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sexta-feira, 31 de outubro de 2014

[série de TV] Salem (2014 - )



O mês do Halloween não foi tão bom como planejava mas me empolgou para continuar no clima de terror no fim de semana. Mas hoje vou fechar o dia de Halloween ou Dia das Bruxas, como não podia deixar de ser, indicando uma série de terror sobre Bruxas.

A série Salem, transmitida pelo canal WGN America, mistura fatos históricos e ficção com muito sobrenatural e terror. Antes de falar sobre a série farei um breve resumo sobre o que aconteceu na cidade de Salem, Massachusetts, EUA, nos anos de 1692 e 1693.



Salem era, no século XVII, um povoado no estado de Massachusetts, habitado por puritanos (protestantes calvinistas radicais). Em 1692 e 1693 aconteceram julgamentos nos quais, por volta de 100 pessoas foram acusadas injustamente e enforcadas como bruxas. Três adolescentes teriam acusado primeiramente uma escrava negra chamada Tituba e depois disso, teriam acusado muitas pessoas gerando um grande pânico coletivo e uma caça às bruxas liderada pelo pregador Cotton Matter.

Na série, as bruxas existem de verdade e usam seu poder para se vingar dos puritanos fazendo-os acusarem-se uns aos outros. Mary Sibley (Janet Montgomery), que existiu de verdade, mas nada indica que tenha sido uma bruxa, é, na série, um bruxa muito poderosa que, após se casar com o homem mais rico e poderoso do povoado, passou a escravizá-lo através de bruxaria. No passado, Mary envolvera-se com o soldado John Alden (Shane West). Pensando que ele havia morrido na guerra, Mary entregou o bebê que teve com ele em sacrifício para as bruxas logo após o parto. Anos depois, quando Mary já está casada, o agora capitão John Alden retorna a Salem e investiga o que está acontecendo sem saber que sua amada é uma bruxa. Tituba (Ashley Madekwe), na série, é uma bruxa e criada de Mary Sibley.







A jovem Mercy Lewis (Elise Eberle), possuída pelas bruxas, aponta e acusa quem são bruxos para o reverendo Cotton Mather (Seth Gabel) e ele se encarrega de prendê-los e levá-los a julgamento. Cotton Mather prega a bíblia de dia e frequenta o bordel à noite onde se encontra com a prostituta Gloriana (Azure Parsons). Após se livrar do feitiço e das torturas através de um exorcismo, Mercy decide se juntar à Mary Sibley e tornar-se uma bruxa também.




Anne Hale (Tamzin Merchant) é uma jovem que se revolta contra as falsas acusações sem saber que seu pai, o magistrado Hale (Xander Berkeley), conspira ao lado das bruxas e esconde um grande segredo.



A série é aterrorizante, cheia de cenas de horror e suspense. As bruxas são muito cruéis e vingativas e causam um clima de medo e tensão na cidade sem que ninguém saiba quem elas são de verdade. Todos os personagens têm segredos inconfessáveis. Não há heróis nessa história, mas são todos fascinantes e bem construídos. Mary Sibley é cruel e forte, mas tem também uma fragilidade que não quer mostrar. Mercy é doce e vingativa ao mesmo tempo. Anne Hale é curiosa, destemida e busca a verdade, mas nem ao menos sabe a verdade sobre si mesma. Cotton é um hipócrita, fanático, fundamentalista, covarde, mas é verdadeiramente apaixonado pela amante Gloriana. John é um herói de guerra aparentemente íntegro que investiga as acusações de bruxaria em Salem em busca de justiça, mas cometeu atos terríveis no passado e é cego em relação à da mulher que ama. Eu gostei muito do caráter dúbio dos personagens e do clima sombrio, misterioso e lúgubre da série. Recomendo para quem curte terror de verdade, sem nenhum toque de humor e com muita tensão e medo o tempo inteiro.

Os acontecimentos em Salem inspiraram a peça de teatro The Crucible de Arthur Miller, traduzida como As Bruxas de Salem. A peça foi adaptada para o cinema em um filme homônimo dirigido pelo diretor Nicolas Hytner. O filme é muito bom e é protagonizado por Winona Rider e Daniel Day-Lewis. A peça e o filme não têm nada de sobrenatural, apenas relatam os fatos históricos. Arthur Miller escreveu a peça como uma analogia à perseguição política ao comunismo, chamada também de caça às bruxas, nos EUA durante o mandato do senador Mc Cartthy.

Os julgamentos em Salem também foram tema do livro, resenhado aqui no blog, O Livro Perdido das Bruxas de Salem da autora Katherine Howe que é descendente de uma das mulheres acusadas em Salem em 1692.

Até mais,
Beijos. :**


A Noite dos Mortos Vivos - John Russo




Com um arrepio, Ben compreendeu que nada que fosse humano tinha algum significado para aquelas criaturas. Elas estavam interessadas nos seres humanos apenas para matá-los. Para rasgar a carne dos seus corpos e transformá-los em coisas mortas... assim como elas. p.67

RUSSO, John. A Noite dos Mortos Vivos. Rio de Janeiro: DarkSide Books, 2014. Título Orignal: Undead: Night of the living dead. 320p.

A Noite dos Mortos Vivos é o roteiro do filme homônimo de 1968, dirigido por George A. Romero com roteiro de John Russo e George A. Romero, que foi adaptado em forma de romance e publicado recentemente nessa edição lindíssima da DarkSide Books.




Ben e Bárbara se conhecem em meio a um apocalipse zumbi sem saber muito bem o que está acontecendo. Bárbara passa boa parte da história em choque e sem reagir por causa do que presencia à sua volta enquanto Ben faz tudo para proteger-se e protegê-la das criaturas que os perseguem. A inércia de Bárbara me irritou. Não aguentava mais sua falta de reação e atitude diante do perigo. 

Algumas pessoas se juntam aos dois depois de um tempo e buscam soluções para livrarem-se do perigo. Enquanto isso, boletins de urgência são transmitidos pelo rádio, mas as autoridades não sabem ainda do que se tratam as criaturas.



A história é exatamente igual ao filme, com muita ação sem parar e cenas assustadoras. O final é terrível e inesperado. Achei interessante ler o livro já que o filme foi um precursor de filmes e séries sobre zumbis. Mas a história não é muito elaborada. Não há muitas explicações e os personagens são pouco trabalhados. Não mudou a minha vida, mas é bem divertido e serve para entreter.




A minha edição é a especial limitada da DarkSide Books com capa dura e está perfeita, cheia de fotos do filme. A edição traz também a continuação de A Noite dos Mortos Vivos - A Volta dos Mortos Vivos, que não foi filmada. Recomendo para os que gostam de histórias de zumbis e ação.

Avaliação: ★★★






Até mais.
Beijos e boas leituras. :**

Happy Halloween!!!





quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Apocalipse Z - O Princípio do Fim - Manel Loureiro


De repente, mandaram-nos de volta para o século XIX. Só que cercados de cadáveres ambulantes e lutando para sobreviver. Que panorama mais fodido. p. 101


LOUREIRO, Manel. Apocalipse Z - O princípio do fim. São Paulo: Planeta Brasil, 2010. 365p.

O Princípio do Fim é o primeiro volume da trilogia Apocalipse Z e como o nome sugere trata de um apocalipse zumbi.

A história é narrada em primeira pessoa por um advogado que relata aos leitores do seu blog o que está acontecendo no mundo. Ele mora sozinho com seu gato Lúculo (que é um personagem ótimo) após a perda da sua mulher e começou a escrever um blog para sair da depressão.

O protagonista conta sobre uma epidemia que começou depois de um acidente em um laboratório e como rapidamente se espalhou. Relata o terror das pessoas, a calamidade que ocorre em decorrência disso, cidades sendo evadidas, pessoas se refugiando em bases militares e claro, os zumbis, chamados por ele de não mortos. A eletricidade acaba, a internet não funciona e a partir de então, o advogado começa a relatar o que acontece com ele em um diário.

O ritmo do livro é eletrizante. Tem ação e tensão do início ao fim. Os acontecimentos são narrados no presente, conforme as coisas vão acontecendo o que aproxima o leitor da ação. Apesar de algumas cenas serem muito longas, não me entediei em nenhum momento. A escrita do autor é fluida e o narrador utiliza uma linguagem informal e atual.

Gostei muito da história e estou muito curiosa para saber o que acontece nos próximos volumes. Recomendo muito para quem curte distopias, zumbis e muita ação.

Avaliação: ★★★★

Até mais.
Beijos e boas leituras. :**


sábado, 11 de outubro de 2014

A Ilha do Dr. Moreau - H. G. Wells



Então alguma coisa aconteceu. Até hoje não sei o que foi. Ouvi um grito agudo às minhas costas, um baque, e, virando-me, vi um rosto horrendo que se precipitava sobre mim, e que não era humano, não era animal, mas uma coisa castanha, demoníaca, coberta de cicatrizes rubras que se ramificavam cheias de gotas vermelhas, e olhos sem pálpebras que pareciam fulgurar. p.113

WELLS, H. G. A Ilha do Dr. Moreau. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012. Versão digital. Formato epub. Título Original: The Island of Doctor Moreau. 154p.

Dando continuidade ao mês de Halloween, hoje a resenha é sobre A Ilha do Dr. Moreau, um livro de ficção científica e terror publicado em 1896. 

Após sobreviver a um naufrágio, Charles Prendick é resgatado por um navio e obrigado a desembarcar em uma ilha. Lá ele conhece o Dr. Moreau, um cientista que  fora exilado da Inglaterra após fazer experiências polêmicas. Inicialmente Prendick não entende bem o que acontece na ilha e que trabalho o cientista faz lá, mas aos poucos observa que as pessoas que vivem na ilha, são na verdade estranhas criaturas.

Prendick deseja ir embora da ilha, porém, debilitado, é obrigado a passar um bom tempo lá e se aproxima das criaturas. Cada vez mais envolvido com o que acontece na ilha,  Prendick entende e se horroriza com as experiências do Dr. Moreau que envolvem animais selvagens e o uso de muita crueldade. Moreau mantém suas criaturas em rédea curta através de um sistema de regras quase religiosas criadas por ele. As criaturas dessa forma o respeitam e o temem também. A partir daí a trama se desenvolve rapidamente em um clima de mistério e terror.

O livro levanta diversas reflexões: O que é ser humano e o que nos distingue dos animais irracionais? Qual o limite entre a sanidade e a loucura? Quais os limites éticos da ciência? A ciência e a busca pelo conhecimento podem justificar o uso da crueldade aos animais? Além de denunciar como a nossa sociedade é marcada pelo egoismo, a exploração dos mais fracos e a busca pelo poder, etc.


A história é narrada em primeira pessoa através de uma carta em que Prendick relata a sua experiência na ilha, onze meses após sair de lá. A Ilha do Dr. Moreau traz um personagem comum em histórias de ficção científica e terror: o cientista louco. É um livro muito bem escrito cuja temática é ainda muito atual. A forma como as experiências foram feitas na história parecem inverossímeis (se tivesse sido escrito nos dias de hoje, as experiências seriam genéticas e não através de vivissecção, e a história seria mais crível). Nesse aspecto, o livro é ultrapassado. Porém isso não diminui a genialidade de Wells e a profundidade dos questionamentos suscitados pelo livro. Recomendo a leitura!

Avaliação: ★★★★

Até mais.
Beijos e boas leituras. :**



segunda-feira, 6 de outubro de 2014

[Série de TV] Hemlock Grove


Como estamos no mês do Halloween, vou escrever sobre livros, séries e filmes de terror e sobrenatural. Começo hoje com a série de terror Hemlock Grove, produzida pelo Netflix e baseada no romance homônimo de Brian Mcgreevy.

A história se passa na cidade fictícia de Hemlock Grove na Pensylvania nos EUA e é centrada em dois adolescentes de 18 anos que têm vidas totalmente diferentes, mas se unem a partir de um misterioso assassinato que ocorre na cidade. Uma garota da escola é brutalmente morta aparentemente por uma animal, mas algumas evidências levam a crer que não é um animal qualquer.


Peter Rumancek é um garoto de origem cigana que acaba de se mudar com a mãe Lynda para o trailer onde vivia seu tio antes de morrer. Algumas pessoas na cidade acreditam que ele é um lobisomem. Outras simplesmente o rejeitam por causa da sua origem. Sua prima Destiny também mora na cidade e é uma bruxa.

Roman Godfrey é o herdeiro de um milionário que vive com a mãe, a misteriosa Olivia Godfrey. Olivia tem muitos segredos e exerce grande poder sobre a cidade. Ela é amante do seu ex cunhado Norman Godfrey que tem uma filha, Letha, por quem Roman nutre uma profunda afeição. Letha engravida e alega ter sido por um anjo que a teria visitado enquanto dormia. Roman tem também uma irmã, Shelley. Ela é uma menia estranha, gigante e com o rosto deformado e apesar de ser uma pessoa boa e doce, provoca estranheza e medo em quase todos à sua volta. A família Godfrey comanda as empresas Godfrey e a Torre Branca, o prédio de um instituto de pesquisa que faz experiências misteriosas com seres humanos vivos e mortos. O cientista responsável pelas pesquisas é o dr. Johann Pryce que guarda grandes segredos da família Godfrey.



Após o assassinato da colega da escola, Peter e Roman tornam-se grandes amigos e se unem para descobrir e deter o assassino. Durante essa busca, a verdadeira natureza dos dois e de outros personagens é revelada e eles também têm que lidar com uma misteriosa Ordem que caça lobisomens.


A série é cheia de mistérios e suspense e algumas cenas aterrorizantes. Além de seres sobrenaturais como lobisomens, upir, bruxas, reanimados etc. O final da primeira temporada foi trágico e revelador, mas deixou muita vontade de saber o que virá em seguida. O elenco é excelente, todos trabalham muito bem e tem uma ótima química entre si. A série é muito boa e já estou viciada. Estou começando a segunda temporada. Recomendo para quem gosta de terror, sobrenatural e suspense. Assistam!

Até mais.
Beijos. :**


quinta-feira, 31 de outubro de 2013

[Série de TV] American Horror Story: Coven

Happy halloween!!!

Nada melhor que falar sobre uma história sobre bruxas no dia delas.



American Horror Story é uma série de TV americana de terror, produzida por Brad Falchuk e Ryan Murphy, exibida pelo canal FX. A série conta uma história diferente a cada temporada. Na primeira temporada a história se passava numa casa mal assombrada e na segunda, num hospício. A terceira temporada, Coven, se passa numa escola para jovens bruxas.

Quem toma conta da escola é Cordelia Foxx (Sarah Paulson) que é especialista em poções e ervas medicinais, mas não consegue engravidar nem com feitiços. Ela é filha de Fiona Goode (Jéssica Lange arrasando mais uma vez), uma bruxa terrível e poderosa. Fiona é a supreme, uma espécie de rainha que é mais poderosa que todas as outras bruxas. Ela é obcecada pela juventude e a vida eterna e capaz de qualquer coisa pelo poder.



A série começa mostrando a história de Zoe Benson (Taissa Farmiga). Durante uma relação sexual com o namorado, este morre e logo depois ela descobre que ele morreu por sua causa. Ela é uma bruxa e mata durante o sexo. Ela fica sabendo por sua mãe, que os poderes de bruxa são genéticos, que outras parentes suas eram bruxas e é levada para a escola de bruxas. Na escola conhecemos mais três jovens bruxas: Madison Montgomery (Emma Roberts), uma ex atriz de Hollywood que tem um dom da telecinese e da pirotecnia; Nan (Jamie Brewer) que lê os pensamentos das pessoas, e Queenie (Gabourey Sibile) que é um boneco voodoo humano, tudo que ela quer que aconteça com alguém ela faz nela mesma sem sentir nada e acontece com a outra pessoa.

Zoe e Madison vão a uma festa e conhecem Kyle (Evan Peters). Ele e Zoe se encantam um pelo outro, mas ele morre em um acidente que eu não vou explicar para não dar spoiler. No dia seguinte, Zoe e Madson decidem ressussitá-lo, mas ele volta um pouco diferente. Por causa disso, Zoe acaba conhecendo outra bruxa que era julgada morta, Misty Day (Liliy Rabe) que tem o dom da ressurreição, própria e de outros seres vivos.



Do outro lado da cidade, existe outra vertente de bruxas comandada por Marie Laveau (Angela Basset). Ela pratica a magia voodoo. Ao investigar a história de Marie, Fiona descobre que ela está envolvida no desaparecimento de Madame Delphine LaLaurie (Kathy Bates) que viveu há 180 anos atrás. Ela descobre que Madame Delphine está viva e que ela e Marie são imortais. Fiona procura Marie em busca do segredo da imortalidade, mas ela não está disposta a ajudá-la. Elas se tornam inimigas mortais.



Como nas outras temporadas, a série é bem assustadora. As cenas são fortes, com muita tortura, violência, sangue e crueldade. É terror meeeesmo! E eu adoro rsrs. Esta está sendo, na minha opinião, a melhor temporada. Além do terror, a série tem pitadas de humor com as tiradas sensacionais de Fiona e das bruxinhas. Elas são incríveis. Estou louca para saber o desfecho dessa história. Se você gosta de terror de verdade e de bruxas, não pode perder!

Até a próxima.
Beijos. :**



quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Drácula - Bram Stoker


STOKER, Bram. Drácula. Porto Alegre: L&PM, 2009.  Título original: Dracula. 552 p.

 Drácula é um romance de terror escrito por Bram Stoker e publicado em 1897. O livro narra a caçada de um grupo de pessoas ao terrível Conde Drácula, um vampiro cruel e sanguinário. O romance inspirou todas as histórias de vampiros que conhecemos hoje.
A história começa com a viagem de Jonathan Harker à Transilvânia para tratar de negócios. Ele se hospeda no castelo do Conde Drácula que deseja adquirir propriedades na Inglaterra. A estadia no castelo torna-se cada vez mais longa a pedido do anfitrião e logo Jonathan Harker se vê prisioneiro de Drácula que esconde muitos segredos.

Mas agora não sinto inspiração para descrever tanta beleza. Por isso, prossegui sem parar na minha exploração. Portas, portas e mais portas. Espalhadas para todos os lados, mas todas fechadas e retrancadas. Em algum lugar, salvo através das janelas externas do castelo pode haver uma possibilidade de escapar.
Em outras palavras: o castelo é uma verdadeira prisão e eu agora sou o seu prisioneiro! (Jonathan Harker) p.44

Jonathan descobre que seres terríveis habitam o castelo, como mulheres sedutoras que se alimentam de sangue humano e se dá conta de que Drácula também é um deles.

Que espécie de homem será esse, ou que tipo de criatura ou simples fera está ali oculta sob as feições de um homem? Sinto o terror deste demoníaco lugar aniquilar-me. Estou em pânico - em pânico mortal - e não há uma saída para mim. Estou imobilizado por uma rede de terror sobre a qual o meu cérebro se nega a raciocinar. (Jonathan Harker a respeito de Drácula) p. 55

Jonathan consegue fugir depois de meses sofrendo na mão de Drácula, aproveitando-se de uma viagem de seu anfitrião. Seu cabelo torna-se grisalho por causa do sofrimento e ele está muito abalado. Os sentimentos de Jonathan são muito bem explorados e o livro é cheio de descrições muito bonitas.

Sem que tenha sido vergastado por todos os terríveis sofrimentos que a noite nos nos aflige, ninguém pode avaliar com exatidão como são doces e sutis para o nosso coração e caros para os nossos olhos os primeiros clarões da alvorada. (Jonathan Harker) p. 71

Enquanto Jonathan está fora do país, sua noiva Mina se hospeda na casa da amiga Lucy Westerna que está excitadíssima com os três pedidos de casamento que recebeu. Mas a felicidade de Lucy não dura muito. Uma criatura monstruosa a ataca toda a noite e suga seu sangue. Ela passa a ter febre, delírios constantes e mudanças de comportamento. Ninguém ainda sabe o que aflige Lucy. O Dr. van Helsing, especialista em doenças raras e misteriosas é chamado pelo Dr. Seward, médico e um dos pretendentes de Lucy, para descobrir o que está acontecendo com ela. Van Helsing reconhece que se trata de um vampiro e que ela também está se tornando um deles.
Com a volta de Jonathan depois de conseguir fugir do cativeiro, ele e Mina se casam. Após conversarem com van Helsing, chegam à conclusão de que quem atacou Lucy foi o Conde Drácula. Mina, Jonathan, Dr. van Helsing, Dr. Seward e os outros dois pretendentes de Lucy se juntam numa caçada para destruir o Conde Drácula.

Drácula é um romance epistolar, ou seja, escrito através de cartas e diários, portanto é narrado em primeira pessoa, por diversos personagens. Isso é muito interessante porque conhecemos a história através de vários pontos de vista: Jonathan Harker, Dr. van Helsing, Dr. Seward, Mina Harker, Lucy Westenra, Arthur Holmwood entre outros. Porém, a narrativa peca, ao meu ver, em dois aspectos: primeiro porque não há pontos de vista do próprio Drácula, então não sabemos o que ele pensa, o que o move a ser o que é e se comportar daquele jeito; segundo que o livro é muito maniqueísta. Todos os personagens são muito bons e honestos, com exceção de Drácula que é o Mal encarnado. Mina Harker e Lucy são perfeitas -  lindas, doces, puras, virtuosas, honestas etc. Uma característica bem sexista da literatura daquela época, quando mulheres não podiam ter nenhum defeito ou seriam consideradas indignas. O livro é cheio de expressões como "pobre e doce Lucy", "a bondosa e pura Sra. Harker", "pobre Sr. Harker" etc. O que é muito irritante.

-Impura! Impura! Até o Altíssimo repudia minha carne! Terei que carregar esse estigma da minha maldição sobre a minha testa até o Dia do Juízo Final. (Mina) p. 435

Da sugestiva imagem dessa doce, terna e bondosa mulher em toda a radiante beleza de sua juventude e altivez, ainda embora conscientemente marcada com a cicatriz na testa, a qual inspirava uma vindita de ranger desdentes, sempre que nos lembrávamos de como chegara. Sua adorável ternura contra nosso estranhado ódio, sua inabalável fé contra as as nossas dúvidas e temores; e nós agora sabíamos, até onde os símbolos podiam alcançar, que ela, tão bem dotada de fé, bondade e pureza, fora excomungada por Deus. (Jonathan Harker sobre Mina Harker) p.451

Somente o Drácula é descrito como sendo o oposto dos outros personagens. Ele é terrível, um monstro, sádico, maligno etc. Drácula foi inspirado em Vlad III, o empalador, príncipe da Valáquia. Ele é conhecido pelas atrocidades que cometeu contra os inimigos. É apresentado no livro sem qualquer resquício de humanidade. Mas fiquei pensando: como seria um livro em que houvesse pontos de vistas de Drácula? Seria assim tão desprovido de caráter e virtudes?

Mina também é descrita como muito inteligente, culta e uma grande estrategista que ajuda no planejamento da caçada ao Drácula e faz importantes observações sobre ele.

- O Conde é um delinquente qualificado como criminoso típico. Nordau e Lombroso o qualificariam assim; e como criminoso, seu quadro mental apresenta lacunas e deformações. Daí, quando em dificuldade, não hesitar a recorrer aos seus hábitos. Seu passado já nos fornece um sólido indício, e a única página que conhecemos e na qual este passado está sintetizado, portanto colhida de seus próprios lábios diz-nos que uma vez, anteriormente, quando confinado numa área que o Sr. Morris chamou de "espaço exíguo", ele retornou do país que pretendera invadir para a sua própria terra. (Mina Harker) p. 499

O personagem mais interessante, na minha opinião, é o paciente do Dr. Seward, Renfield, um louco obcecado por sangue de animais. Em meio aos delírios, Renfield tem momentos de lucidez e parece entender Drácula como nenhuma outra pessoa na história.

- Na verdade, dedico a este assunto total indiferença. Meu ciclo vital satisfaz-me plenamente. Disponho de reservas suficientes. Agora, Doutor, se o senhor pretende prosseguir em seu estudo sobre a zoofagia vai ter que arranjar um novo paciente. (Renfield para o Dr. Seward) p. 397

- Não preciso de alma alguma! Sim, não preciso mesmo, não preciso! Jamais poderia utilizá-las, se as possuísse. Elas realmente não teriam nada que me pudesse dar. Não poderia alimentar-me com elas... (Renfield) p.398

-Sangue é vida! (Renfield)

Escrever esta resenha me deu muito trabalho, mas também muito prazer porque eu li Drácula no início deste ano, então tive que procurar as citações no livro para fundamentar minha opinião. Ainda assim eu devo ter deixado de lado muitas observações sobre o livro porque agora não me lembro mais, nem consegui achar as passagens. Bram Stoker faz críticas à sociedade inglesa, ao capitalismo e faz observações sobre religião. Tentei achar essas passagens no livro, mas não consegui.

Apesar de algumas falhas que apresenta, como eu já apontei, eu gostei muitíssimo do livro. É muito bem escrito, com uma linguagem clara (apesar do vocabulário antigo) e poética. Tensão e suspense estão presentes o tempo todo, dando uma atmosfera de terror que o autor queria. Eu senti o medo em cada um dos personagens, mesmo nos momentos em que estavam mais determinados e confiantes na caçada. Apesar de eu ter me irritado em alguns momentos, considero o livro excelente pela história que é muito boa e pela influência que exerceu sobre obras posteriores. Não é à toa que é considerado um clássico da literatura de terror.

Avaliação: ★★★★★ 

Filme: Drácula foi adaptado diversas vezes para o cinema. Eu me lembro de ter assistido uma adaptação bem antiga, mas não me lembro de que ano era, mas amo a adaptação do Coppola, apesar de ser tão diferente do livro. O filme, de 1992, é romântico, Drácula é mais humano e tem uma história de amor do passado que o levou a tornar-se um vampiro. Ele e Mina se apaixonam no filme, o que não acontece no romance de Bram Stoker. Após ser mordida por Drácula e beber seu sangue, Mina realmente passou a se sentir ligada a ele e a ver o que ele via, mas não existe nenhuma relação de amor ou admiração entre eles no livro. Confesso que, em um primeiro momento, eu me decepcionei um pouco com o livro porque, como fã do filme do Coppola, esperava encontrar elementos do filme nele. Eu gostei bastante da adaptação no roteiro. Mas são obras muito diferentes e recomendo tanto uma como outra. 
Gary Oldman, como Drácula, está impecável. E Anthony Hopkins como van Helsing está perfeito, como sempre. Ator como ele não existe! O filme ganhou vários prêmios técnicos como maquiagem, som, efeitos sonoros, figurinos etc. É um filme tecnicamente e visualmente maravilhoso e tem uma trilha sonora inesquecível!




Até a próxima.
Beijos.


domingo, 30 de setembro de 2012

Carmilla: A Vampira de Karnstein - Sheridan Le Fanu


Atualização em 26/10/2012: Modifiquei e acrescentei informações à resenha porque estava muito simples. 

Eu sempre gostei de filmes de vampiros, mas até este ano ainda não havia lido nenhum livro sobre eles. Resolvi começar pelos clássicos: Dracula e Carmilla.

"Carmilla: A Vampira de Karnstein" foi publicado em 1872, antes de Dracula, e influenciou Bram Stoker. Carmilla é a primeira vampira da literatura com as características que conhecemos dos vampiros hoje em dia: a mitologia, a forma como podem morrer e o componente sexual. Carmilla usa sensualidade e sedução para atrair suas vítimas. No caso dela, as vítimas são sempre do sexo feminino. Sim, é uma vampira lésbica. Imagino que deu no que falar na época.

Laura vive em um castelo na Transilvânia que pertenceu à antiga família Karnstein. Seu pai encontra na estrada uma senhora misteriosa que pede a ele que cuide da sua filha doente enquanto ela resolve problemas no exterior. Embora considere o pedido curioso vindo de uma estranha, ele resolve abrigar a jovem Carmilla.

Carmilla é descrita como tendo uma pele muito branca e feições muito bonitas. Ela dorme o dia todo, só se levantando no final do dia. Carmilla conta que é de origem nobre de uma família antiga e que vive no oeste. Ela e Laura ficam amigas por insistência de Carmilla que faz tudo pra ficar próxima de Laura. Aos poucos Carmilla seduz Laura que se sente confusa com os sentimentos que nutre pela misteriosa amiga.

A verdade é que meu sentimento em relação à bela estranha era inexplicável. Eu e sentia, como ela disse, "atraída" por ela, mas havia também uma certa repulsa. Nesse sentimento ambivalente contudo, prevalecia a atração. Ela me interessou e me conquistou; era também absolutamente formosa e indescritivelmente cativante. p. 62

Laura começa a ter visões e pesadelos à noite e o pai teme por sua saúde e sua vida. Enquanto isso, começam a se espalhar boatos sobre estranhos acontecimentos na região.

O livro é narrado em primeira pessoa por Laura, uma das vítimas que se apaixona por Carmilla. A narrativa é deliciosa, cheia de erotismo, tensão e suspense. Ambientada em cenários góticos como castelos, vilarejos abandonados e capelas assombradas, a história é sombria e misteriosa. Não consegui parar de ler! Muito envolvente!


A jovem tinha o hábito de me puxar, com seus lindos braços, pelo pescoço, encostar a face à minha, e murmurar em meu ouvido: "Querida, teu coraçãozinho está magoado; não me consideres cruel por obedecer à lei irresistível da minha força e da minha fraqueza; se o teu querido coração está magoado, meu coração selvagem sangra. No êxtase da minha tremenda humilhação, vivo no calor da tua vida, e tu haverás de morrer... morrer, morrer languidamente... na minha. Não consigo evitá-lo; assim como me aproximo de ti, vais te aproximar de terceiros, e tomarás consciência do êxtase dessa crueldade, que contudo não deixa de ser amor; portanto não queiras saber mais a meu respeito e a respeito da minha família, mas confia em mim com todo o teu espírito."
E depois de de pronunciar tal rapsódia, apertava-me num abraço trêmulo, e seus lábios tocavam meu rosto com beijos delicados. p. 67

Esta edição da editora Hedra traz ainda uma introdução muito boa de Alexander Meireles da Silva que conta a história dos mitos sobre vampiros e sobre vampiros na literatura e no cinema.

Avaliação: ★★★★★ 

Até mais. 
Beijo.

Série de TV - Raised by Wolves

Terminei de assistir ontem à nova série original HBO Max. Já vou começar dizendo que recomendo para quem gostou de Battlestar Ga...