, a criação de uma linguagem simples, totalmente nova podem restabelecer a igualdade, a humanidade (oi 1984?).

Quando Juiette reencontra o colega de infância Adam, agora um soldado do Restabelecimento, as coisas começam a mudar. Juntos eles planejam fugir desse lugar horrível comandado por Warner que só pensa em possuir Juliette e torná-la uma arma mortal.

Sou uma gota de chuva.
Meus pais esvaziaram seus bolsos de mim e deixaram-me evaporar sobre uma laje de concreto. p.9

A história é narrada em primeira pessoa por Juliette e a forma que a autora utilizou para demonstrar a confusão mental de Juliette é muito interessante: palavras repetidas, outras riscadas e muitas metáforas. Achei isso muito legal e original, mas a originalidade para por aí. E não estou falando só da semelhança de Juliette com a Vampira de X-Men, isso é só um detalhe.

Eu gostei muito do livro no início. A linguagem é fluida, a história é tensa, mas ao mesmo tempo dinâmica, eletrizante, sedutora. Difícil parar de ler. A personagem principal, apesar de ser parecida com a Vampira, é bem construída e muito interessante, mas o livro todo é cheio de clichês. Primeiro que é cheio de semelhanças com X-Men e outros super heróis, como Quarteto Fantástico e Os Incríveis. Ela podia ao menos ter inventado uns poderes (e uniformes) diferentes... Além disso também chupa várias ideias distópicas de 1984, embora de forma muito superficial. Aliás isso foi outra coisa que me incomodou: achei que a distopia ficou em segundo plano. O início foi muito focado na confusão de Juliette, depois virou uma história de amor, até bem bonitinha e sexy, mas tirando o foco da ação, e no final virou uma cópia de X-Men. Eu esperava mais, bem mais.

- Claro que me lembro de você. - Minha voz é um sussurro estrangulado. Fecho os olhos. Lembro-me de você todos os dias, eternamente em cada simples momento da minha vida. Você foi o único que olhou pra mim como um ser humano. p.104

Espero que a autora consiga melhorar a história nos próximo livros da trilogia e eu vou pensar bem antes de me decidir lê-los. Não achei perda de tempo porque o livro é bem gostosinho de ler. Passa o tempo, distrai, mas a autora precisa amadurecer muito a ideia ainda. E como é seu primeiro romance e ela é só uma garota (como diz a orelha do livro) então tenho esperança de que os próximos livros da trilogia sejam melhores. Vale a pena se você busca um livro divertido, para se distrair, sem se preocupar com originalidade, nem profundidade.

Ahhh, a capa é linda e brilhosinha. Adorei rsrs.

Avaliação: ★★★

Até a próxima.
Beijos.

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