Mostrando postagens com marcador Desafio Lendo o mundo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Desafio Lendo o mundo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Como Água para Chocolate - Laura Esquivel



ESQUIVEL, Laura. Como Água para Chocolate. Rio de Janeiro: BestBolso, 2014. Título original: Como agua para chocolate.

"Algumas vezes chorava sem motivo algum, como quando Nacha cortava cebolas. Mas já que ambas sabiam a causa daquelas lágrimas, não davam muita atenção. Faziam disso uma fonte de diversão, de modo que, durante a infância, Tita não fazia distinção entre lágrimas de alegria ou de tristeza. Para ela, rir era uma forma de chorar." p.10

"Como água para chocolate" se passa no México, no início do século XX. Conta a história de Tita que desde muito jovem foi avisada por sua mãe que nunca se casaria porque sendo a filha mais nova, deveria cuidar da mãe até sua morte. Desde pequena Tita gostava da cozinha e logo aprendeu a cozinhar. A empregada Nacha era sua amiga e lhe ensinou tudo sobre os temperos e as melhores receitas da cozinha mexicana, além de ouvir e dar conselhos sobre sua vida amorosa. Quando adolescente, Tita se apaixonou por Pedro, e o amor era recíproco. Mas sua mãe a proibiu de se casar. Pedro, então, resolveu casar-se com a irmã de Tita, Rosaura, para que pudesse sempre estar perto da sua amada. Essa foi uma escolha terrível para todos os envolvidos, principalmente as duas irmãs que sofreram muito. Tita ficou arrasada com a decisão de Pedro, e Rosaura que gostou muito da ideia no início, teve uma péssima vida conjugal ao lado do marido porque era claro que ele não a amava. A relação entre as irmãs, que nunca foi das melhores, foi completamente destruída e Tita entrou em depressão. A partir deste momento a vida de Tita parece que vai dar uma virada porque ela conhece  médico americano John que cuida dela e se apaixona por ela. Mas a história de Pedro e Tita não acaba assim. 

É importante destacar também a relação entre Tita e a mãe. A mãe de Tita é uma mulher egoísta, cruel, que maltrata a filha e as empregadas. Elas brigam desde que Tita era pequena porque Tita nunca aguentou calada a forma como a mãe a tratava. Mas também nunca teve coragem de dar um basta. Até mesmo depois da sua morte, a mãe de Tita continuou tendo um poder maligno sobre ela. 

Gertrudes, a irmã do meio também é um personagem muito interessante. Cheia de paixão e desejo, ela exerce sua sexualidade de forma livre e sem amarras e é a única entre as irmãs que consegue viver longe das amarras da mãe. É também aquela mais influenciada pelos poderes afrodisíacos das comidas de Tita.

Eu gostei muito do livro. A escrita da autora é belíssima. Adoro a forma como ela mistura as receitas à história e todas as metáforas entre os sentimentos dos personagens e os sabores e sensações causados pelas comidas. É um livro lindo! Mas eu odiei o casal principal. Já tinha odiado isso no filme, e aqui não foi diferente. Eu adorei Tita e como sua personalidade foi trabalhada, mas Pedro é irritante, infantil e machista. A escolha que ele fez foi estúpida, covarde e cruel com as duas mulheres. Ele ficou em uma situação muito cômoda casando-se com Rosaura e tendo Tita como amante enquanto que as duas mulheres sofreram cada uma à sua maneira. E ainda prejudicou a relação entre as elas. Pedro podia até gostar de Tita, mas de uma maneira bem torta. Não gostei do final da história, mas achei lindíssima a forma como foi narrado. Odiei as escolhas que os personagens fizeram, mas a história é interessante e eu adoro realismo fantástico. Adoro as explicações e acontecimentos mágicos intercalados como uma história que poderia ter mesmo acontecido. Esse é sem dúvida um dos meus gêneros literários favoritos. O livro é cheio de sensualidade, muito bem escrito e uma delícia de ler apesar de todas as minhas ressalvas. Recomendo muito o livro e o filme e vou experimentar algumas receitas. ;)

Avaliação: ★★★★

Até mais.
Beijos e boas leituras. :**




quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

A Hora da Estrela - Clarice Lispector


LISPECTOR, Clarice. A Hora da Estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. 88p.

"Desculpai-me mas vou continuar a falar. de mim que sou meu desconhecido, e ao escrever me surpreendo um pouco pois descobri que tenho um destino. Quem já não se perguntou: sou um monstro ou isso é ser uma pessoa?" p.15

A Hora da Estrela conta a vida de Macabéa. O livro é narrado em primeira pessoa por um narrador que se apresenta como um escritor chamado Rodrigo. Ele narra os acontecimentos na vida de Macabéa como um observador.  

Macabéa é uma jovem nordestina que vive no Rio de Janeiro e divide um quarto de pensão com outras moças. Ela é datilógrafa e se orgulha disso. Macabéa não é bonita, é descrita como sendo magra demais, mal cuidada, pobre, simples e comum. Ninguém nota sua presença. Não entende de quase nada e se atrapalha no trabalho porque não entende bem as palavras. Ela se considera feliz, mas não tem ambição e se contenta com quase nada. Quando a maltratam, não reclama, não reage. Como se fosse normal tratarem-na assim. 

Penso que ela se considera feliz porque nunca conheceu a felicidade e não a ambiciona. Mas na verdade ela é triste, a vida dela é monótona, sem emoção e sem grandes acontecimentos. E ela não sonha com nada melhor.

"A Pessoa de quem vou falar é tão tola que às vezes sorri para as pessoas na rua. Ninguém lhe responde ao sorriso porque nem ao menos a olham." p.16

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui." p.21  (Lindo!)

Esse é o primeiro livro da Clarice Lispector que leio. Fiquei encantada com a escrita simples, mas poética, cheia de metáforas e de sentimento. A história é crua, visceral e me tocou bem fundo. Senti pena de Macabéa pela sua solidão e raiva por ela ser tão acomodada, mas entendi que ela nunca teve em quem se espelhar, nunca pensou sobre o futuro ou em tornar a vida melhor. Em alguns momentos me encontrei um pouco nela. O final é triste e doloroso. Não é o tipo de leitura que eu costumo buscar usualmente, mas eu amei! Recomendo muito!

"(...)Essa moça não sabia o que era, assim como um cachorro não sabe que é um cachorro. Daí não se sentir infeliz. A única coisa que queria era viver. Não sabia para quê, não se indagava. Quem sabe achava que havia uma gloriazinha em viver. Ela pensava que a pessoa era obrigada a ser feliz. Então era." p.28

Avaliação: ★★★★ 

Até mais. 
Beijos e boas leituras. :**




Este livro faz parte do Projeto Lendo o Mundo criado pela Mell do Blog Literature-se.
Para entender melhor o desafio, entrem no meu link sobre ele.


sábado, 31 de janeiro de 2015

O Lado Bom da Vida - Matthew Quick



QUICK, Matthew. O lado bom da vida. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2012. Título Original: The silver linings playbook. 256p.

Pat People acabou de sair de uma instituição para doentes mentais onde ficou internado durante 5 anos. Mas para ele foram só alguns meses. Ele quer retomar sua vida e passa a viver com o único propósito de reconquistar sua mulher. Ele vai morar com os pais e passa os dias lendo os livros que sua mulher gosta, malhando e correndo para ficar magro e forte. Ele acredita que assim terá sua mulher de volta logo e terminará com o que ele chama de "tempo separados". Mas ele não sabe que já se passaram 5 anos e que sua mulher não quer mais vê-lo. E sua família está resistente em contar a verdade. O pai nem ao menos fala com ele desde a sua volta.

Pat frequenta as seções de terapia onde conta para seu terapeuta como está sua vida e como era na instituição onde esteve internado que ele chama de "o lugar ruim". Ele teme voltar para lá e está disposto a ser um novo homem. Pat também é um torcedor fanático dos EAGLES e assiste sempre aos jogos em casa ou no estádio com os irmãos e até com o seu terapeuta. 

Enquanto isso, Pat é apresentado a Tiffany, irmã da mulher de um dos seus irmãos. Ela também está passando por um momento de instabilidade emocional e tentando se curar depois da morte de seu marido. Tiffany começa a correr com Pat todos os dias e eles se tornam amigos. Até que Tiffany faz a Pat uma proposta irrecusável. Ela conta a Pat que sua mulher não quer nem pode mais vê-lo por conta de uma ordem judicial, mas se oferece para ser um elo de ligação entre eles enviando cartas um para o outro, com a condição de que Pat participe com ela de uma competição de dança. E assim Tiffany e Pat começam a ensaiar arduamente para a competição.

A história contada em O Lado Bom da Vida é fofa. É uma história de motivação e luta pelo restabelecimento emocional, de perda, amor e amizade. Mas a narrativa, em primeira pessoa, me incomodou bastante. O narrador personagem, Pat People, é extremamente infantil. O livro parece ser narrado por uma criança de 8 anos. Foi irritante ouvir um homem de 35 anos falar de sua vida de forma tão pueril. Ainda que essa imaturidade tenha sido explicada como uma forma de Pat não encarar seus problemas a a consequência de seus atos, achei excessiva e estereotipada. Embora alguns aspectos de Pat tenham me cativado, como seu otimismo e busca do lado bom de todas as coisas, e a forma como o seu transtorno mental foi descrito, o personagem não me conquistou por ser exageradamente imaturo. Por outro lado, eu gostei muito de Tiffany, mesmo ela sendo atrapalhada, de fazer más escolhas e meter os pés pelas mãos. Tiffany é uma personagem incrível - bem construída, cativante, intensa e cheia  de boas intenções e também de defeitos. Também gostei do terapeuta de Pat, da sua mãe e da forma como a relação entre seus pais e os segredos são trabalhados na história. É uma ótima história com bons personagens, mas que, a meu ver, pecou pela narrativa fraca e estereotipada. Pat People me irritou muito, principalmente nos momentos finais. Mas eu curti a leitura por conta de todos os outros elementos positivos e, claro, pela dança! É um bom livro para descansar a mente de leituras mais pesadas. Recomendo.

Avaliação: ★★★

Falei sobre a adaptação do livro para o cinema aquiAcho que gostei mais do filme do que do livro.

Até mais.
Beijos e boas leituras. :**




Este livro faz parte do Projeto Lendo o Mundo criado pela Mell do Blog Literature-se.
Para entender melhor o desafio, entrem no meu link sobre ele.

domingo, 25 de janeiro de 2015

O Diário de Anne Frank - Otto H. Frank e Mirjan Pressler



FRANK, Anne. O Diário de Anne Frank. Rio de Janeiro, Record, 2014. Tradução de The diary of a young girl. Título Original e holandês: HET ACHTERHUIS

O Diário de Anne Frank é um diário real escrito por uma menina de 13 anos, judia alemã enquanto estava escondida no sótão de uma casa em Amsterdã. Nesta edição encontramos o que ela escreveu inicialmente no diário com as modificações que ela mesma fez posteriormente pensando em publicá-lo no futuro. Anne Frank tinha 13 anos quando começou o seu diário. Inspirada por um programa de rádio que dizia que os diários escritos durante a guerra poderiam ser publicados, Anne editou e acrescentou alguns trechos e contou mais sobre sua vida no Anexo Secreto, como ela chamou o sótão.

No início do diário, encontramos uma Anne imatura e mimada, muito mais preocupada com meninos e coleguinhas da escola. Depois que deixa a casa e vai se refugiar no sótão na casa do patrão de seu pai, Anne começa aos poucos a relatar sobre a guerra e as dificuldades do dia a dia. Os moradores do Anexo Secreto enfrentaram fome, tédio, medo de serem descobertos, desespero por estarem confinados e dificuldade de convivência com outras pessoas em um espaço tão pequeno, sem privacidade etc.

"...Estou no topo do mundo quando penso em como temos sorte, ao me comparar com outras crianças judias, e nas profundezas do desespero quando, por exemplo, a Sra. Kleiman vem falar sobre clube de hóquei de Jopie, passeios de canoa, peças de teatro na escola e chás com amigos." p.164


Nos dois anos que duraram os seus relatos, acompanhamos o amadurecimento de Anne que lia muito e se interessava por Política, História, Religião, Literatura, Artes etc. Ela dava sua opinião sobre o que estava acontecendo no mundo baseada nas notícias que ouvia no rádio e nas conversas com sua família e com os outros moradores do Anexo Secreto.

"A guerra vai continuar, independentemente das brigas e do desejo de liberdade e ar puro, por isso deveríamos tornar a nossa estada o mais agradável possível." p180

Anne também viveu um breve romance no confinamento mostrando que mesmo nas piores condições ela conseguia viver sua vida, fazer planos e ter esperanças no futuro. Anne queria ser escritora (e conseguiu) e alguns trechos do diário em que fala sobre o que esperava do futuro são muito comoventes. 
"Se Deus me deixar viver, vou realizar mais do que mamãe jamais realizou, vou fazer com que minha voz seja ouvida, vou para o mundo e trabalharei pela humanidade!" p.273

Anne era muito inteligente e tinha opiniões fortes.  Sabia o que queria e o que pensava sobre o mundo e questionava a situação das mulheres.

"Mas é só isso. As mulheres devem ser respeitadas também! Falando em termos gerais, os homens são mais valorizados em todas as partes do mundo; então pir que as mulheres não devem ter a sua cota de respeito? Soldados e heróis de guerras são homenageados e condecorados, exploradores recebem fama imortal, mártires são reverenciados, mas quantas pessoas veem as mulheres também como soldados?" p.328

"Acredito que, no decorrer do próximo século, a ideia de que é dever da mulher ter filhos mudará, e abrirá caminho para o respeito e a admiração a todas as mulheres, que carregam seus fardos sem reclamar e sem um monte de palavras pomposas." p.329

São tantos trechos do diário que eu amei, que é melhor parar por aqui. Leiam e se apaixonem também. O livro é uma delícia! Forte, emocionante, intenso e uma pequena amostra sobre a II Guerra Mundial. Recomendo muitíssimo para leitores de todas as idades.

Avaliação: ★★★★ 

Como muitos devem saber, Anne Frank não sobreviveu à guerra. O Anexo Secreto foi descoberto e ela foi capturada. Morreu de tifo no campo de concentração Bergen-Belsen na Alemanha pouco tempo depois. Seu diário foi posteriormente editado e publicado por seu pai, Otto H. Frank que sobreviveu à guerra. Muito se questionou sobre a autenticidade do diário, mas ele foi analizado e considerado autêntico. Os originais estão expostos no Museu de Anne Frank na casa em que Anne e sua família ficaram escondidos em Amsterdã.

Até mais. 
Beijos e boas leituras. :**




Este livro faz parte do Projeto Lendo o Mundo criado pela Mell do Blog Literature-se.
Para entender melhor o desafio, entrem no meu link sobre ele.


Série de TV - Raised by Wolves

Terminei de assistir ontem à nova série original HBO Max. Já vou começar dizendo que recomendo para quem gostou de Battlestar Ga...