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sábado, 16 de março de 2013

Do amor e outros demônios - Gabriel García Márquez



Ela lhe perguntou o que havia do outro lado do mar e ele respondeu: "O mundo".
Para cada gesto dele, a menina encontrou uma ressonância inesperada. pág. 74

A história se passa na Colômbia do século XVIII, quando era ainda colônia da Espanha. Sierva María de los Angeles era uma adolescente, filha do marquês de Casalduero. Desde pequena foi criada junto com os escravos. A mãe, Bernarda não a amava e o pai negligenciou sua criação. Sierva María aprendeu a falar 3 línguas africanas e vivia livre com os escravos, sem as obrigações que uma marquesa deveria ter. Quando o pai tentou trazê-la de volta para dentro de casa, ela acabou voltando para junto dos escravos, onde se sentia melhor.

Um cão raivoso aparece na cidade, morde alguns escravos e também o tornozelo de Sierva María. Logo depois morre. Os escravos a tratam com rezas e unguentos. O pai quando descobre que a filha foi mordida, se apavora e chama um médico que lhe diz que ela não tem sintomas de raiva. Mas quando a feriada volta a sangrar, o marquês envia a filha para viver no convento com as freiras e ser cuidada por religiosos.

Sierva María tinha um comportamento atípico, cantava e falava em línguas africanas, o que levou os religiosos a acreditarem que ela estava possuída pelo demônio e o bispo ordenou que ela fosse exorcizada. O padre Cayetano Delaura foi o encarregado de exorcizá-la, mas ele não acreditou que ela estivesse possuída e se encantou pela menina de cabelos que chegavam ao chão, nunca cortados por causa de uma promessa à Virgem Maria.

Gabriel García Márquez, que é colombiano, escreveu Do amor e outros demônios inspirado em uma lenda que sua avó contava. A partir disso, criou uma história sobre amor, paixão, superstições, fanatismo religioso e ignorância. É um livro lindo, apaixonante, sensual, estranho e revoltante. Faz uma crítica aos fanatismos religiosos e uma reflexão sobre o amor estranho, que enlouquece e faz sofrer.

A narração é em terceira pessoa, com uma linguagem poética, descrições lindas que mostram essa cultura latina tão parecida com a nossa naquela época, mesclando crenças e costumes africanos, indígenas e europeus. Amei! Devorei em um dia, mas daqui a um tempo quero reler saboreando! Lindo!

Admiro o dom de contar uma história bem elaborada e acabada em pouco mais de 200 páginas. Hoje em dia, só querem saber de séries.

- "Eu me acabarei, pois me entreguei sem arte a quem me saberá perder e acabar." pág. 190


Avaliação: ★★★★ 

Até a próxima.
Beijos.


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sexta-feira, 15 de março de 2013

Antes de nascer o mundo - Mia Couto



Este é o silêncio mais bonito que já escutei até hoje. Lhe agradeço, Mwanito. pág. 14

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