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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Citação 012

Dando continuidade ao post anterior, vejam o que Charlotte Brontë, lá no século XIX falou sobre estereótipos de gênero. Diva!



"É inútil dizer que os seres humanos deveriam satisfazer-se com uma vida tranquila. Eles precisam de ação. E se não a encontrarem, irão fazê-la acontecer. Milhões estão condenados a um destino ainda mais inerte que o meu, e milhões sentem uma revolta silenciosa contra esse destino. Ninguém sabe quantas rebeliões, além das de caráter político, fermentam no peito das pessoas. Espera-se das mulheres que sejam calmas. Mas elas são como os homens. Precisam excitar suas faculdades, necessitam de um campo para expandir seus esforços assim, como seus irmãos. Sofrem com as rígidas restrições, a estagnação absoluta, tanto quanto os homens sofreriam. E é tocante por parte destes seres mais privilegiados dizer que eles devem se limitar a fazer pudins e a tecer meias, a tocar piano e a bordar bolsas. É insensato condená-las, ou rir delas, quando buscam fazer ou aprender coisas novas, além do que os costumes determinam que é o ideal para o seu sexo."

BRONTË, Charlotte. Jane Eyre. Rio de Janeiro: BestBolso, 2014. p.134

Beijos e boas leituras. :**
Até mais.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

[Opinião] Estereótipos de gênero e Literatura

Inclusive livros.


Tenho ouvido certos comentários que me deixam extremamente incomodada. Comentários do tipo: "este livro vai agradar mais as meninas porque fala de amor" ou "este vai agradar mais meninos porque tem ação e aventura." Queridos, parem! Isso não existe! Ou não deveria existir. Nada justifica que separemos obras literárias ou de arte em geral, ou qualquer coisa no mundo (cores, brinquedos, profissões, atividades de casa, cuidado com os filhos etc) por gêneros.

Os estereótipos de gêneros são os responsáveis pelos preconceitos de gênero, o sexismo, a misoginia que existem no mundo. Por que, então, propagar esse preconceito na literatura? Homens não se apaixonam e vivem histórias de amor? Mulheres não se interessam por política, ciência, tecnologia, artes marciais, história? Por que achar que homens e mulheres não podem se interessar por livros com diferentes temas? O que nos faz gostar de um assunto ou outro é nossa história pessoal. O que define nossos gostos são nossas características individuais e não sexuais.

Uma vez vi um menininho nas Lojas Americanas implorando para que a mãe comprasse para ele o DVD de A Princesa e o Sapo da Disney. O menino era negro e na mesma hora eu pensei que ele devia ter se identificado com os personagens da história que são em sua maioria negros e essa representatividade negra é mínima em desenhos animados. A mãe do menino foi irredutível e falou um alto e sonoro não. "Esse DVD é de menina, não serve para você", ela disse. Fiquei chocada, penalizada e revoltada. Me segurei para não dar um sermão na mãe. 

Da mesma forma me incomodam os comentários que excluem  um gênero da possibilidade de gostar de um determinado livro. Quando se diz: "este livro agradará mais as meninas" ou "este livro é direcionado para os meninos" automaticamente afasta-se uma parcela de leitores do prazer de lê-lo.

Na minha casa eu e minha mãe sempre fomos muito fãs de ficção científica, gênero muitas vezes associado ao público masculino. Meu irmão e meu padrasto nunca foram grandes fãs como nós duas. Assim como também gostamos de livros que se passam na guerra com ação e batalhas, fantasia com cavaleiros e dragões, também gêneros associados aos homens. Vamos acabar com esses estereótipos. Bons leitores, sejam meninos ou meninas, homens ou mulheres, gostam de boa literatura. E isso vale para tudo na vida.


Serve para literatura também:


Beijos e boas leituras. :**

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

O Histórico Infame De Frankie Landau-Banks - E. Lockhart



LOCKHART, E. O Histórico Infame de Frankie Landau-Banks. São Paulo: Seguinte, 2013. Título Original: The Disreputable History of Frankie Landau-Banks. 340p.

Matthew tinha dito que ela era inofensiva. Inofensiva. E estar com ele fazia Frankie se sentir como se estivesse esmagada dentro de uma caixa - uma caixa onde ela deveria ser encantadora e sensível (mas não sensível demais); uma caixa para as garotas jovens e bonitas que não eram tão brilhantes ou poderosas quanto seus namorados. Uma caixa para pessoas cuja força não merecia ser levada em conta. p.212

Já vou começar a resenha recomendando muitíssimo este livro! Leiam! É demais!

Frankie era até um ano atrás uma daquelas meninas "invisíveis" na escola, mas nas férias de verão ela cresceu, ganhou corpo e de uma garotinha que passava despercebida, tornou-se uma garota desejável e cobiçada pelos garotos da escola. Até começou a namorar Mathew, um dos meninos mais populares e passou a conviver com seus amigos populares também. Eles estudam em Alabaster, um colégio interno de elite onde a maioria dos alunos tem muito dinheiro ou prestígio.

Em casa Frankie sempre foi tratada como uma princesinha, era até chamada assim, mas não gostava da forma como era vista pelos familiares, amigos e pelo namorado. Como uma menina bonita e frágil e só. Ela queria mais, queria que a enxergassem pelas suas ideias, reflexões e interesses. Ela é bastante influenciada pela irmã que é feminista.

O pai de Frankie contou a ela que, quando era estudante, fez parte de uma sociedade secreta que fazia algumas travessuras na escola, formada por alunos escolhidos a dedo, normalmente os oriundos das famílias mais ricas e/ou leias à escola . Frankie descobre que agora seu namorado faz parte dessa sociedade e seu amigo Alfa é o novo líder. Ela fica obcecada em participar da Leal Ordem dos Bassets, como é chamada, mas o namorado nem sequer conta a ela sobre a existência de tal Ordem, por mais que ela tente arrancar algo dele.

A amiga e colega de quarto de Frankie, Trish, é uma menina que não se incomoda com a maneira como é tratada pelos meninos nem em desempenhar papéis tipicamente femininos. Ela não questiona e está bem adaptada a à nossa sociedade machista. Frankie por outro lado, não se conforma com isso. Ela se sente rejeitada, sente que o namorado e os amigos não confiam nela, não a acham capaz de fazer parte do grupo por ser uma garota. Quando Frankie consegue encontrar o diário/manual perdido da sociedade secreta com instruções sobre como proceder, ela dá um jeito de fazer parte da Leal Ordem dos Bassets sem que os meninos saibam. O diário se chama O Histórico Infame.

Frankie olhou para o rosto dele. Ele gostava genuinamente dela, ela sabia. Talvez até a amasse. Só que a amava de uma maneira limitada.
A amava mais quando ela precisava de ajuda.
A amava mais quando ele podia definir os limites e fazer as regras.
A amava mais quando ela era uma pessoa menor e mais nova do que ele, sem nenhum poder social. Quando ele podia adorá-la por sua juventude e charme e protegê-la das preocupações da vida. p.307

O livro tem alguns clichês como a menina bobinha que aceita o tratamento dos garotos, os meninos populares da escola que têm todas as meninas aos seus pés,  a menina que se torna desejável de uma hora para outra e passa ter a atenção dos garotos etc, mas a trama se diferencia por tratar de questões feministas, da luta das mulheres por mais espaço e reconhecimento, pela luta dos jovens por seus direitos e por mudanças na sociedade. No início o livro é morno, mas vai ganhando vida, ação, significado e se torna uma história incrível, divertida e inteligente.

A narração é em terceira pessoa, mas os pensamentos dos personagens aparecem o tempo todo dando dinamismo à narrativa. A linguagem é fluida e fácil de ler e com alguns neologismos que fazem parte da forma como Frankie pensa, o que é bem interessante. É um livro voltado para o público jovem, mas que agrada leitores de todas as idades. Super recomendo!

Avaliação: ★★★★ 

Até a próxima. Beijos e boa leituras. :**

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