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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Mentirosos - E. Lockhart



Bem vindo à família Sinclair.
Ninguém é criminoso.
Ninguém é viciado.
Ninguém é um fracasso.
Os Sinclais são atleticos, altos e lindos. Somos democratas, tradicionais e ricos. Nosso sorriso é largo, temos queixo quadrado e sacamos forte no tênis. p.13

LOCKHART, E. Mentirosos. São Paulo: Seguinte, 2014. Título Original: We Were Liars. 272 p.

Cadence pertence à família Sinclair. Uma família muito rica influente que passa todos os verões em sua ilha particular, Beechwood. O avô de Cadence, Harris, mora na maior casa da ilha. Suas três filhas moram nas outras três casas. Os membros de sua família vivem de aparência e evitam falar de suas próprias falhas ou admitir seus erros. Tudo que importa para eles é o dinheiro, o prestígio, as belas casas cheias de objetos valiosos. 

Cadence tem alguns primos de mesma idade que ela com quem ela tem uma ótima relação e com quem vive muitas aventuras. Eles são chamados de Mentirosos. Além dos primos, o sobrinho do namorado de sua tia, um indiano, também passa os verões em Beechwood. No verão em que Cadence tinha 15 anos, o verão dos 15, como ela chama, um acidente aconteceu, mas ela perdeu a memória, passou a ter dores de cabeça terríveis, parou de estudar e se viciou em analgésicos por causa disso. 

No ano seguinte Cadence não foi à ilha. Em vez disso, viajou à Europa com o pai. Os médicos acharam melhor que ela ficasse longe da ilha por um tempo. Mas no verão dos 17 ela retorna à ilha para tentar descobrir o que aconteceu, já que a família não diz nada. Cadence percorre todos os locais em que passou no verão dos 15 e aos poucos sua memória retoma e ela se dá conta de que algo terrível aconteceu.

Mentirosos é um thriller psicológico e também um Y.A. A história é narrada em primeira pessoa por Cadence e alterna acontecimentos no presente e no passado. No início do livro há um mapa da ilha e suas casas e também uma árvore genealógica o que facilita a compreensão da história com tantos nomes de pessoas e lugares. E. Lockhart escreve bem. A linguagem é às vezes poética e noutras entrecortada, confusa, demonstrando o estado emocional de Cadence. Em alguns momentos Cadence conta os acontecimentos na ilha comparando sua família a contos de fadas numa versão diferente da original.  Existe o tempo todo um mistério no ar e um clima tenso, aflitivo em que Cadence se angustia por não saber o que aconteceu no verão de dois anos atrás. O final é absolutamente surpreendente. O livro é curto e muito envolvente. Não dá vontade de largar. A revelação final poderia ter sido feita de forma mais elaborada , mas mesmo assim adorei! Super recomendo! 

Avaliação: ★★★★


Até mais.

Beijos e boas leituras. :**




quinta-feira, 3 de julho de 2014

O Segredo do Meu Marido - Liane Moriarty



MORIARTY, Liane. O Segredo do meu marido. Rio de Janeiro: Editora Intriseca, 2014. Edição Digital: 2014. Título original: The Husband's secret.  359p.

Nenhum de nós conhece todos os possíveis cursos que nossas vidas poderiam ter tomado. E provavelmente é melhor assim. Alguns segredos devem ficar guardados para sempre. Pergunte a Pandora. p. 356


O segredo do meu marido gira em torno de três personagens centrais. São três mulheres que se conhecem, não são amigas, mas, por causa de alguns acontecimentos, têm suas vidas interligadas. 

A primeira é Cecília, casada, muito feliz no casamento, mãe de três filhas lindas e saudáveis que um certo dia encontra uma carta escrita por seu marido com um aviso no envelope: abra somente na ocasião da minha morte. Cecília passa por um dilema moral para se decidir se abre ou não a carta. 

A segunda personagem é Rachel, uma mulher idosa cuja filha morrera assassinada 30 anos atrás e que até os dias atuais ainda vive em função do sofrimento e da agonia de não entender o que aconteceu à filha. 

A terceira personagem é Tess, uma mulher casada e mãe de um filho, cujo marido anuncia que está apaixonado pela prima e melhor amiga da esposa.

Além das personagens principais, outros dão vida à trama. O marido e as filhas de Cecília, as mães dos alunos da escola, as amigas de Cecília, o marido, a prima, o filho e a mãe de Tess, o filho, a nora e o neto de Rachel, o professor de educação física da escola. Através dos personagens coadjuvantes, constrói-se um elo entre as personagens principais.

O mais interessante no livro é a forma como as personalidades dos personagens são construídas e fundamentadas nos acontecimentos passados e presentes na vida deles. Há um mistério, mas este é solucionado na metade do livro. Depois disso existe um suspense sobre o que vai acontecer a seguir, a partir dos sentimentos dos personagens. É um drama e um thriller psicológico. A tensão está dentro da mente dos personagens e a trama é muito bem feita.

A narração é em terceira pessoa e alterna o ponto de vista de cada uma das três personagens principais de maneira muito intensa e envolvente. Não gostei tanto do núcleo da Tess porque achei que ele não foi tão importante para a trama principal, mas isso não atrapalhou a leitura. Não esperem por um livro de mistério porque este é muito óbvio. Eu mesma descobri antes de começar a leitura, só pela sinopse. O melhor do livro é a forma como os acontecimentos se desenrolam, como os personagens se encontram e como eles resolvem seus conflitos internos. Gostei e recomendo!

Avaliação: ★★★

Até mais. Beijos e boas leitura. :**



domingo, 14 de julho de 2013

Lolita - Vladimir Nabokov


NABOKOV, Vladimir. Lolita. Rio de Janeiro: Editora Alfaguara, 1992. 391p. Título Original: Lolita.

Lolita, luz da minha vida, fogo da minha carne. Minha alma, meu pecado. Lo-li-ta: a ponta da língua toca em três pontos consecutivos do palato para encostar, ao três, nos dentes. Lo. Li. Ta. p.13.

Antes de mais nada, acho importante dizer que este não é um livro pra qualquer um. Não leia se você não sabe separar realidade de ficção, não leia fazendo pré julgamentos ou se não sabe apreciar uma boa construção de personagens, ainda que defeituosos e condenáveis!


Humbert Humbert, um homem de cinquenta e poucos anos, conta como se apaixonou e teve um caso de amor com uma menina de 12 anos, Lolita. Não há dúvida de que existe algo de errado com Humber Humbert. Ele é um homem obcecado por meninas bem novas. Fica claro como ele se sente atraído por tudo que Lolita tem de infantil e imaturo. Ele não a ama simplesmente, ele ama o seu corpo infantil e é obcecado por ela. Ela não foi a primeira menina por quem ele se encantou, mas a primeira com quem ele se envolveu de fato depois de adulto. Uma obsessão que se tornou uma paixão incontrolável.

Domingo. Volúvel, mal-humorada, alegre, desajeitada, graciosa com a graça mordente de sua corcoveante pré-adolescência, insuportavelmente desejável da cabeça aos pés (...) p.59.

Segundo Humbert, Lolita não é tão inocente assim. Ela é ardilosa, provocadora, precoce e segundo seu relato, não era mais virgem. É ela quem toma a iniciativa e o seduz. Mas é claro que isso não justifica a atitude de Humbert. Ela é uma criança e ele é o adulto, deveria se controlar. Além disso, como a história é narrada sob o ponto de vista dele, a forma como Lolita é descrita é influenciada pela sua personalidade. Ela era mesmo precoce e sedutora, ou essa era uma forma de Humbert justificar seu comportamento? Não é exatamente assim que a nossa cultura faz afirmando que meninas amadurecem mais rápido que meninos e assim as sensualiza desde cedo?

Que personagem é Humbert Humbert! Um dos personagens mais bem construídos que eu já li. Todas as nuances da sua personalidade, o cinismo, o sarcasmo são muito bem descritos. E ele é muito cínico! Ele sabe dos seus erros e tenta ludibriar o leitor e se justifica o tempo todo. Mas também é atormentado por sua obesessão, ele se repudia pelo seu ato.

Lolita é uma história doentia e sórdida, narrado pelo próprio Humbert.  É um romance psicológico com elementos de suspense e policial que desperta vários sentimentos - repulsa, pena, simpatia, raiva, desconforto...pelos mesmos personagens. Personagens falhos e adoecidos, mas ainda assim fascinantes. O que torna o livro tão bom, além da escrita belíssima, estimulante e instigante é essa capacidade de fazer pensar e mudar de ideia várias vezes. A genialidade está na forma como Humbert manipula o leitor tentando fazê-lo se confundir e entender seus sentimentos. Em alguns momentos é fácil se deixar levar pelos seus argumentos que tentam fazer esquecer de que Lolita é apenas uma criança de 12 anos.
Alguns momentos no meio da história foram cansativos. Achei o início mais empolgante, mas ainda considero um excelente livro!

Avaliação: ★★★★ 


Filmes: foram feitas duas adaptações para o cinema de Lolita. A primeira em 1962 dirigida pelo genial Stanley Kubrick e a segunda em 1997 dirigida por Adrian Lyne com Jeremy Irons. Gostei mais do clima do primeiro, mas nenhum dos dois conseguiu despertar em mim os sentimentos que o livro despertou.



Até a próxima.
Beijos.


P.S. Resenha editada em 07/04/2023

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Anna Kariênina - Liev Tolstói




"Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira." 


Demorei porque o livro é bem longo. São 800 páginas com uma letra miudinha e espaçamento pequeno, sem falar na intensidade da história e na complexidade dos personagens que demandam uma leitura lenta, saboreando cada palavra e refletindo. Como em todo livro russo, primeiro tive que me acostumar com todos os nomes, segundos nomes, sobrenomes e apelidos pelos quais os personagens são chamados, mas a partir daí a história me envolveu totalmente.

O romance conta a história de Anna, casada desde muito nova com Aleksiei Aleksándrovitch Kariênin. Eles têm um filho pequeno e moram em São Petersburgo. Quando Anna, em visita ao irmão em Moscou, conhece o Conde Aleksiei Vrónski na estação de trem, os dois se apaixonam imediatamente. A partir daí começa um história de amor  proibida, intensa e muito sofrida entre os dois. Anna se entrega a esse amor, mas sofre muito por isso e a dor causa muitas mudanças na sua personalidade. Os sentimentos dos três personagens são muito bem explorados e descritos de forma poética e muito bonita.

(...) Desculpou-se e estava prestes a entrar no vagão, mas sentiu necessidade de observá-la outra vez - não por ser muito bonita, nem por ter uma graça elegante e discreta, que se percebia em toda a sua pessoa, mas porque, na expressão do rosto gracioso, ao passar por ele, havia algo especialmente meigo e delicado. Quando olhou para trás, ela também virou a cabeça. Os olhos brilhantes e cinzentos, que pareciam escuros devido aos cílios espessos, pousaram com simpatia no rosto de Vrónski, como se ela o tivesse reconhecido, mas, logo depois, voltou-se para a multidão que se aproximava, como que à procura de alguém. Nesse breve olhar, Vrónski teve tempo de perceber uma vivacidade contida, que ardia em seu rosto e esvoaçava entre os olhos brilhantes e o sorriso quase imperceptível, que arqueava os lábios rosados. Parecia que o excesso de alguma coisa inundava o seu ser e, a despeito da vontade dela, se expressava, ora no brilho do olhar, ora no sorriso. Intencionalmente, a mulher apagou a luz dos olhos, mas essa mesma luz cintilou, à sua revelia no sorriso quase imperceptível. p.73

Nunca nenhum livro me fez sentir tão íntima dos personagens como este. Mais que íntima, eu me senti na pele deles. Odiei e amei cada um deles. Tolstói tinha uma sensibilidade impressionante para entender as pessoas com suas peculiaridades de caráter e sentimento. Senti pena, raiva, estranheza, amor pelos personagens como acontece na vida.

A narração é em terceira pessoa, mas em cada capítulo através do ponto de vista de um personagem. A trama é tão rica que permite perceber como cada pequeno acontecimento influencia as ideias e sentimentos dos personagens, desde a roupa que alguém usa até as expressões do rosto ou as palavras. Os sentimentos e pensamentos dos personagens são descritos tão minuciosamente que eu consegui entendê-los mesmo quando senti raiva por suas escolhas.

Através dos pensamentos e falas dos personagens, fica claro o que pensam sobre o amor, o casamento, os valores morais da época, religião e também acompanhamos a situação da Rússia czarista. Os personagens conversam sobre política e economia e discutem a situação dos mujiques (camponeses) no campo.

A trama não gira somente em torno de Anna, mas tem vários núcleos. Tolstói se inspirou em pessoas do seu convívio para construir os personagens. O mais interessante deles, Liévin, é um alter ego seu. Através de Liévin sabemos o que Tolstói pensava - sua opinião sobre moralidade, política e economia. Nesta edição da Cosac Naify, lindíssima e traduzida diretamente do russo, há uma apresentação do tradutor Rubens Figueiredo através da qual tomei conhecimento de que o romance de Liévin e Kitty foi inspirado no casamento de Tolstói e de como as circunstâncias trágicas da sua vida, na época em que escreveu o livro, influenciaram sua escrita.

O livro é lindo, envolvente, triste e com os personagens mais bem construídos que já li. É uma leitura densa e reflexiva. Ao terminar de ler fiquei muito tempo com todos aqueles sentimentos de alegria, paixão e dor que vivi junto com eles dentro de mim. Pretendo reler muitas vezes! Não só recomendo, como acredito que seja obrigatório para quem quer conhecer um livro muitíssimo bem escrito! Os russos são muito bons mesmo! Intensos, sensíveis e escritores extraordinários!

Avaliação: ★★★★★★ Obra-prima! 

Existem mais de 10 adaptações para o cinema de Anna Karenina. Eu assiti a duas: uma adaptação fraquinha de 1997 com Sophie Marceau, Sean Bean e Alfred Molina e uma russa de 1967 que dizem ser a melhor, até agora. Baixei e pretendo assistir também adaptação de 1948 com a linda Vivien Leigh. No final deste ano estréia uma nova versão do diretor inglês Joe Wright com Keira Knightley, Jude Law e Aaron Taylor-Johnson. Estou muito ansiosa para assistir porque adoro os atores.





Até mais.
Beijo.


terça-feira, 21 de agosto de 2012

O Perfume - Patrick Süskind


Esta é a primeira resenha literária que escrevo. Quer dizer, já devo ter escrito alguma na escola por obrigação, mas fora isso não. Então perdoem-me se não estiver muito boa.

ATENÇÃO, contém alguns spoilers!

Tudo começa com o nascimento de Grenouille em um mercado de peixes. Ele foi largado pela mãe naquele ambiente podre e mal cheiroso. Grenouille nasceu sem cheiro nenhum e por esse motivo era desprezado por todos. Ninguém se afeiçoava a ele. Desde a mãe que o abandonou até as outras crianças com quem convivia e as amas que o criaram.

Embora não exalasse nenhum cheiro, Grenouille tinha o extraordinário dom de perceber, com muita sensibilidade, todos os cheiros do mundo. Os bons e ruins, ele não fazia diferença, se encantava com todos desde que fossem novos. Grenouille foi criado junto de outras crianças por uma ama incapaz de sentir nada por essas crianças que cria por obrigação e dinheiro. Quando aprendeu a falar teve muita dificuldade de aprender e entender palavras que não designassem algo que cheirasse. Confundia e não entendia conceitos de natureza ética e moral.

Além do fato de não ter cheiro, seu dom incomum e quase sobrenatural também causava desconforto em todos. Grenuoille conseguia perceber a presença de qualquer pessoa a quadras de distância, encontrar objetos escondidos e se localizar no escuro por causa da sensibilidade olfativa.

As crianças tentaram assassiná-lo muitas vezes enquanto era pequeno, mas com o tempo desistiram. Grenuoille cresceu sem ter recebido carinho ou simpatia de ninguém e também não desenvolveu nenhuma empatia ou afeição pelos seres humanos. Ao contrário, ele odiava todos, considerava-os estúpidos e fedorentos. Logo cedo ele foi abandonado pela ama e foi trabalhar em um curtume e tempos depois, quando descobriu o cheiro de perfume, conseguiu trabalhar com um perfumista decadente.

Usando o dom de Grenouille, o perfumista fez fortuna. Mas Grenouille não se importava, o que ele queria era aprender como captar o perfume das coisas e criar o melhor perfume do mundo.

Quando Grenoille, em sua viagem em busca de conhecimento sobre perfumes, descobriu que ele próprio não tinha nenhum cheiro, decidiu criar um perfume a partir do cheiro de moças virgens que despertavam o amor em todas as pessoas. Ele queria ser amado. E assim, em busca do perfume perfeito, Grenouille tornou-se um assassino.

O Perfume é um livro muito envolvente! Apesar de o personagem principal ser um assassino frio e detestável, não há como não se encantar com essa história e com a forma deliciosa como é contada. O livro é contado em terceira pessoa e gira em torno de Jean-Baptiste Grenouille. Outros personagens fazem importantes, mas rápidas aparições durante a história.

Patrick Süskind escreveu um livro maravilhoso. Brincando com as palavras e transportando o leitor para aquele mundo de cheiros, tornou a história desse homem monstruoso fascinante. A história é intensa e o personagem principal incrivelmente bem construído. A descrição da sua infância faz sentir pena de Grenouille e depois muito horror e repulsa pelo que ele se torna! Brilhante!

Avaliação: ★★★★★


Filme: Eu já tinha assistido ao filme alguns anos atrás e assisti novamente depois de ler o livro. É bom também. Atuações excelentes de Bem Whishaw, Dustin Hoffman e Allan Rickman e uma fotografia lindíssima. Achei que correram um pouco no final e acrescentaram uma pequena nuance na personalidade do Grenouille que não está no livro que eu não gostei. Mas o filme é muito bom mesmo assim.

Até mais.
Beijo.

Série de TV - Raised by Wolves

Terminei de assistir ontem à nova série original HBO Max. Já vou começar dizendo que recomendo para quem gostou de Battlestar Ga...