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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Persuasão - Jane Austen



As ruas de Bath nunca viram mais belos devaneios de amor intenso e de fidelidade eterna que os de Anne enquanto caminhava de Camden Place a Westgate Buildings. Era quase suficiente para espargir purificação e perfume pelo caminho. p.195


Persuasão conta a historia de Anne Elliot, uma jovem de 27 anos, embora naquela época já não fosse considerada tão jovem. Anos antes Anne e o Sr. Wentworth se apaixonaram, mas como ele não tinha uma boa posição econômica na época, Anne foi convencida por Lady Russel, uma amiga da família, a recusar seu pedido de casamento, o que logo lhe causou um arrependimento.


Anne reencontra o Sr. Wentworth, 8 anos depois. Agora capitão da marinha, Wentworth, tornou-se um bem sucedido e promissor oficial. O reencontro estremece os sentimentos dos dois e aos poucos, apesar da mágoa, a paixão ressurge . O livro é muito romântico. É linda a forma como Jane Austen descreve esse amor despontando de forma sutil em pequenos gestos, diálogos e comportamentos dos dois personagens. Anne Elliot é uma personagem muito inteligente e sensível, mas que escolheu viver de acordo com o que a sociedade esperava dela e Wentworth, muito apaixonado, embora orgulhoso e contido. É uma história sobre espera, reencontro, superação de mágoas e amadurecimento dos sentimentos.

As sensações diante da descoberta a deixaram sem palavras. Ela não conseguiu sequer agradecer. Limitou-se a voltar-se ao pequeno Charles com os sentimentos totalmente confusos. A gentileza demonstrada por ele em ajudá-la, a forma como tinha feito, o silêncio em que tudo aconteceu, as pequenas particularidades daquela circunstância e a convicção logo alcançada (...) p.85

Um homem não se recupera de tamanha devoção por uma mulher como ela. Ele não deve...não consegue. (Capitão Wentworth) p.186

O livro faz também uma crítica aos costumes da época e propõe uma reflexão sobre a situação das mulheres e a forma como eram tratadas e vistas, como na passagem abaixo:

- Mas detesto ouvi-lo falar assim, como um distinto cavalheiro, e como se todas as mulheres fossem damas encantadoras, e não criaturas racionais. Nenhuma de nós espera encontrar a calmaria todos os dias. (Sra. Musgrove) p.72

A minha relação com este livro é de amor e ódio. Comecei achando chato, depois me encantei com algumas passagens, aí me entediei novamente e por fim gostei muito!  O que eu não gostei foram as páginas e páginas descrevendo personagens pouco importantes e intermináveis mexericos entre algumas personagens. Confesso que tive que pular algumas páginas. Demorei muito para ler este livro. Abandonei várias vezes para ler outros, mas quando finalmente a leitura engrenou fiquei muito feliz por isso.

A narração é em terceira pessoa, com interferências de Jane Austen comentando sobre os acontecimentos e dando opiniões sobre os personagens. Como sempre, Austen é irônica, faz ótimas críticas aos costumes de sua época e constrói os personagens com uma riqueza descritiva impressionante. É um bom livro e considerado o mais maduro de Austen. Anne Elliot é uma personagem mais velha que as outras heroínas de Austen que têm por volta de 17 anos. É também considerado o mais romântico. Gostei!

Avaliação: ★★★

Ainda não assisti à adaptação da BBC, mas pretendo fazê-lo em breve e conto o que achei.

Até a próxima.
Beijos.



Aviso #1. Acho que nem deu tempo de verem o último post com o meme Natal me faz lembrar. Não deixem de dar uma olhadinha. Indiquei 10 blogs para participar. ;)

Aviso #2. Estou completamente enrolada com o novo emprego e por isso não estou tendo tempo para visitar todos os blogs amigos. Mas assim que estiver mais tranquila, vou responder os comentários e visitar os blogs. :)

=**

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Drácula - Bram Stoker


STOKER, Bram. Drácula. Porto Alegre: L&PM, 2009.  Título original: Dracula. 552 p.

 Drácula é um romance de terror escrito por Bram Stoker e publicado em 1897. O livro narra a caçada de um grupo de pessoas ao terrível Conde Drácula, um vampiro cruel e sanguinário. O romance inspirou todas as histórias de vampiros que conhecemos hoje.
A história começa com a viagem de Jonathan Harker à Transilvânia para tratar de negócios. Ele se hospeda no castelo do Conde Drácula que deseja adquirir propriedades na Inglaterra. A estadia no castelo torna-se cada vez mais longa a pedido do anfitrião e logo Jonathan Harker se vê prisioneiro de Drácula que esconde muitos segredos.

Mas agora não sinto inspiração para descrever tanta beleza. Por isso, prossegui sem parar na minha exploração. Portas, portas e mais portas. Espalhadas para todos os lados, mas todas fechadas e retrancadas. Em algum lugar, salvo através das janelas externas do castelo pode haver uma possibilidade de escapar.
Em outras palavras: o castelo é uma verdadeira prisão e eu agora sou o seu prisioneiro! (Jonathan Harker) p.44

Jonathan descobre que seres terríveis habitam o castelo, como mulheres sedutoras que se alimentam de sangue humano e se dá conta de que Drácula também é um deles.

Que espécie de homem será esse, ou que tipo de criatura ou simples fera está ali oculta sob as feições de um homem? Sinto o terror deste demoníaco lugar aniquilar-me. Estou em pânico - em pânico mortal - e não há uma saída para mim. Estou imobilizado por uma rede de terror sobre a qual o meu cérebro se nega a raciocinar. (Jonathan Harker a respeito de Drácula) p. 55

Jonathan consegue fugir depois de meses sofrendo na mão de Drácula, aproveitando-se de uma viagem de seu anfitrião. Seu cabelo torna-se grisalho por causa do sofrimento e ele está muito abalado. Os sentimentos de Jonathan são muito bem explorados e o livro é cheio de descrições muito bonitas.

Sem que tenha sido vergastado por todos os terríveis sofrimentos que a noite nos nos aflige, ninguém pode avaliar com exatidão como são doces e sutis para o nosso coração e caros para os nossos olhos os primeiros clarões da alvorada. (Jonathan Harker) p. 71

Enquanto Jonathan está fora do país, sua noiva Mina se hospeda na casa da amiga Lucy Westerna que está excitadíssima com os três pedidos de casamento que recebeu. Mas a felicidade de Lucy não dura muito. Uma criatura monstruosa a ataca toda a noite e suga seu sangue. Ela passa a ter febre, delírios constantes e mudanças de comportamento. Ninguém ainda sabe o que aflige Lucy. O Dr. van Helsing, especialista em doenças raras e misteriosas é chamado pelo Dr. Seward, médico e um dos pretendentes de Lucy, para descobrir o que está acontecendo com ela. Van Helsing reconhece que se trata de um vampiro e que ela também está se tornando um deles.
Com a volta de Jonathan depois de conseguir fugir do cativeiro, ele e Mina se casam. Após conversarem com van Helsing, chegam à conclusão de que quem atacou Lucy foi o Conde Drácula. Mina, Jonathan, Dr. van Helsing, Dr. Seward e os outros dois pretendentes de Lucy se juntam numa caçada para destruir o Conde Drácula.

Drácula é um romance epistolar, ou seja, escrito através de cartas e diários, portanto é narrado em primeira pessoa, por diversos personagens. Isso é muito interessante porque conhecemos a história através de vários pontos de vista: Jonathan Harker, Dr. van Helsing, Dr. Seward, Mina Harker, Lucy Westenra, Arthur Holmwood entre outros. Porém, a narrativa peca, ao meu ver, em dois aspectos: primeiro porque não há pontos de vista do próprio Drácula, então não sabemos o que ele pensa, o que o move a ser o que é e se comportar daquele jeito; segundo que o livro é muito maniqueísta. Todos os personagens são muito bons e honestos, com exceção de Drácula que é o Mal encarnado. Mina Harker e Lucy são perfeitas -  lindas, doces, puras, virtuosas, honestas etc. Uma característica bem sexista da literatura daquela época, quando mulheres não podiam ter nenhum defeito ou seriam consideradas indignas. O livro é cheio de expressões como "pobre e doce Lucy", "a bondosa e pura Sra. Harker", "pobre Sr. Harker" etc. O que é muito irritante.

-Impura! Impura! Até o Altíssimo repudia minha carne! Terei que carregar esse estigma da minha maldição sobre a minha testa até o Dia do Juízo Final. (Mina) p. 435

Da sugestiva imagem dessa doce, terna e bondosa mulher em toda a radiante beleza de sua juventude e altivez, ainda embora conscientemente marcada com a cicatriz na testa, a qual inspirava uma vindita de ranger desdentes, sempre que nos lembrávamos de como chegara. Sua adorável ternura contra nosso estranhado ódio, sua inabalável fé contra as as nossas dúvidas e temores; e nós agora sabíamos, até onde os símbolos podiam alcançar, que ela, tão bem dotada de fé, bondade e pureza, fora excomungada por Deus. (Jonathan Harker sobre Mina Harker) p.451

Somente o Drácula é descrito como sendo o oposto dos outros personagens. Ele é terrível, um monstro, sádico, maligno etc. Drácula foi inspirado em Vlad III, o empalador, príncipe da Valáquia. Ele é conhecido pelas atrocidades que cometeu contra os inimigos. É apresentado no livro sem qualquer resquício de humanidade. Mas fiquei pensando: como seria um livro em que houvesse pontos de vistas de Drácula? Seria assim tão desprovido de caráter e virtudes?

Mina também é descrita como muito inteligente, culta e uma grande estrategista que ajuda no planejamento da caçada ao Drácula e faz importantes observações sobre ele.

- O Conde é um delinquente qualificado como criminoso típico. Nordau e Lombroso o qualificariam assim; e como criminoso, seu quadro mental apresenta lacunas e deformações. Daí, quando em dificuldade, não hesitar a recorrer aos seus hábitos. Seu passado já nos fornece um sólido indício, e a única página que conhecemos e na qual este passado está sintetizado, portanto colhida de seus próprios lábios diz-nos que uma vez, anteriormente, quando confinado numa área que o Sr. Morris chamou de "espaço exíguo", ele retornou do país que pretendera invadir para a sua própria terra. (Mina Harker) p. 499

O personagem mais interessante, na minha opinião, é o paciente do Dr. Seward, Renfield, um louco obcecado por sangue de animais. Em meio aos delírios, Renfield tem momentos de lucidez e parece entender Drácula como nenhuma outra pessoa na história.

- Na verdade, dedico a este assunto total indiferença. Meu ciclo vital satisfaz-me plenamente. Disponho de reservas suficientes. Agora, Doutor, se o senhor pretende prosseguir em seu estudo sobre a zoofagia vai ter que arranjar um novo paciente. (Renfield para o Dr. Seward) p. 397

- Não preciso de alma alguma! Sim, não preciso mesmo, não preciso! Jamais poderia utilizá-las, se as possuísse. Elas realmente não teriam nada que me pudesse dar. Não poderia alimentar-me com elas... (Renfield) p.398

-Sangue é vida! (Renfield)

Escrever esta resenha me deu muito trabalho, mas também muito prazer porque eu li Drácula no início deste ano, então tive que procurar as citações no livro para fundamentar minha opinião. Ainda assim eu devo ter deixado de lado muitas observações sobre o livro porque agora não me lembro mais, nem consegui achar as passagens. Bram Stoker faz críticas à sociedade inglesa, ao capitalismo e faz observações sobre religião. Tentei achar essas passagens no livro, mas não consegui.

Apesar de algumas falhas que apresenta, como eu já apontei, eu gostei muitíssimo do livro. É muito bem escrito, com uma linguagem clara (apesar do vocabulário antigo) e poética. Tensão e suspense estão presentes o tempo todo, dando uma atmosfera de terror que o autor queria. Eu senti o medo em cada um dos personagens, mesmo nos momentos em que estavam mais determinados e confiantes na caçada. Apesar de eu ter me irritado em alguns momentos, considero o livro excelente pela história que é muito boa e pela influência que exerceu sobre obras posteriores. Não é à toa que é considerado um clássico da literatura de terror.

Avaliação: ★★★★★ 

Filme: Drácula foi adaptado diversas vezes para o cinema. Eu me lembro de ter assistido uma adaptação bem antiga, mas não me lembro de que ano era, mas amo a adaptação do Coppola, apesar de ser tão diferente do livro. O filme, de 1992, é romântico, Drácula é mais humano e tem uma história de amor do passado que o levou a tornar-se um vampiro. Ele e Mina se apaixonam no filme, o que não acontece no romance de Bram Stoker. Após ser mordida por Drácula e beber seu sangue, Mina realmente passou a se sentir ligada a ele e a ver o que ele via, mas não existe nenhuma relação de amor ou admiração entre eles no livro. Confesso que, em um primeiro momento, eu me decepcionei um pouco com o livro porque, como fã do filme do Coppola, esperava encontrar elementos do filme nele. Eu gostei bastante da adaptação no roteiro. Mas são obras muito diferentes e recomendo tanto uma como outra. 
Gary Oldman, como Drácula, está impecável. E Anthony Hopkins como van Helsing está perfeito, como sempre. Ator como ele não existe! O filme ganhou vários prêmios técnicos como maquiagem, som, efeitos sonoros, figurinos etc. É um filme tecnicamente e visualmente maravilhoso e tem uma trilha sonora inesquecível!




Até a próxima.
Beijos.


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Anna Kariênina - Liev Tolstói




"Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira." 


Demorei porque o livro é bem longo. São 800 páginas com uma letra miudinha e espaçamento pequeno, sem falar na intensidade da história e na complexidade dos personagens que demandam uma leitura lenta, saboreando cada palavra e refletindo. Como em todo livro russo, primeiro tive que me acostumar com todos os nomes, segundos nomes, sobrenomes e apelidos pelos quais os personagens são chamados, mas a partir daí a história me envolveu totalmente.

O romance conta a história de Anna, casada desde muito nova com Aleksiei Aleksándrovitch Kariênin. Eles têm um filho pequeno e moram em São Petersburgo. Quando Anna, em visita ao irmão em Moscou, conhece o Conde Aleksiei Vrónski na estação de trem, os dois se apaixonam imediatamente. A partir daí começa um história de amor  proibida, intensa e muito sofrida entre os dois. Anna se entrega a esse amor, mas sofre muito por isso e a dor causa muitas mudanças na sua personalidade. Os sentimentos dos três personagens são muito bem explorados e descritos de forma poética e muito bonita.

(...) Desculpou-se e estava prestes a entrar no vagão, mas sentiu necessidade de observá-la outra vez - não por ser muito bonita, nem por ter uma graça elegante e discreta, que se percebia em toda a sua pessoa, mas porque, na expressão do rosto gracioso, ao passar por ele, havia algo especialmente meigo e delicado. Quando olhou para trás, ela também virou a cabeça. Os olhos brilhantes e cinzentos, que pareciam escuros devido aos cílios espessos, pousaram com simpatia no rosto de Vrónski, como se ela o tivesse reconhecido, mas, logo depois, voltou-se para a multidão que se aproximava, como que à procura de alguém. Nesse breve olhar, Vrónski teve tempo de perceber uma vivacidade contida, que ardia em seu rosto e esvoaçava entre os olhos brilhantes e o sorriso quase imperceptível, que arqueava os lábios rosados. Parecia que o excesso de alguma coisa inundava o seu ser e, a despeito da vontade dela, se expressava, ora no brilho do olhar, ora no sorriso. Intencionalmente, a mulher apagou a luz dos olhos, mas essa mesma luz cintilou, à sua revelia no sorriso quase imperceptível. p.73

Nunca nenhum livro me fez sentir tão íntima dos personagens como este. Mais que íntima, eu me senti na pele deles. Odiei e amei cada um deles. Tolstói tinha uma sensibilidade impressionante para entender as pessoas com suas peculiaridades de caráter e sentimento. Senti pena, raiva, estranheza, amor pelos personagens como acontece na vida.

A narração é em terceira pessoa, mas em cada capítulo através do ponto de vista de um personagem. A trama é tão rica que permite perceber como cada pequeno acontecimento influencia as ideias e sentimentos dos personagens, desde a roupa que alguém usa até as expressões do rosto ou as palavras. Os sentimentos e pensamentos dos personagens são descritos tão minuciosamente que eu consegui entendê-los mesmo quando senti raiva por suas escolhas.

Através dos pensamentos e falas dos personagens, fica claro o que pensam sobre o amor, o casamento, os valores morais da época, religião e também acompanhamos a situação da Rússia czarista. Os personagens conversam sobre política e economia e discutem a situação dos mujiques (camponeses) no campo.

A trama não gira somente em torno de Anna, mas tem vários núcleos. Tolstói se inspirou em pessoas do seu convívio para construir os personagens. O mais interessante deles, Liévin, é um alter ego seu. Através de Liévin sabemos o que Tolstói pensava - sua opinião sobre moralidade, política e economia. Nesta edição da Cosac Naify, lindíssima e traduzida diretamente do russo, há uma apresentação do tradutor Rubens Figueiredo através da qual tomei conhecimento de que o romance de Liévin e Kitty foi inspirado no casamento de Tolstói e de como as circunstâncias trágicas da sua vida, na época em que escreveu o livro, influenciaram sua escrita.

O livro é lindo, envolvente, triste e com os personagens mais bem construídos que já li. É uma leitura densa e reflexiva. Ao terminar de ler fiquei muito tempo com todos aqueles sentimentos de alegria, paixão e dor que vivi junto com eles dentro de mim. Pretendo reler muitas vezes! Não só recomendo, como acredito que seja obrigatório para quem quer conhecer um livro muitíssimo bem escrito! Os russos são muito bons mesmo! Intensos, sensíveis e escritores extraordinários!

Avaliação: ★★★★★★ Obra-prima! 

Existem mais de 10 adaptações para o cinema de Anna Karenina. Eu assiti a duas: uma adaptação fraquinha de 1997 com Sophie Marceau, Sean Bean e Alfred Molina e uma russa de 1967 que dizem ser a melhor, até agora. Baixei e pretendo assistir também adaptação de 1948 com a linda Vivien Leigh. No final deste ano estréia uma nova versão do diretor inglês Joe Wright com Keira Knightley, Jude Law e Aaron Taylor-Johnson. Estou muito ansiosa para assistir porque adoro os atores.





Até mais.
Beijo.


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Orgulho e Preconceito - Jane Austen



Não aguentei de ansiedade e comecei a ler antes do que tinha planejado e não me arrependo. Li em dois dias. Só não li de uma vez porque o sono não deixou! O livro é ótimo, leve e envolvente. Impossível não se encantar com a história e os personagens. Todos muito bem construídos. Os diálogos são irônicos e divertidos. Aliás, a ironia está presente em todo o livro (esta é uma das características de Jane Austen).

O livro trata das relações dos personagens no interior da Inglaterra. Em nenhum momento se fala da situação política ou fato importante ligado ao país, mas isso não torna o livro chato nem superficial. Toda a emoção dos personagens ao longo da história e a forma como é descrita prende a atenção do leitor.

Além disso, Austen usa a ironia e os personagens para fazer uma crítica à sociedade conservadora da sua época e à situação das mulheres que não tinham direito à propriedade e deviam se casar para sobreviver.

Os personagens são tipos curiosos: a mãe superficial que só pensa em casar as cinco filhas com qualquer um que dê a elas uma boa condição de vida (quanta raiva senti dessa mãe em alguns momentos!); o pai irônico e às vezes desligado (senti pena dele por ser casado com aquela chata); Jane, a filha mais velha, gentil e generosa; Lydia, a inconsequente filha mais nova; Elizabeth ou Lizzy, a segunda filha, uma heroína nada convencional (irônica, teimosa e que julga as pessoas pelas primeiras impressões) e Mr. Darcy (Ahhh, Mr. Darcy...muitos suspiros).

"Só pense no passado se as lembranças forem boas."
- Elizabeth Bennet


O amor entre Elizabeth Bennet e Mr. Darcy é lindo e acontece devagar. Eu pude sentir o afeto de Lizzy por ele se transformar ao longo da história. Sem nenhum beijo, nem abraço, nem carinho entre os protagonistas, o livro consegue passar toda a paixão crescendo entre os dois e também a transformação que eles sofrem. Lindo! Uma delícia!


- Como começou? - perguntou ela. - Posso compreender perfeitamente como evoluiu depois do primeiro passo; mas o que o impulsionou? 

- Não posso fixar a hora, o lugar, o olhar, ou as suas palavras que basearam meus sentimentos. Começou há muito tempo. E já estava no meio antes que eu percebesse que tinha começado.


A edição que eu li (BestBolso) tem ainda um prefácio de Julia Romeu que conta um pouco da vida de Jane Austen e as circunstâncias em que escreveu seus livros e uma introdução de Lúcio Cardoso que fala um pouco sobre o livro. Apesar desse cuidado, a edição tem alguns problemas: o material de que é feita a capa é de péssima qualidade (a tinta já está soltando), e encontrei alguns errinhos de português (concordância) e de revisão.

Avaliação: ★★★★★ 

Filme: Foram feitas oito versões de "Orgulho e Preconceito" para o cinema e uma para a TV. Eu assiti ao filme de 2005 com Keira Knightley, Matthew MacFadyen, Rosamund Pike, Carey Mulligan, Donald Sutherland e Judi Dench.
O filme é muito bonito e fiel ao livro. Keira e Matthew têm muita química entre eles, os cenários são lindos e a trilha sonora também. Gostei bastante.
Quero muito assistir também à minissérie da BBC de 1995 com Colin Firth e Jennifer Ehle. Alguém assistiu?


Amanhã retomo a leitura de "Anna Kariênina" que interrompi, mas estava ótima! Em alguns dias escrevo a resenha sobre o livro.

Beijo.






Série de TV - Raised by Wolves

Terminei de assistir ontem à nova série original HBO Max. Já vou começar dizendo que recomendo para quem gostou de Battlestar Ga...