O dever de manter a honra dos bretões é uma responsabilidade que pesa sobre todos os guerreiros. Mas a própria sobrevivência do oeste exige que nossas ações reflitam a glória da nossa causa. (Artorex) p.388
Quando Uther conheceu Ygerne, casada com Gorlois, ele a desejou imediatamente e mandou o marido para uma batalha suicida. Uther casou-se com a viúva e quando ela engravidou, e deu à luz um menino, ele entregou o bebê e ordenou que ele fosse morto. Uther temia que o filho fosse de Gorlois e que se vingasse da morte do pai. Contrariando a ordem do rei, o bispo Lucius entregou o menino, que era na verdade filho de Uther, e o enviou para ser criado por uma família de origem romana na distante Quinta Poppiniddii.
O Filho do Dragão conta a história desse menino, que foi chamado de Artorex e cresceu sem conhecer a sua origem real. Artorex foi criado por Ector, sua esposa Livínia e a criada Frith. Tinha um irmão de criação: Caius que se tornou um homem cruel. Quando Artorex tinha catorze anos, três nobres visitantes apareceram na Quinta Poppinidii: Myrddion Merlinus, Luka, e Llanwith pen Bryn. Ao verem verem o menino eles notaram a semelhança com Uther e incumbiram Ector de dar a Artorex treinamento de um guerreiro.
Artorex treinou durante muito tempo e desenvolveu habilidades para as batalhas. Cresceu, tornou-se um homem forte, honesto e honrado e assumiu a função de intendente da Quinta. Casou-se com a romana Gallia e teve uma filha. Mas os três visitantes voltaram à Quinta Poppinidii e levaram Artorex para Venta Belgarum para ser um guerreiro de Uther Pendragon afastando-o da vida simples que tanto gostava. Artorex tornou-se então um grande guerreiro e ainda sem saber da sua origem, ganhou muitas batalhas contra os saxões. Artorex conquistou o respeito do povo e já era um grande homem antes de se tornar rei, o que aconteceu graças à vontade e influência dos três viajantes.
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Eu amo as lendas sobre o Rei Arthur! Vira e mexe e eu pego um livro ou filme sobre o assunto. Meu primeiro contato com as lendas arturianas foi com o filme da Disney A Espada Era a Lei. Vi vários filmes, li As Brumas de Avalon que eu adoro e há uns 4 ou 5 anos li As Crônicas de Artur do Bernard Cornwell que é minha paixão. É a melhor versão sobre as lendas na minha opinião.
Quando vi em blogs essa nova série Crônicas do Rei Arthur não pensei duas vezes e comprei o primeiro volume, mesmo achando que dificilmente iria superar a perfeição que é a trilogia de Cornwell. Eu gostei bastante do livro, mas é impossível não compará-lo aos de Cornwell porque as duas versões se propõem a falar sobre um Arthur histórico, distanciado da fantasia dos poemas épicos da idade média, dos livros do T. H. White e das Brumas. Então me desculpem se na resenha eu comparo as duas obras.
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A história é narrada em terceira pessoa e é muito bem contada, dinâmica, com muita ação, batalhas bem detalhadas, ótimas descrições sobre os costumes da época. Muitos nomes são diferentes no livro como Myrddion Merlinus (Merlin), Ygerne (Igraine) e Artorex, mas este é chamado de Artor depois (Artor-Rex / Artor Rei). A autora também optou por usar os nomes originais romanos das cidades como Aquae Sulis que é Bath e Venta Belgarum que é Winchester.
A autora, M. K. Hume é historiadora e especialista nas lendas arturianas, então o trabalho de pesquisa da época é excelente, mas senti falta dos excelentes personagens de Cornwell. O Merlin de Cornwell por exemplo é um dos meus personagens favoritos de todos os tempos (por causa dele, escolhi o nome do meu gato). Os personagens de O Filho do Dragão são bons, as personalidades de Artorex, Caius e mais alguns guerreiros são interessantes e bem trabalhadas, mas faltou o humor e a sensibilidade de Cornwell para criar personagens intensos, sarcásticos e apaixonantes. Demorei a gostar dos personagens do livro. Da metade do livro em diante é que começaram a me cativar, inclusive o próprio Artorex. Mas tudo isso é compensado pela história envolvente, ágil, excitante e bem construída!
Da metade em diante a história fica ainda melhor com a aproximação do momento em que Artorex torna-se rei. O fato de ele tornar-se realmente rei foi uma das coisas de que mais gostei no livro, já que na versão de Cornwell, que eu amo, ele é mostrado como um grande guerreiro que nunca foi rei. O final é extremamente envolvente e emocionante! A versão de Cornwell continua no topo da minha lista, mas O Filho do Dragão é um excelente livro. Já estou louca para ler as continuações. Recomendo! Vale muito a pena!
Avaliação: ★★★★★ ♥
Beijos.