domingo, 29 de março de 2015

[série de TV] Breaking Bad (2008 - 2013)



Atenção: Contém Spoilers! Você foi avisado. 

Breaking Bad é uma das melhores séries de TV que já assisti. Criada e dirigida por Vince Gillian, foi exibida pelo canal AMC e atualmente é exibida pelo canal AXN e pelo Netflix. Com personagens muito bem trabalhados, complexos e incrivelmente humanos e uma história muito bem amarrada, acompanha a história de Walter White ou simplesmente Walt (Bryan Cranston), um químico que dá aula em um colégio e também trabalha em um Lava Jato e leva uma vida comum em Albuquerque, Novo Mexico com a esposa grávida e o filho adolescente. A irmã de sua esposa é uma cleptomaníaca atrapalhada casada com o agente federal Hank (Dean Norris), do DEA, o departamento de narcóticos. 

Tudo muda na vida de Walt quando ele é diagnosticado com um câncer de pulmão inoperável e os médicos dizem que ele tem pouco tempo de vida. Após acompanhar uma batida do DEA com seu concunhado a um laboratório de metanfetamina quando o "cozinheiro" foi morto, Walt resolve juntar-se a um ex-aluno que fazia parte da quadrilha, Jesse (Aaron Paul), e juntos começam a produzir metanfetamina. Walt quer ganhar dinheiro suficiente para prover a família após sua morte.

Logo Walt descobre que tem talento para isso e que seu cristal, como é chamada a droga, é o melhor e mais puro do mercado. O  negócio cresce, Walt ganha cada vez mais dinheiro e fama e mergulha cada vez mais no mundo do crime. Ele passa a ser conhecido como Heisenberg.

A esposa de Walt, Skyler, começa a desconfiar e fica cada vez mais difícil fazê-la acreditar em suas mentiras. A crise no casamento fica cada vez mais insustentável e Walt acaba contando a verdade a sua esposa que, sem coragem de denunciá-lo, acaba se envolvendo em seus negócios.

Walt está em remissão da doença, portanto não é mais pela família que continua produzindo a metanfetamina. Ele está cego pelo poder. Walt não consegue mais admitir os próprios erros, torna a vida da esposa um inferno e chega até a ameaçá-la. De pequeno produtor da droga, Walt se torna um grande traficante, assaltante e assassino frio e sem remorso. Ele quer poder, quer construir um império, mesmo depois que até mesmo seus sócios desistem do negócio. Em um ponto Jesse questiona Walt: "Um império de metanfetamina é motivo de orgulho?" Mas tudo o que Walt quer saber é de ter cada vez mais poder. Ele é guiado pelo orgulho e pela ambição. 

Jesse por outro lado começa a série como um desajustado, viciado em metanfetamina e com uma família que o rejeita. Jesse também é seduzido pelo dinheiro, mas passa a série toda questionado a vida que leva e se martirizando pelos seus crimes. Ao mesmo tempo nunca consegue se livrar totalmente do vício e fica cada vez mais transtornado. Jesse é fraco e facilmente influenciado e por mais que tente, não consegue sair do negócio de metanfetamina.

Skyler é uma personagem incrível e a atriz Anna Gunn faz uma atuação brilhante. Skyler é uma mulher forte que tem que fazer escolhas difíceis pela sua família. Ela sabe que se o marido for descoberto, todos ficarão arruinados, mas aos poucos percebe o quanto ele é perigoso e como suas escolhas colocam seus filhos em perigo. Ela aprende a mentir e se torna uma criminosa, mas se sente uma refém em sua própria casa. Tem medo do que o marido se tornou e de ser morta por outros criminosos que trabalham com ele, mas também tem medo de ser descoberta já que Walt é muito descuidado com os negócios, 

Enquanto o negócio cresce, Hank, concunhado de Walt, investiga o misterioso Heisenberg e esse caso se torna uma meta na sua vida profissional e uma questão de honra. Hank fica obcecado em prender Heisenberg. Hank é talvez a melhor pessoa da história.



As atuações são impecáveis e é impossível não se envolver com a vida desses personagens que despertam amor e ódio nos telespectadores. Passei toda a série dividida entre torcer para que Walt escapasse ou  fosse descoberto ou mesmo morto, não por gostar dele, mas porque o personagem é incrível. Amei Skyler mas também a odiei em alguns momentos, assim como Jesse().

Breaking Bad mostra como é frágil o limite entre o certo e o errado, como é fácil romper essa barreira e como uma vez transposta é difícil voltar atrás. Conta a história de pessoas que se transformam por causa de suas escolhas e faz refletir sobre a fragilidade, a falibilidade e a imperfeição dos seres humanos. Sem falar que, embora não seja esse o foco da série, tudo o que se trata de drogas sempre faz pensar em como a guerra às drogas e o tráfico matam mais que as drogas e si.

A série é cheia de cenas de ação, suspense, drama e momentos cômicos que a tornam absolutamente divertida! Começa um pouco lenta, mas ganha ritmo a cada episódio. A história intercala cenas passadas em ordem cronológica com flashbacks e cenas que são explicadas posteriormente. São 5 temporadas com no máximo 16 episódios. Faltam 6 para o final e eu estou me mordendo de curiosidade de saber como termina.

Estão esperando o que para assistir? Estou indo assistir aos últimos episódios.

Atualização: Acabei de assistir ao final e é perfeito!

Até mais. 
Beijos. :**





quarta-feira, 25 de março de 2015

TAG: Liebster Award

Adoro TAGs porque adoro interagir com outros blogueiros e saber mais sobre eles. Fui indicada pela Lady Sybylla do blog Momentum Saga e fico feliz em responder.

Regras:

1. Escrever 11 fatos sobre você
2. Responder as perguntas de quem indicou a TAG
3. Indicar 11 a 20 blogs
4.Fazer 11 perguntas aos blogs indicados
5. Inserir no post uma imagem com o selo Liebster Award
6. Linkar de volta quem te indicou



11 fatos sobre mim:
  • 1. Passei os primeiros 7 anos em meio da minha vida em Moçambique onde fui morar quando era recém nascida.
  • 2. Aprendi a ler aos 3 anos de idade
  • 3. Em Moçambique eu estudava em um uma escola inglesa: Internacional School
  • 4. Eu me mudei de cidade 6 vezes ao longo da minha vida. No Brasil eu morei no Rio, Curitiba, Rio, Manaus e Rio novamente.
  • 5. Estudei em 6 escolas diferentes.
  • 6. Tenho dificuldade para falar em público, mas tenho facilidade de fazer amigos e de falar para pequenos grupos.
  • 7. Dançar é minha maior paixão. Comecei no ballet e Jazz aos 7 anos e aprendi também a dançar Samba, Bolero, Soltinho, Forró e Zouk.
  • 8. Pretendo fazer aulas de outras danças e de acrobacia aérea.
  • 9. Fiz aulas de natação durante 5 anos e também de nado sincronizado.
  • 10. Tenho planos de fazer outra faculdade. Talvez Letras. Mas também quero fazer uma pós graduação então estou dividida.
  • 11. Interrompi o meu livro por enquanto, mas voltarei a escrever quando essa fase emocional ruim passar.

Perguntas da Lady Sybylla:

  • 1. O hábito de leitura vem de onde?
  • Minha mãe me ensinou a ler e me apresentou aos livros. Ela também, é apaixonada por literatura.
  • 2. Você prefere livros físicos, ebooks ou os dois?
  • Prefiro livros físicos, porém ebooks são práticos para levar onde eu quiser como o ônibus e a praia onde eu costumo ler bastante.
  • 3. Você tem e-reader?
  • Sim, tenho um KOBO.
  • 4. Qual o seu gênero literário favorito?
  • Ficção Histórica, Ficção Científica, Romances de Costume e Psicológicos (especialmente do século XIX).
  • 5. Lê literatura brasileira?
  • Sim.
  • 6. Gosta de ler resenhas antes de comprar o livro?
  • Leio só o início e o fim das resenhas para não saber demais. Procuro saber o quanto o blogueiro gostou da leitura e só após ler o livro, leio a resenha inteira.
  • 7. Qual a sua série literária favorita?
  • As Crônicas de Gelo e Fogo, apesar de que ando desanimada com a lentidão com que George R. R. Martin escreve o que me fez adiar a leitura do 5º livro. Fiquei ainda mais desanimada ao saber que o final da série será mostrado na série de TV antes dos livros.
  • 8. Lê em média quantos livros por mês?
  • Depende da época. Atualmente ando devagar porque não tenho conseguido me concentrar, mas normalmente entre 4 e 6.
  • 9. Tem preconceito com algum gênero literário? Por que?
  • Não leio auto ajuda. Acho que é uma besteira. E como psicóloga, acho que existem formas mais eficazes de buscar ajuda. Existem diversas terapias e atividades para ocupar a mente e o corpo que são mais eficazes e técnicas. Tenho mais "raivinha" quando classificam livros de auto-ajuda nas livrarias como "Psicologia".
  • 10. Compra livros online ou prefere ir à livraria?
  • Compro online porque é mais barato, mas adoro frequentar livrarias. De vez em quando até para comprar.
  • 11. Autor ou autora da qual você não perde um livro sequer.
  • Bernard Cornwell e Ken Follett.


Minhas perguntas:
1. Na sua opinião, qual o melhor lugar para se ler um livro?
2. Além de escrever para o blog, você escreve outras coisas?
3. Quem são seus autores preferidos?
4. Você tem algum gênero literário preferido? Qual?
5. Você costuma sair da zona de conforto ou se mantém fiel ao seu gênero literário preferido?
6. O que perguntaria ao seu autor preferido?
7. Algum livro te fez se interessar em conhecer outro país? Qual?
8. Já sentiu vontade de viver em um mundo fictício? Qual?
9. Qual o seu personagem preferido?
10. Qual a importância da literatura na sua vida?
11. O que diria para pessoas que não gostam ou não têm o costume de ler?

Indico:
Aline do Leituras, Vida e Paixões
Nanda Assis do Viagem Literária
Fê do Na Trilha dos Livros
Alana do Acompanhada pelos Livros
Carissa Vieira do Sopa Primordial
Pandora do Uma Pandora e sua Caixa
Alê do A Menina das Ideias
Luara do Estante Vertical
Fernanda Ohashi do Trocando o Disco

E quem mais quiser participar.

Beijos. :**





P.S. Sim mudei o nome do blog de novo, com a ajuda dos leitores que votaram na enquete e agora é definitivo. :)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

A Hora da Estrela - Clarice Lispector


LISPECTOR, Clarice. A Hora da Estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. 88p.

"Desculpai-me mas vou continuar a falar. de mim que sou meu desconhecido, e ao escrever me surpreendo um pouco pois descobri que tenho um destino. Quem já não se perguntou: sou um monstro ou isso é ser uma pessoa?" p.15

A Hora da Estrela conta a vida de Macabéa. O livro é narrado em primeira pessoa por um narrador que se apresenta como um escritor chamado Rodrigo. Ele narra os acontecimentos na vida de Macabéa como um observador.  

Macabéa é uma jovem nordestina que vive no Rio de Janeiro e divide um quarto de pensão com outras moças. Ela é datilógrafa e se orgulha disso. Macabéa não é bonita, é descrita como sendo magra demais, mal cuidada, pobre, simples e comum. Ninguém nota sua presença. Não entende de quase nada e se atrapalha no trabalho porque não entende bem as palavras. Ela se considera feliz, mas não tem ambição e se contenta com quase nada. Quando a maltratam, não reclama, não reage. Como se fosse normal tratarem-na assim. 

Penso que ela se considera feliz porque nunca conheceu a felicidade e não a ambiciona. Mas na verdade ela é triste, a vida dela é monótona, sem emoção e sem grandes acontecimentos. E ela não sonha com nada melhor.

"A Pessoa de quem vou falar é tão tola que às vezes sorri para as pessoas na rua. Ninguém lhe responde ao sorriso porque nem ao menos a olham." p.16

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui." p.21  (Lindo!)

Esse é o primeiro livro da Clarice Lispector que leio. Fiquei encantada com a escrita simples, mas poética, cheia de metáforas e de sentimento. A história é crua, visceral e me tocou bem fundo. Senti pena de Macabéa pela sua solidão e raiva por ela ser tão acomodada, mas entendi que ela nunca teve em quem se espelhar, nunca pensou sobre o futuro ou em tornar a vida melhor. Em alguns momentos me encontrei um pouco nela. O final é triste e doloroso. Não é o tipo de leitura que eu costumo buscar usualmente, mas eu amei! Recomendo muito!

"(...)Essa moça não sabia o que era, assim como um cachorro não sabe que é um cachorro. Daí não se sentir infeliz. A única coisa que queria era viver. Não sabia para quê, não se indagava. Quem sabe achava que havia uma gloriazinha em viver. Ela pensava que a pessoa era obrigada a ser feliz. Então era." p.28

Avaliação: ★★★★ 

Até mais. 
Beijos e boas leituras. :**




Este livro faz parte do Projeto Lendo o Mundo criado pela Mell do Blog Literature-se.
Para entender melhor o desafio, entrem no meu link sobre ele.


sábado, 31 de janeiro de 2015

O Lado Bom da Vida - Matthew Quick



QUICK, Matthew. O lado bom da vida. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2012. Título Original: The silver linings playbook. 256p.

Pat People acabou de sair de uma instituição para doentes mentais onde ficou internado durante 5 anos. Mas para ele foram só alguns meses. Ele quer retomar sua vida e passa a viver com o único propósito de reconquistar sua mulher. Ele vai morar com os pais e passa os dias lendo os livros que sua mulher gosta, malhando e correndo para ficar magro e forte. Ele acredita que assim terá sua mulher de volta logo e terminará com o que ele chama de "tempo separados". Mas ele não sabe que já se passaram 5 anos e que sua mulher não quer mais vê-lo. E sua família está resistente em contar a verdade. O pai nem ao menos fala com ele desde a sua volta.

Pat frequenta as seções de terapia onde conta para seu terapeuta como está sua vida e como era na instituição onde esteve internado que ele chama de "o lugar ruim". Ele teme voltar para lá e está disposto a ser um novo homem. Pat também é um torcedor fanático dos EAGLES e assiste sempre aos jogos em casa ou no estádio com os irmãos e até com o seu terapeuta. 

Enquanto isso, Pat é apresentado a Tiffany, irmã da mulher de um dos seus irmãos. Ela também está passando por um momento de instabilidade emocional e tentando se curar depois da morte de seu marido. Tiffany começa a correr com Pat todos os dias e eles se tornam amigos. Até que Tiffany faz a Pat uma proposta irrecusável. Ela conta a Pat que sua mulher não quer nem pode mais vê-lo por conta de uma ordem judicial, mas se oferece para ser um elo de ligação entre eles enviando cartas um para o outro, com a condição de que Pat participe com ela de uma competição de dança. E assim Tiffany e Pat começam a ensaiar arduamente para a competição.

A história contada em O Lado Bom da Vida é fofa. É uma história de motivação e luta pelo restabelecimento emocional, de perda, amor e amizade. Mas a narrativa, em primeira pessoa, me incomodou bastante. O narrador personagem, Pat People, é extremamente infantil. O livro parece ser narrado por uma criança de 8 anos. Foi irritante ouvir um homem de 35 anos falar de sua vida de forma tão pueril. Ainda que essa imaturidade tenha sido explicada como uma forma de Pat não encarar seus problemas a a consequência de seus atos, achei excessiva e estereotipada. Embora alguns aspectos de Pat tenham me cativado, como seu otimismo e busca do lado bom de todas as coisas, e a forma como o seu transtorno mental foi descrito, o personagem não me conquistou por ser exageradamente imaturo. Por outro lado, eu gostei muito de Tiffany, mesmo ela sendo atrapalhada, de fazer más escolhas e meter os pés pelas mãos. Tiffany é uma personagem incrível - bem construída, cativante, intensa e cheia  de boas intenções e também de defeitos. Também gostei do terapeuta de Pat, da sua mãe e da forma como a relação entre seus pais e os segredos são trabalhados na história. É uma ótima história com bons personagens, mas que, a meu ver, pecou pela narrativa fraca e estereotipada. Pat People me irritou muito, principalmente nos momentos finais. Mas eu curti a leitura por conta de todos os outros elementos positivos e, claro, pela dança! É um bom livro para descansar a mente de leituras mais pesadas. Recomendo.

Avaliação: ★★★

Falei sobre a adaptação do livro para o cinema aquiAcho que gostei mais do filme do que do livro.

Até mais.
Beijos e boas leituras. :**




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domingo, 25 de janeiro de 2015

O Diário de Anne Frank - Otto H. Frank e Mirjan Pressler



FRANK, Anne. O Diário de Anne Frank. Rio de Janeiro, Record, 2014. Tradução de The diary of a young girl. Título Original e holandês: HET ACHTERHUIS

O Diário de Anne Frank é um diário real escrito por uma menina de 13 anos, judia alemã enquanto estava escondida no sótão de uma casa em Amsterdã. Nesta edição encontramos o que ela escreveu inicialmente no diário com as modificações que ela mesma fez posteriormente pensando em publicá-lo no futuro. Anne Frank tinha 13 anos quando começou o seu diário. Inspirada por um programa de rádio que dizia que os diários escritos durante a guerra poderiam ser publicados, Anne editou e acrescentou alguns trechos e contou mais sobre sua vida no Anexo Secreto, como ela chamou o sótão.

No início do diário, encontramos uma Anne imatura e mimada, muito mais preocupada com meninos e coleguinhas da escola. Depois que deixa a casa e vai se refugiar no sótão na casa do patrão de seu pai, Anne começa aos poucos a relatar sobre a guerra e as dificuldades do dia a dia. Os moradores do Anexo Secreto enfrentaram fome, tédio, medo de serem descobertos, desespero por estarem confinados e dificuldade de convivência com outras pessoas em um espaço tão pequeno, sem privacidade etc.

"...Estou no topo do mundo quando penso em como temos sorte, ao me comparar com outras crianças judias, e nas profundezas do desespero quando, por exemplo, a Sra. Kleiman vem falar sobre clube de hóquei de Jopie, passeios de canoa, peças de teatro na escola e chás com amigos." p.164


Nos dois anos que duraram os seus relatos, acompanhamos o amadurecimento de Anne que lia muito e se interessava por Política, História, Religião, Literatura, Artes etc. Ela dava sua opinião sobre o que estava acontecendo no mundo baseada nas notícias que ouvia no rádio e nas conversas com sua família e com os outros moradores do Anexo Secreto.

"A guerra vai continuar, independentemente das brigas e do desejo de liberdade e ar puro, por isso deveríamos tornar a nossa estada o mais agradável possível." p180

Anne também viveu um breve romance no confinamento mostrando que mesmo nas piores condições ela conseguia viver sua vida, fazer planos e ter esperanças no futuro. Anne queria ser escritora (e conseguiu) e alguns trechos do diário em que fala sobre o que esperava do futuro são muito comoventes. 
"Se Deus me deixar viver, vou realizar mais do que mamãe jamais realizou, vou fazer com que minha voz seja ouvida, vou para o mundo e trabalharei pela humanidade!" p.273

Anne era muito inteligente e tinha opiniões fortes.  Sabia o que queria e o que pensava sobre o mundo e questionava a situação das mulheres.

"Mas é só isso. As mulheres devem ser respeitadas também! Falando em termos gerais, os homens são mais valorizados em todas as partes do mundo; então pir que as mulheres não devem ter a sua cota de respeito? Soldados e heróis de guerras são homenageados e condecorados, exploradores recebem fama imortal, mártires são reverenciados, mas quantas pessoas veem as mulheres também como soldados?" p.328

"Acredito que, no decorrer do próximo século, a ideia de que é dever da mulher ter filhos mudará, e abrirá caminho para o respeito e a admiração a todas as mulheres, que carregam seus fardos sem reclamar e sem um monte de palavras pomposas." p.329

São tantos trechos do diário que eu amei, que é melhor parar por aqui. Leiam e se apaixonem também. O livro é uma delícia! Forte, emocionante, intenso e uma pequena amostra sobre a II Guerra Mundial. Recomendo muitíssimo para leitores de todas as idades.

Avaliação: ★★★★ 

Como muitos devem saber, Anne Frank não sobreviveu à guerra. O Anexo Secreto foi descoberto e ela foi capturada. Morreu de tifo no campo de concentração Bergen-Belsen na Alemanha pouco tempo depois. Seu diário foi posteriormente editado e publicado por seu pai, Otto H. Frank que sobreviveu à guerra. Muito se questionou sobre a autenticidade do diário, mas ele foi analizado e considerado autêntico. Os originais estão expostos no Museu de Anne Frank na casa em que Anne e sua família ficaram escondidos em Amsterdã.

Até mais. 
Beijos e boas leituras. :**




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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Mentirosos - E. Lockhart



Bem vindo à família Sinclair.
Ninguém é criminoso.
Ninguém é viciado.
Ninguém é um fracasso.
Os Sinclais são atleticos, altos e lindos. Somos democratas, tradicionais e ricos. Nosso sorriso é largo, temos queixo quadrado e sacamos forte no tênis. p.13

LOCKHART, E. Mentirosos. São Paulo: Seguinte, 2014. Título Original: We Were Liars. 272 p.

Cadence pertence à família Sinclair. Uma família muito rica influente que passa todos os verões em sua ilha particular, Beechwood. O avô de Cadence, Harris, mora na maior casa da ilha. Suas três filhas moram nas outras três casas. Os membros de sua família vivem de aparência e evitam falar de suas próprias falhas ou admitir seus erros. Tudo que importa para eles é o dinheiro, o prestígio, as belas casas cheias de objetos valiosos. 

Cadence tem alguns primos de mesma idade que ela com quem ela tem uma ótima relação e com quem vive muitas aventuras. Eles são chamados de Mentirosos. Além dos primos, o sobrinho do namorado de sua tia, um indiano, também passa os verões em Beechwood. No verão em que Cadence tinha 15 anos, o verão dos 15, como ela chama, um acidente aconteceu, mas ela perdeu a memória, passou a ter dores de cabeça terríveis, parou de estudar e se viciou em analgésicos por causa disso. 

No ano seguinte Cadence não foi à ilha. Em vez disso, viajou à Europa com o pai. Os médicos acharam melhor que ela ficasse longe da ilha por um tempo. Mas no verão dos 17 ela retorna à ilha para tentar descobrir o que aconteceu, já que a família não diz nada. Cadence percorre todos os locais em que passou no verão dos 15 e aos poucos sua memória retoma e ela se dá conta de que algo terrível aconteceu.

Mentirosos é um thriller psicológico e também um Y.A. A história é narrada em primeira pessoa por Cadence e alterna acontecimentos no presente e no passado. No início do livro há um mapa da ilha e suas casas e também uma árvore genealógica o que facilita a compreensão da história com tantos nomes de pessoas e lugares. E. Lockhart escreve bem. A linguagem é às vezes poética e noutras entrecortada, confusa, demonstrando o estado emocional de Cadence. Em alguns momentos Cadence conta os acontecimentos na ilha comparando sua família a contos de fadas numa versão diferente da original.  Existe o tempo todo um mistério no ar e um clima tenso, aflitivo em que Cadence se angustia por não saber o que aconteceu no verão de dois anos atrás. O final é absolutamente surpreendente. O livro é curto e muito envolvente. Não dá vontade de largar. A revelação final poderia ter sido feita de forma mais elaborada , mas mesmo assim adorei! Super recomendo! 

Avaliação: ★★★★


Até mais.

Beijos e boas leituras. :**




Promessa de fim de ano: um ano sem comprar



Vem chegando o fim do ano e começo a pensar nas coisas que deveriam ser diferentes, no que eu poderia melhorar etc.
Aí me deparo novamente com a a minha estante lotada de livros, caindo aos pedaços, aliás, porque não aguenta mais tantos livros e me dou conta de que há muitos, muitos mesmo, livros que não li ainda. Sei que já tentei fazer esse desafio antes e não consegui, mas desta vez é necessário por motivos de:

1. Livros demais sem ler,
2. Estou gastando demais com livros (compro muito mais do que leio),
3. Estou deixando de comprar outras coisas de que preciso,
4. Quero que sobre mais dinheiro para viajar.

Então está lançado meu próprio desafio valendo desde já. Um ano sem comprar livros (fazendo exceção para continuações de séries que eu esteja lendo). Vamos ver no que vai dar. Torçam por mim.

Até mais.
Beijos e boas leituras. :**


P.S. Presentes eu aceito, tá? :P

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

[série de TV] Salem (2014 - )



O mês do Halloween não foi tão bom como planejava mas me empolgou para continuar no clima de terror no fim de semana. Mas hoje vou fechar o dia de Halloween ou Dia das Bruxas, como não podia deixar de ser, indicando uma série de terror sobre Bruxas.

A série Salem, transmitida pelo canal WGN America, mistura fatos históricos e ficção com muito sobrenatural e terror. Antes de falar sobre a série farei um breve resumo sobre o que aconteceu na cidade de Salem, Massachusetts, EUA, nos anos de 1692 e 1693.



Salem era, no século XVII, um povoado no estado de Massachusetts, habitado por puritanos (protestantes calvinistas radicais). Em 1692 e 1693 aconteceram julgamentos nos quais, por volta de 100 pessoas foram acusadas injustamente e enforcadas como bruxas. Três adolescentes teriam acusado primeiramente uma escrava negra chamada Tituba e depois disso, teriam acusado muitas pessoas gerando um grande pânico coletivo e uma caça às bruxas liderada pelo pregador Cotton Matter.

Na série, as bruxas existem de verdade e usam seu poder para se vingar dos puritanos fazendo-os acusarem-se uns aos outros. Mary Sibley (Janet Montgomery), que existiu de verdade, mas nada indica que tenha sido uma bruxa, é, na série, um bruxa muito poderosa que, após se casar com o homem mais rico e poderoso do povoado, passou a escravizá-lo através de bruxaria. No passado, Mary envolvera-se com o soldado John Alden (Shane West). Pensando que ele havia morrido na guerra, Mary entregou o bebê que teve com ele em sacrifício para as bruxas logo após o parto. Anos depois, quando Mary já está casada, o agora capitão John Alden retorna a Salem e investiga o que está acontecendo sem saber que sua amada é uma bruxa. Tituba (Ashley Madekwe), na série, é uma bruxa e criada de Mary Sibley.







A jovem Mercy Lewis (Elise Eberle), possuída pelas bruxas, aponta e acusa quem são bruxos para o reverendo Cotton Mather (Seth Gabel) e ele se encarrega de prendê-los e levá-los a julgamento. Cotton Mather prega a bíblia de dia e frequenta o bordel à noite onde se encontra com a prostituta Gloriana (Azure Parsons). Após se livrar do feitiço e das torturas através de um exorcismo, Mercy decide se juntar à Mary Sibley e tornar-se uma bruxa também.




Anne Hale (Tamzin Merchant) é uma jovem que se revolta contra as falsas acusações sem saber que seu pai, o magistrado Hale (Xander Berkeley), conspira ao lado das bruxas e esconde um grande segredo.



A série é aterrorizante, cheia de cenas de horror e suspense. As bruxas são muito cruéis e vingativas e causam um clima de medo e tensão na cidade sem que ninguém saiba quem elas são de verdade. Todos os personagens têm segredos inconfessáveis. Não há heróis nessa história, mas são todos fascinantes e bem construídos. Mary Sibley é cruel e forte, mas tem também uma fragilidade que não quer mostrar. Mercy é doce e vingativa ao mesmo tempo. Anne Hale é curiosa, destemida e busca a verdade, mas nem ao menos sabe a verdade sobre si mesma. Cotton é um hipócrita, fanático, fundamentalista, covarde, mas é verdadeiramente apaixonado pela amante Gloriana. John é um herói de guerra aparentemente íntegro que investiga as acusações de bruxaria em Salem em busca de justiça, mas cometeu atos terríveis no passado e é cego em relação à da mulher que ama. Eu gostei muito do caráter dúbio dos personagens e do clima sombrio, misterioso e lúgubre da série. Recomendo para quem curte terror de verdade, sem nenhum toque de humor e com muita tensão e medo o tempo inteiro.

Os acontecimentos em Salem inspiraram a peça de teatro The Crucible de Arthur Miller, traduzida como As Bruxas de Salem. A peça foi adaptada para o cinema em um filme homônimo dirigido pelo diretor Nicolas Hytner. O filme é muito bom e é protagonizado por Winona Rider e Daniel Day-Lewis. A peça e o filme não têm nada de sobrenatural, apenas relatam os fatos históricos. Arthur Miller escreveu a peça como uma analogia à perseguição política ao comunismo, chamada também de caça às bruxas, nos EUA durante o mandato do senador Mc Cartthy.

Os julgamentos em Salem também foram tema do livro, resenhado aqui no blog, O Livro Perdido das Bruxas de Salem da autora Katherine Howe que é descendente de uma das mulheres acusadas em Salem em 1692.

Até mais,
Beijos. :**


A Noite dos Mortos Vivos - John Russo




Com um arrepio, Ben compreendeu que nada que fosse humano tinha algum significado para aquelas criaturas. Elas estavam interessadas nos seres humanos apenas para matá-los. Para rasgar a carne dos seus corpos e transformá-los em coisas mortas... assim como elas. p.67

RUSSO, John. A Noite dos Mortos Vivos. Rio de Janeiro: DarkSide Books, 2014. Título Orignal: Undead: Night of the living dead. 320p.

A Noite dos Mortos Vivos é o roteiro do filme homônimo de 1968, dirigido por George A. Romero com roteiro de John Russo e George A. Romero, que foi adaptado em forma de romance e publicado recentemente nessa edição lindíssima da DarkSide Books.




Ben e Bárbara se conhecem em meio a um apocalipse zumbi sem saber muito bem o que está acontecendo. Bárbara passa boa parte da história em choque e sem reagir por causa do que presencia à sua volta enquanto Ben faz tudo para proteger-se e protegê-la das criaturas que os perseguem. A inércia de Bárbara me irritou. Não aguentava mais sua falta de reação e atitude diante do perigo. 

Algumas pessoas se juntam aos dois depois de um tempo e buscam soluções para livrarem-se do perigo. Enquanto isso, boletins de urgência são transmitidos pelo rádio, mas as autoridades não sabem ainda do que se tratam as criaturas.



A história é exatamente igual ao filme, com muita ação sem parar e cenas assustadoras. O final é terrível e inesperado. Achei interessante ler o livro já que o filme foi um precursor de filmes e séries sobre zumbis. Mas a história não é muito elaborada. Não há muitas explicações e os personagens são pouco trabalhados. Não mudou a minha vida, mas é bem divertido e serve para entreter.




A minha edição é a especial limitada da DarkSide Books com capa dura e está perfeita, cheia de fotos do filme. A edição traz também a continuação de A Noite dos Mortos Vivos - A Volta dos Mortos Vivos, que não foi filmada. Recomendo para os que gostam de histórias de zumbis e ação.

Avaliação: ★★★






Até mais.
Beijos e boas leituras. :**

Happy Halloween!!!





quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Apocalipse Z - O Princípio do Fim - Manel Loureiro


De repente, mandaram-nos de volta para o século XIX. Só que cercados de cadáveres ambulantes e lutando para sobreviver. Que panorama mais fodido. p. 101


LOUREIRO, Manel. Apocalipse Z - O princípio do fim. São Paulo: Planeta Brasil, 2010. 365p.

O Princípio do Fim é o primeiro volume da trilogia Apocalipse Z e como o nome sugere trata de um apocalipse zumbi.

A história é narrada em primeira pessoa por um advogado que relata aos leitores do seu blog o que está acontecendo no mundo. Ele mora sozinho com seu gato Lúculo (que é um personagem ótimo) após a perda da sua mulher e começou a escrever um blog para sair da depressão.

O protagonista conta sobre uma epidemia que começou depois de um acidente em um laboratório e como rapidamente se espalhou. Relata o terror das pessoas, a calamidade que ocorre em decorrência disso, cidades sendo evadidas, pessoas se refugiando em bases militares e claro, os zumbis, chamados por ele de não mortos. A eletricidade acaba, a internet não funciona e a partir de então, o advogado começa a relatar o que acontece com ele em um diário.

O ritmo do livro é eletrizante. Tem ação e tensão do início ao fim. Os acontecimentos são narrados no presente, conforme as coisas vão acontecendo o que aproxima o leitor da ação. Apesar de algumas cenas serem muito longas, não me entediei em nenhum momento. A escrita do autor é fluida e o narrador utiliza uma linguagem informal e atual.

Gostei muito da história e estou muito curiosa para saber o que acontece nos próximos volumes. Recomendo muito para quem curte distopias, zumbis e muita ação.

Avaliação: ★★★★

Até mais.
Beijos e boas leituras. :**


domingo, 12 de outubro de 2014

O Dragão de Gelo - George R. R. Martin


MARTIN, George R. R. O Dragão de Gelo. São Paulo: Leya, 2014. Título original: The Ice Dragon. 130 p.

O dragão de gelo soprava a morte no mundo. Morte, quietude e frio. Mas Adara não tinha medo. Ela era uma criança do inverno, e o dragão de gelo era o seu segredo. p.38

Darei uma pausa do mês do Halloween  porque hoje é dia das crianças (e aniversário do meu gato Merlin)! 
Para comemorar escolhi escrever sobre um livro infanto-juvenil escrito pelo George R. R. Martin, um dos meus escritores favoritos!

O Dragão de Gelo conta a história de Adara, que nasceu fria como o inverno, e sua amizade secreta com um dragão de gelo. O universo em que se passa a história é o mesmo ou é muito semelhante ao universo das Crônicas de Gelo e Fogo que deu origem à série de TV Game of Thrones. 

Adara vive em reino repleto de dragões, mas faz amizade com um dragão que não é como os outros. Ele é gelado, branco e lindo. E ela não tem medo de tocá-lo nem de voar com ele, embora ele possa congelar outras pessoas. O dragão de gelo é muito temido no seu mundo. Mas quando uma guerra e dragões de fogo ameaçam seu mundo, Adara e seu dragão de gelo terão que lutar. A família de Adara não sabe dos encontros dela com o dragão de gelo e ela voa com ele secretamente pelos céus do seu mundo.

O Dragão de Gelo é uma linda história de amizade e coragem. É narrado em terceira pessoa e com uma linguagem simples apropriada para o público infanto-juvenil, fluida mas lindamente descritiva (como os outros livros do autor). É curtinho e dá para ler de uma vez só bem rapidinho. O livro é todo lindo e fofo. É ilustrado pelo incrível Luis Royo, artista premiado e conhecido pelas suas lindas ilustrações de fantasia. Recomendo para leitores de todas as idades que curtem fantasia. Uma ótima forma de apresentar o mundo das Crônicas de Gelo e Fogo aos pequenos. 

Avaliação: ★★★★★ 



Beijos e boas leituras. :**
Até logo.



Série de TV - Raised by Wolves

Terminei de assistir ontem à nova série original HBO Max. Já vou começar dizendo que recomendo para quem gostou de Battlestar Ga...